A Sonos Ray é a soundbar mais acessível do ecossistema Sonos — e também a mais limitada. Mas limitação, no universo Sonos, é relativa: ela faz menos que a concorrência em conectividade, mas faz melhor que a maioria em clareza de diálogo e integração inteligente. A questão é se as omissões são aceitáveis para o seu uso.
Design e construção
Com apenas 55,7 cm de largura e 7 cm de altura, a Ray é absurdamente compacta. Ela cabe debaixo de TVs de 43 polegadas sem bloquear o sensor IR e ocupa menos espaço que um livro grande na estante. O acabamento em plástico fosco (preto ou branco) é discreto e bem acabado — não chama atenção, que é exatamente o ponto.
O peso de 1,9 kg reforça a portabilidade entre cômodos, embora ela não tenha bateria — precisa de tomada sempre.
Conectividade: o elefante na sala
Aqui mora o problema. A Ray tem apenas entrada óptica — nada de HDMI ARC ou eARC. Isso significa que não há suporte a Dolby Atmos (a Ray decodifica Dolby Digital 5.1 e DTS, mas faz downmix para estéreo). Para TVs mais novas que já abandonaram a saída óptica, você pode precisar de um adaptador.
Não há Bluetooth. Nenhum. Para tocar música do celular, você precisa estar na mesma rede Wi-Fi e usar AirPlay 2, Spotify Connect, ou o app Sonos. Para quem está dentro do ecossistema Sonos, isso é natural. Para quem quer simplesmente parear o celular via Bluetooth, é um impedimento real.
Qualidade de som
Dentro das suas limitações físicas, a Ray soa impressionantemente bem. Os quatro amplificadores Classe D alimentam dois tweeters e dois midwoofers em configuração bass reflex, entregando um som claro e articulado que faz diálogos saltarem da tela.
O recurso Speech Enhancement é genuinamente útil — reforça frequências vocais sem distorcer o resto da mixagem. Para séries e filmes com diálogos densos, faz diferença real. O Night Sound comprime a dinâmica para assistir tarde da noite sem incomodar os vizinhos.
O Trueplay (disponível via iOS) calibra o som baseado na acústica do ambiente usando o microfone do iPhone. Funciona e melhora sensivelmente a resposta de graves em salas pequenas.
O alcance médio é onde a Sonos faz seu melhor trabalho — articulação impressionante para uma soundbar deste tamanho.
What Hi-Fi
Os graves, porém, são o limite natural. Sem subwoofer e com drivers compactos, a Ray não tem impacto físico para cenas de ação ou música com linhas de baixo pesadas. Se graves importam, considere adicionar o Sonos Sub Mini — mas o investimento total sobe consideravelmente.
Veredito
A Sonos Ray é a melhor soundbar para quem prioriza clareza vocal, integração multiroom e design compacto — e já está ou quer entrar no ecossistema Sonos. Mas a ausência de HDMI, Bluetooth e graves profundos a limitam a um cenário específico: quartos, escritórios e TVs menores onde diálogo importa mais que explosões. Por R$ 2.300, é um investimento no ecossistema, não apenas no hardware.