O WiiM Pro é aquela caixinha preta de 14 cm que resolve um problema muito brasileiro: o receiver dos anos 1990 ou o amplificador herdado que ainda soa bem, mas não sabe o que é Spotify. Ele não amplifica nada; ele entrega música da rede, por cabo, ao aparelho que você já tem. A questão em 2026, com o irmão Pro Plus e o Ultra no catálogo, é se o modelo intermediário ainda é a escolha certa — e a ficha técnica responde melhor do que o marketing.
O que ele é (e o que não é)
A própria WiiM avisa na página oficial: o Pro é um streamer, não um amplificador. Precisa ser ligado a caixas ativas ou a um amplificador/receiver com caixas passivas. A função dele é receber o fluxo de áudio pela rede (ou por uma entrada física) e entregá-lo em sinal analógico, pela saída RCA, ou digital, pelas saídas óptica e coaxial, para que o conversor do seu amplificador ou de um DAC externo faça o trabalho.
Protocolos: o ponto mais forte
A lista oficial inclui AirPlay 2, Google Cast, Alexa Cast, Spotify Connect, TIDAL Connect, DLNA e Roon Ready. Na prática, isso significa que a mesma caixa atende quem usa iPhone (AirPlay 2), quem usa Android (Google Cast) e quem tem uma biblioteca no Roon. Spotify e TIDAL tocam direto do app do serviço, com o celular apenas como controle remoto. Poucos aparelhos dessa faixa reúnem AirPlay 2 e Google Cast juntos — foi justamente a ausência do Google Cast que apontamos na análise da ficha técnica do WiiM Mini.
Uma ressalva importante, descrita pela própria WiiM: as entradas físicas (linha e óptica) podem ser compartilhadas em multiroom só em grupos formados por aparelhos WiiM. Elas não são repassadas para HomePod, caixas Echo ou caixas Google pelos grupos desses ecossistemas.
Conexões e números da ficha
Entradas e saídas
Segundo a folha de especificações da WiiM (versão 1.3), o Pro tem uma entrada analógica RCA (1 Vrms, até 96 kHz/24 bits), uma entrada óptica S/PDIF (até 192 kHz/24 bits), uma saída analógica RCA e saídas digitais óptica e coaxial até 192 kHz/24 bits, com saída bit-perfect pelas digitais. A rede é Wi-Fi 802.11ac de banda dupla (2,4 e 5 GHz) e Ethernet 10/100. O Bluetooth é versão 5.1, e a página oficial cita a entrada Bluetooth entre as fontes que podem ser compartilhadas em multiroom entre aparelhos WiiM.
Conversor e medições declaradas
A página atual do produto descreve um DAC da Texas Instruments e informa, para a saída analógica de linha, 106 dB de relação sinal-ruído e THD+N de -92 dB. A folha de especificações 1.3 traz números diferentes para o DAC interno: 102 dB de SNR e THD+N de 0,005%. Como a WiiM não detalha as condições de medição em nenhum dos dois documentos, registramos os dois valores atribuídos às suas fontes, sem tentar conciliá-los. O que ambos deixam claro: para quem quer usar a saída analógica como ponto principal do sistema, a WiiM posiciona o Pro Plus, com estágio analógico aprimorado.
Físico e alimentação
São 140 x 140 x 42 mm e 330 g, alimentação por USB-C (5 V, mínimo 1,5 A) com fonte de 5 V/2 A inclusa, segundo a folha de especificações. O topo tem botões sensíveis ao toque para reproduzir/pausar, volume e um preset. O controle remoto por voz é opcional e vendido à parte.
Ajuste de som
Pelo app WiiM Home, há correção de sala RoomFit, 24 presets de equalização, equalizador gráfico de 10 bandas, equalizador paramétrico de 10 bandas e equalização por fonte — o toca-discos na entrada de linha pode ter um ajuste, a TV na óptica outro. A WiiM também oferece integração sem fio com o subwoofer WiiM Sub Pro.
Para quem o WiiM Pro faz sentido
- Dono de receiver ou amplificador com entrada RCA que quer streaming moderno sem trocar o sistema.
- Quem já tem um bom DAC ou um amplificador com entrada digital: as saídas óptica e coaxial tornam o Pro um transporte digital, e aí o estágio analógico deixa de importar.
- Casas com iPhone e Android: AirPlay 2 e Google Cast no mesmo aparelho evitam brigas pelo controle do som.
- Quem quer Ethernet: o Mini não tem porta de rede; o Pro tem.
Para quem não é
- Quem não tem amplificador nem caixas ativas: nesse caso, um streamer com amplificação integrada, como o WiiM Amp, faz mais sentido.
- Quem vai depender só da saída analógica num sistema hi-fi caro: a própria WiiM aponta o WiiM Pro Plus para esse uso.
- Quem precisa de HDMI, tela ou entrada de toca-discos: esse é o território do WiiM Ultra.
- Quem quer garantia e nota fiscal de loja nacional sem esforço: no Brasil, o Pro aparece sobretudo em anúncios de marketplace, vários com envio internacional. Confira o vendedor, a garantia e a certificação da Anatel antes de comprar.
Veredito
O WiiM Pro continua sendo o modelo mais equilibrado da linha para quem quer modernizar um sistema estéreo: reúne os protocolos que importam, tem entradas e saídas digitais e analógicas, Ethernet e um conjunto de ajustes de som que poucos concorrentes do preço oferecem. Na loja oficial dos EUA, a WiiM lista o Pro por US$ 169; não encontramos uma oferta em reais de varejista nacional que pudéssemos confirmar, então compare o preço final (com frete e impostos) com o do Pro Plus antes de decidir. Se o seu amplificador tem entrada digital, o Pro resolve. Se vai usar a saída analógica num sistema mais caro, o Pro Plus merece o esforço extra. Para ver as outras opções lado a lado, leia nosso guia de melhores streamers para modernizar o som antigo.
Onde comprar
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