Enquanto a concorrência empilha watts e disputa quem tem o grave mais exagerado, a Ultimate Ears segue um caminho diferente com a Megaboom 4. Em vez de volume máximo, a aposta é em som 360° consistente, construção à prova de tudo e uma assinatura sonora que prioriza equilíbrio sobre pancada. E funciona — desde que você saiba o que está comprando.
Construção e resistência
A Megaboom 4 mantém o formato cilíndrico vertical que é marca registrada da linha. A carcaça usa no mínimo 54% de plástico reciclado pós-consumo — e a textura não denuncia isso. O acabamento é sólido, os botões emborrachados respondem bem e o peso de 935 g faz da caixa uma companheira de mochila sem drama.
Com IP67, ela aguenta submersão a 1 metro por 30 minutos e rejeita poeira completamente. O teste de queda de 1 metro complementa a proteção. E sim, ela flutua — um detalhe que parece bobeira até o dia em que a caixa cai na piscina e você agradece por não precisar mergulhar atrás dela.
Qualidade de som
Aqui está o ponto que diferencia a UE de quase todas as rivais: o som é genuinamente omnidirecional. Dois drivers full-range de 50 mm e dois radiadores passivos distribuem o áudio em 360°, e você percebe a diferença ao caminhar ao redor da caixa — o som mantém corpo e equilíbrio em qualquer ângulo. Em um churrasco ou reunião, isso vale mais do que 20 watts a mais de potência direcionada.
Os 14 watts RMS e 91 dB de SPL máximo não impressionam no papel. Mas a UE sempre foi transparente sobre isso: a Megaboom 4 não é uma party speaker. Ela é feita para grupos de até 15-20 pessoas em ambientes médios. Nesse contexto, o volume é mais que suficiente.
O grave é controlado e presente sem ser dominante — os radiadores passivos foram redesenhados com material mais macio, reduzindo distorção em volumes altos. Os médios são o destaque: vocais soam naturais e presentes, com boa separação. Os agudos têm detalhe adequado, sem sibilância, embora falte aquele brilho extra que caixas com tweeter dedicado entregam.
Em pop e música eletrônica, a Megaboom 4 brilha. Em rock mais complexo com muitas camadas instrumentais, ela pode soar um pouco congestionada — é o limite físico de dois drivers full-range de 50 mm.
Conectividade e app
Bluetooth 5.1 com codec SBC. Sem AAC confirmado oficialmente, sem aptX, sem LDAC. É o ponto fraco da linha UE desde sempre, e a Megaboom 4 não resolve isso. Se codec importa para você, JBL e Sony oferecem mais.
O PartyUp permite conectar mais de 150 caixas UE simultaneamente — um número absurdo, mas que mostra a robustez do protocolo. Na prática, parear duas ou três unidades funciona perfeitamente.
O Magic Button no topo permite play/pause, skip de faixa e acesso rápido a playlists configuradas no app UE BOOM. O app também oferece EQ customizado e atualização de firmware.
Bateria
As 20 horas prometidas são realistas em volume moderado (40-50%). Carga completa via USB-C leva cerca de 3 horas. Não há carga rápida, e não há função powerbank — dois recursos que a JBL Charge 6 oferece na mesma faixa de preço.
Para quem é — e para quem não é
A Megaboom 4 é para quem valoriza qualidade de som omnidirecional e construção premium acima de potência bruta. Ela não vai animar uma festa de 50 pessoas, mas vai entregar o som mais consistente do mercado para reuniões, varandas e beiras de piscina.
Não é para quem quer volume alto em área aberta — para isso, a JBL Charge 6 ou a Soundcore Boom 2 são melhores escolhas. E a ausência de codecs avançados via Bluetooth é cada vez mais difícil de justificar em 2026.
A Megaboom 4 não grita — ela conversa. E nessa conversa, o som 360° de verdade faz toda a diferença.
Redação Guia do Áudio