Lançamentos 25 SET 2026

Schiit Bifrost 3 troca o multibit pelo “Mesh”, ganha app com EQ e ainda fica US$ 100 mais barato

A terceira geração do DAC mais popular da Schiit abandona a conversão multibit, adota um ESS ES9039 comandado por DSP próprio e chega por US$ 699 com controle por aplicativo, EQ paramétrico e atualização sem fio.

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Durante anos, o Bifrost foi a porta de entrada para quem queria provar o tal “som multibit” da Schiit sem gastar o preço de um Yggdrasil. Pois a terceira geração, anunciada em 14 de setembro, vira essa página: o Schiit Bifrost 3 abandona a conversão multibit, adota um chip delta-sigma da ESS e, de quebra, fica US$ 100 mais barato que o antecessor. Para uma marca que sempre criticou DACs “de chip”, é uma guinada e tanto.

O que muda por dentro: chega o “Mesh”

O coração do Bifrost 3 é a arquitetura que a Schiit chama de Mesh. Em vez de depender do filtro digital embutido no chip conversor, a empresa roda o próprio filtro de oversampling — otimizado nos domínios do tempo e da frequência, na descrição da fabricante — em um DSP SHARC da Analog Devices. Esse DSP alimenta um ESS ES9039, que aqui trabalha apenas como modulador delta-sigma. Traduzindo: a Schiit usa o silício da ESS como “motor”, mas mantém a matemática de filtragem sob seu controle, que é justamente onde ela sempre disse estar a diferença audível.

Os números publicados pela fabricante são de respeito para a faixa de preço: THD+N abaixo de 0,00015% (-118 dB), relação sinal-ruído acima de 125 dB, crosstalk de -128 dB e resposta de 20 Hz a 20 kHz com variação de ±0,06 dB. A saída chega a 2 V RMS pelas RCA e 4 V RMS pelas XLR balanceadas.

Forkbeard: o DAC que virou pré-amplificador

A novidade mais prática talvez nem seja o conversor, e sim o Forkbeard, módulo de controle que agora vem incluído. Com ele, o Bifrost 3 passa a ter controle de volume digital, balanço, loudness e um equalizador paramétrico de cinco bandas ajustáveis pelo aplicativo. Um controle remoto infravermelho também acompanha a caixa, para trocar de entrada e silenciar o som. E as atualizações de firmware passam a ser feitas pelo ar, aposentando o velho ritual do cartão microSD.

Na prática, isso permite ligar o Bifrost 3 direto em um amplificador de potência ou em monitores ativos, sem pré no meio. Fica o alerta: não há saída de fone de ouvido nem amplificação embutida. Quem quer ouvir de fone continua precisando de um amplificador dedicado, como os da própria linha Asgard ou Magni.

Entradas, saídas e o mesmo chassi modular

  • USB-C com a interface Unison 384, isolada e sem necessidade de driver, aceitando até 32 bits/384 kHz (o Bifrost 2/64 parava em 24/192);
  • Coaxial e óptica S/PDIF, até 24 bits/192 kHz;
  • Saídas RCA e XLR balanceadas;
  • Consumo de 15 W, chassi de cerca de 23 x 15 x 5 cm e 2,7 kg;
  • Fabricado nos Estados Unidos, com garantia de cinco anos.

A modularidade, marca registrada da família, continua. Segundo a cobertura do lançamento, a placa Mesh será vendida separadamente por US$ 250 para quem tem um Bifrost 2 — só que, nesse caso, as funções do Forkbeard ficam de fora, porque dependem do novo chassi. O caminho inverso também funciona: placas de conversão do Bifrost 2 podem ser instaladas no Bifrost 3.

Preço e disponibilidade

O Bifrost 3 custa US$ 699 na cor preta e US$ 729 na prata, já com Forkbeard e controle remoto. A pré-venda no site da Schiit exige um sinal reembolsável de US$ 10, e as entregas estão previstas para o fim de outubro de 2026. Para comparação, o Bifrost 2/64 que ele substitui saía por US$ 799. A Schiit atribui a redução de preço à própria linha de montagem de componentes SMD.

No Brasil, a Schiit não tem distribuição oficial conhecida, e a compra direta pelo site americano costuma sair bem mais cara depois dos impostos de importação e do frete. Não há previsão de venda nacional.

Nossa leitura

Há duas maneiras de ver o Bifrost 3. A romântica lamenta o fim do multibit no modelo intermediário da Schiit, o que faz do Yggdrasil praticamente o último guardião da tecnologia na casa. A pragmática nota que o produto ficou mais barato, mais completo e, no papel, bem mais limpo. Um DAC balanceado de US$ 699 com EQ paramétrico, volume digital e firmware atualizável pelo ar enfrenta de igual para igual concorrentes chineses como Topping e SMSL, com a vantagem de ser modular e de ter cinco anos de garantia.

O ponto a acompanhar é o som. Números de -118 dB de THD+N são excelentes, mas hoje vários DACs de US$ 200 já medem bem. A pergunta que a Schiit vai precisar responder nos testes independentes é se o filtro rodando no SHARC entrega aquilo que a marca sempre prometeu: timbre e “corpo”, e não apenas uma planilha bonita. Se entregar, o Bifrost 3 tem cara de novo ponto de referência na faixa dos US$ 700.

⌬ FIM · 4 min de leitura

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