A linha ULT da Sony chegou para substituir a bem-sucedida série SRS-XB, e a ULT Field 3 ocupa a posição intermediária: maior que a Field 1, menor que a monstruosa Field 7. Com IP67, botão ULT para graves sob demanda e preço agressivo de R$ 1.070 no Brasil, ela mira diretamente na JBL Charge 6 e na Soundcore Motion 300. Mas nem tudo funciona como o marketing sugere.
Design e construção: aventureira de verdade
A ULT Field 3 é uma caixa compacta de 1,2 kg com linhas retas e acabamento emborrachado que transmite resistência. A classificação IP67 é complementada por certificações de resistência a queda e ferrugem — poucas caixas nessa faixa podem dizer o mesmo. A alça de ombro dobrável é prática, embora o mecanismo de encaixe seja um pouco confuso nas primeiras vezes.
Disponível em preto, branco e cinza floresta, o design é funcional sem ser memorável. Não tem a personalidade de uma Marshall nem o acabamento premium de uma Bose, mas é a caixa que você leva para a trilha sem medo.
Qualidade sonora: depende do botão ULT
Aqui mora o problema central. Com o ULT desligado, a Field 3 soa oca e fina — os graves praticamente desaparecem e os médios ficam sem corpo. É uma experiência decepcionante para uma caixa de R$ 1.070. Pressione o botão ULT e o som se transforma: graves ganham peso, médios ficam mais encorpados e a experiência geral melhora drasticamente.
Mas essa melhoria tem limite. Acima de 50% do volume com ULT ativado, a distorção se torna perceptível — os graves perdem definição e o som geral fica confuso. A JBL Charge 6, na mesma faixa de preço, mantém compostura em volumes significativamente mais altos.
Outro ponto frustrante: o EQ de 7 bandas no app Sony Sound Connect não pode ser usado simultaneamente com o modo ULT. Você escolhe um ou outro. Isso limita severamente a personalização sonora para quem quer graves reforçados.
A ausência de LDAC é difícil de engolir. A Sony é a criadora do codec, e a ULT Field 5 (mais cara) tem suporte. A Field 3 fica restrita a SBC e AAC — um downgrade que audiófilos vão notar.
Bateria: promessas vs. realidade
A Sony anuncia 24 horas de bateria, mas esse número vale para volume muito baixo sem ULT. Na prática, testes independentes registraram entre 5 e 10 horas em volume moderado com ULT ligado — uma diferença enorme. A carga rápida de 10 minutos para 2 horas de reprodução é genuinamente útil, e a função powerbank permite carregar o celular.
Vale a pena?
A Sony ULT Field 3 é uma caixa honesta para uso outdoor: robusta, leve e com graves divertidos quando o ULT está ativado. Mas a dependência do botão ULT, a distorção em volume alto e a ausência de LDAC a colocam atrás da JBL Charge 6 e da Soundcore Motion 300 em termos de valor geral.
Se você encontrar por menos de R$ 900 em promoção, é uma compra razoável para aventuras. No preço cheio, a concorrência oferece mais.
Uma caixa que depende de um botão para soar bem não está totalmente pronta. A Sony sabe fazer melhor — e já fez, com a SRS-XE300.
Redação Guia do Áudio