A Ultimate Ears construiu sua reputação em cima de três coisas: som 360° que funciona de verdade, resistência absurda e design que não pede desculpas. A Megaboom 4 continua nessa linha — e esse é tanto o elogio quanto a crítica.
Design: o cilindro inconfundível
Se você já viu qualquer Megaboom, sabe exatamente o que esperar: cilindro vertical coberto por tecido resistente à água, botões de borracha generosos no topo e uma pegada que cabe bem na mão. A Megaboom 4 pesa 935 g e mede 22,5 cm de altura — praticamente idêntica à antecessora. As cores são vibrantes (Active Black, Cobalt Blue, Raspberry Red, Enchanting Lilac), e o acabamento soft-touch envelhece com dignidade.
O IP67 garante proteção contra submersão temporária (1 metro, 30 minutos), e a UE manteve o truque que virou marca registrada: a caixa flutua. Derrubou na piscina? Ela boia até você resgatar. Poucas marcas têm esse charme prático.
Som: 360° real com assinatura grave
Dois woofers de 2 polegadas disparando em direções opostas, acompanhados de radiadores passivos de 2,5 × 3,4 polegadas, produzem um campo sonoro 360° que não é marketing vazio. Sentado ao redor de uma mesa, todo mundo ouve o mesmo mix — sem o “lado bom” e o “lado ruim” que caixas unidirecionais criam.
Os graves são encorpados e redondos, com extensão até 60 Hz que dá peso a reggaeton e eletrônica sem ficar embolado. Os médios são competentes mas não brilhantes — vozes ficam claras em volumes moderados, mas perdem definição acima de 75%. Nos agudos, a limitação é mais evidente: falta ar e detalhe fino, e pratos metálicos soam um pouco abafados.
O SPL máximo de 91 dB é bom para uma roda de amigos ou um quarto, mas não espere que ela preencha um quintal grande. O EQ customizável pelo app UE ajuda a moldar o som ao gênero musical, mas as opções são básicas comparadas ao que JBL e Soundcore oferecem.
Conectividade: onde a Megaboom 4 tropeça
Bluetooth 5.0 com suporte apenas a SBC é difícil de defender em 2024 (ano de lançamento). Sem aptX, sem AAC, sem LDAC, sem Auracast. A qualidade de streaming via Bluetooth fica limitada ao codec mais básico disponível. Se você vem de uma JBL com aptX ou de uma Soundcore com LDAC, vai notar a diferença em faixas mais complexas.
O recurso PartyUp permite conectar mais de 150 caixas UE compatíveis ao mesmo tempo — impressionante no papel, exagerado na prática. O modo megafone transforma a caixa em um amplificador de voz, mas a qualidade é funcional, não profissional.
Bateria: 20 horas que cumprem o prometido
A bateria de 22,5 Wh entrega entre 18 e 21 horas de uso real, dependendo do volume. Testadores independentes reportaram que ela frequentemente excede as 20 horas prometidas em cerca de 90 minutos — raro no mercado. A recarga via USB-C leva 3 horas, sem carga rápida.
O elefante na sala: evolução marginal
Quem tem uma Megaboom 3 vai se perguntar: por que trocar? A resposta honesta é que não há um motivo forte. O som melhorou marginalmente, a bateria é similar, e o Bluetooth na verdade é o mesmo padrão. A construção é tão boa quanto, não melhor. A Megaboom 4 é uma ótima caixa — mas é mais uma Megaboom 3.5 do que uma geração nova.
Veredito
A UE Megaboom 4 continua sendo uma das melhores caixas 360° do mercado, com resistência exemplar, bateria honesta e som divertido. Mas a falta de codecs modernos, de Auracast e de qualquer inovação real sobre a geração anterior faz ela parecer uma atualização tímida num mercado que está se movendo rápido. Se você está comprando sua primeira caixa 360°, ela é excelente. Se já tem uma Megaboom 3, guarde o dinheiro.