A Anker, através da sua marca de áudio Soundcore, acaba de borrar a linha entre caixa de som e dispositivo de saúde. A SleepLab Pro, apresentada na IFA 2026 em Berlim no início de setembro, é uma caixa de cabeceira que usa radar de ondas milimétricas a 60 GHz para monitorar seu sono — sem que você precise vestir nada no pulso, no dedo ou sob o colchão.
Como funciona o radar
O sensor de 60 GHz consegue rastrear frequência cardíaca, taxa de respiração e fases do sono (leve, profundo, REM e despertar) de forma totalmente sem contato. Basta posicionar a SleepLab Pro na mesa de cabeceira. O radar é preciso o suficiente para distinguir duas pessoas na mesma cama, monitorando apenas quem configurou o dispositivo.
Essa tecnologia compete diretamente com vestíveis como o Oura Ring e o Whoop — mas sem o incômodo de dormir com algo no corpo. Não há assinatura mensal, o que é um alívio num mercado onde quase tudo cobra mensalidade.
Áudio e luz adaptativa
A SleepLab Pro não é apenas um sensor disfarçado de caixa. Ela oferece mais de 180 sons integrados, incluindo batidas binaurais (binaural beats), ruído branco e paisagens sonoras naturais. Uma luz noturna com intensidade ajustável gradualmente complementa o áudio.
O mais interessante é o programa adaptativo de 28 dias: a caixa aprende quais combinações de som e luz realmente ajudam você a adormecer e as reaplica automaticamente nas noites seguintes. É machine learning aplicado ao sono.
Versões e preços
A linha tem duas versões:
- SleepLab Pro (US$ 269,99 / ~R$ 1.377): com radar de monitoramento completo + áudio + luz
- SleepLab (US$ 169,99 / ~R$ 867): sem o radar, mas com todo o sistema de áudio e luz para rotinas de sono
As reservas estão abertas nos Estados Unidos, com lançamento pleno previsto para o final de 2026. Sem previsão para o Brasil.
Para quem é
A SleepLab Pro é para quem leva sono a sério mas não quer dormir com gadgets no corpo. Profissionais com rotinas irregulares, pessoas com dificuldade para adormecer ou curiosos sobre a qualidade do próprio sono são o público-alvo. A ausência de assinatura e a integração de áudio + monitoramento num único dispositivo de cabeceira são argumentos fortes. Resta saber se o radar de 60 GHz entrega dados tão confiáveis quanto os melhores vestíveis — algo que só testes independentes confirmarão.