Reviews 16 JUN 2026

Sennheiser HD 660S2: o open-back que recalibra a referência

A Sennheiser refez o grave do HD 660S e, no processo, entregou talvez o open-back mais equilibrado da faixa intermediária. Passamos um mês com ele no banco e na mesa.

REVIEWS

Existe uma categoria de fone que não tenta te impressionar na primeira faixa — ela tenta te convencer na trigésima. O Sennheiser HD 660S2 pertence a essa categoria. Depois de um mês alternando entre o amplificador da bancada e a interface da mesa de produção, a impressão que fica não é de fogos de artifício, e sim de confiança: este é um fone que você liga e esquece que está avaliando.

O HD 660S original já era uma referência querida na faixa intermediária. A pergunta, então, era simples e perigosa: o que mudar sem estragar? A Sennheiser respondeu com cirurgia, não com reinvenção.

O que mudou: a obsessão pelo grave

A mudança estrutural está no driver. A nova bobina de voz, mais leve, e o ajuste da câmara traseira deslocaram a frequência de ressonância de 110 Hz para 70 Hz. Na prática, isso significa um grave que desce mais fundo e com mais corpo, sem a flacidez que costuma acompanhar fones que prometem “mais grave”.

IN-ARTICLE · 680 × 170

Pela primeira vez um HD 6-series me fez sentir o sub-grave de uma faixa eletrônica sem soar artificial. É um equilíbrio difícil de acertar.

Tiago Vellutini · 1 mês com o HD 660S2

Os médios continuam sendo o território onde a Sennheiser brilha há décadas. Vozes têm peso e textura, e a região de presença nunca soa agressiva. Os agudos foram suavizados o suficiente para sessões longas, sem perder a informação que separa um bom open-back de um fechado comum.

A bancada importa

Aqui vem o aviso: 300 Ω não é brincadeira. Plugado direto num celular ou numa interface fraca, o HD 660S2 soa apagado e sem dinâmica. Com um amplificador competente — testamos com um DAC/amp dedicado de mesa —, ele desabrocha: o controle de grave aparece, a dinâmica respira e a separação ganha ar.

Conforto e construção

A 260 g, com espumas de veludo e a clássica suspensão Sennheiser, é dos fones mais confortáveis que já usei por horas seguidas. A vinda de fábrica com cabo balanceado 4.4 mm é um detalhe que, em 2026, deveria ser regra — e ainda não é.

O HD 660S2 não é um salto revolucionário sobre o antecessor. É um refinamento focado que corrige a única crítica recorrente da linha. Para quem quer um open-back de referência sem migrar para a estratosfera de preço, ele é uma das compras mais sensatas do mercado.

VEREDITO TÉCNICO · GA REVIEW
8,9
/ 10.0
RECOMENDADO
RESPOSTA TONAL
Graves
84
Médios
92
Agudos
86
Soundstage
82
Detalhe
90
Conforto
90
FICHA TÉCNICA
TIPOOpen-back, over-ear
DRIVERS38 mm dinâmico
IMPEDâNCIA300 Ω
RESPOSTA8 Hz – 41.5 kHz
SENSIBILIDADE104 dB (1 kHz, 1 Vrms)
CONECTORES2× 2.5 mm + cabos 6.3 mm e 4.4 mm
PESO260 g
PREçOR$ 3.499
✓ A FAVOR
  • Grave mais encorpado e controlado que o HD 660S
  • Médios de naturalidade exemplar
  • Conforto para sessões longas
  • Vem com cabo balanceado 4.4 mm
× CONTRA
  • 300 Ω exige amplificação decente
  • Soundstage íntimo para um open-back
  • Design conservador, quase idêntico ao antecessor
⌬ FIM · 2 min de leitura

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