A Sonos construiu sua reputação sobre dois pilares: qualidade de áudio acima da média e um ecossistema multiroom que, quando funciona, é difícil de largar. A Roam 2 é a aposta da marca para levar essa experiência para fora de casa — literalmente. Menor caixa do portfólio Sonos, ela promete servir tanto como speaker Bluetooth de aventura quanto como peça complementar do seu sistema doméstico. Testamos por semanas para descobrir se a promessa se sustenta.
Design e construção: compacta de verdade
A Roam 2 mantém a silhueta triangular do modelo original — e isso é um elogio. Com 168 mm de altura, 62 mm de largura e apenas 430 g, ela cabe na lateral de uma mochila ou no porta-copos do carro sem drama. O corpo em metal com acabamento fosco transmite solidez, e as ponteiras emborrachadas protegem contra quedas moderadas. Está disponível em cinco cores: Black, White, Olive, Sunset e Wave.
A grande mudança visível em relação à primeira geração é a adição de um botão dedicado ao Bluetooth na traseira, separado do botão de energia. Parece pouco, mas elimina a necessidade de abrir o app Sonos para parear com o celular — uma frustração real do modelo anterior. A certificação IP67 garante submersão em até 1 metro de água por 30 minutos, além de proteção total contra poeira. Pode levar para a praia, a piscina ou o chuveiro sem medo.
Qualidade sonora: surpreendente, mas com ressalvas
Internamente, a Roam 2 repete a configuração do modelo original: um tweeter e um midwoofer, alimentados por dois amplificadores digitais Classe H. É uma reprodução mono — não espere separação estéreo de um driver único. Dito isso, o som é notavelmente equilibrado para o tamanho da caixa. Os médios são bem definidos, com vocais que se destacam sem parecerem nasalados. Os agudos têm presença sem se tornarem fatigantes em volumes moderados.
Os graves, como seria de esperar de um gabinete tão compacto, são a principal limitação. Há peso suficiente para dar corpo a pop, jazz e rock acústico, mas quem busca pancada visceral para eletrônica ou hip-hop vai precisar de algo maior — como a própria Move 2. O equalizador de duas bandas (graves e agudos) disponível no app permite ajustes, mas a faixa de atuação é limitada: exagerar nos graves rapidamente satura o som.
O volume máximo impressiona para o porte. Em ambientes internos de até 15 m², a Roam 2 preenche o espaço com sobra. Ao ar livre, o som perde projeção mais rapidamente — comportamento esperado e honesto para a categoria. No geral, é uma das melhores caixas portáteis nessa faixa de tamanho, embora concorrentes como a JBL Flip 6 entreguem graves mais expressivos por menos dinheiro.
Recursos inteligentes e ecossistema
É aqui que a Roam 2 se diferencia de qualquer caixa Bluetooth genérica. Conectada ao Wi-Fi (802.11a/b/g/n/ac, 2.4 e 5 GHz), ela desbloqueia o ecossistema completo Sonos: Apple AirPlay 2, Sonos Radio, agrupamento multiroom com outras caixas Sonos, e controle por voz via Amazon Alexa.
O Trueplay automático é um diferencial genuíno. Usando o microfone integrado, a caixa analisa a acústica do ambiente e ajusta a equalização em tempo real — algo raro em speakers portáteis. Na prática, o som melhora perceptivelmente quando você muda a Roam 2 de uma mesa de madeira para uma estante, por exemplo. O Sound Swap, que transfere a reprodução para outro speaker Sonos com um gesto de segurar o botão play, funciona bem e reforça a proposta de ecossistema.
No entanto, o app Sonos continua sendo um ponto fraco. Em nossos testes, a configuração Wi-Fi exigiu múltiplas tentativas, e em alguns momentos os controles no app demoravam a responder. É uma frustração que a Sonos ainda não resolveu completamente, e que mancha uma experiência que deveria ser impecável nessa faixa de preço. O Bluetooth 5.2 com codecs SBC e AAC funciona sem problemas, mas a ausência de aptX ou LDAC é sentida por quem busca a melhor qualidade wireless.
Bateria e carregamento
A Sonos promete até 10 horas de reprodução contínua em volume moderado, e nossos testes confirmaram essa marca — em alguns casos, superando-a ligeiramente. O carregamento é feito via USB-C (15W, cabo incluso — adaptador não) ou por carregadores sem fio Qi, incluindo o acessório dedicado Sonos Roam Wireless Charger, vendido separadamente. A bateria de 18 Wh é suficiente para um dia inteiro de uso casual.
Veredito
A Sonos Roam 2 é, acima de tudo, uma caixa de conveniência premium. Ela não vai destronar concorrentes maiores em potência bruta ou extensão de graves, mas entrega um som equilibrado e detalhado em um formato ultracompacto, à prova d’água, e integrado a um dos melhores ecossistemas de áudio doméstico do mercado. O botão Bluetooth dedicado resolve a maior dor de cabeça do modelo anterior, e o Trueplay automático é um trunfo real.
O preço, porém, é salgado para o Brasil. A R$ 1.999, ela compete com caixas que oferecem mais potência e estéreo — e esse é o dilema central. Se você já está investido no ecossistema Sonos e quer uma caixa portátil que se integre perfeitamente, a Roam 2 faz sentido. Se o seu critério é puramente sonoro por real gasto, há alternativas mais agressivas. Ainda assim, poucas caixas nesse tamanho combinam tão bem construção, som e inteligência.