Existe um antes e um depois do WH-1000XM5 no mercado de fones com cancelamento de ruído. Lançado originalmente em 2022 e ainda invicto em 2026, o flagship over-ear da Sony não apenas lidera rankings — ele define os critérios pelos quais todos os concorrentes são avaliados. Depois de semanas de uso diário, entendo por quê.
Design e conforto
A Sony abandonou as dobradiças do XM4 e adotou um design de arco contínuo que reduz pontos de pressão. Com 250 gramas, o XM5 desaparece na cabeça depois de minutos. As almofadas de couro sintético são generosas, macias e não esquentam tanto quanto as do antecessor — detalhe relevante no clima brasileiro. O estojo rígido incluso é maior que o do XM4, consequência do formato que não dobra na mesma medida. Para quem viaja frequentemente com o fone na mochila, é um trade-off real.
Cancelamento de ruído
Dois processadores QN1 trabalhando em conjunto com oito microfones criam o melhor ANC disponível em fones de consumo. O otimizador automático analisa o formato da cabeça, o encaixe das almofadas e o ambiente ao redor para calibrar o cancelamento em tempo real. Ruído de avião, trem, escritório open-plan — tudo reduzido a um sussurro distante.
O Speak-to-Chat pausa a música automaticamente quando você começa a falar, e o modo de transparência deixa entrar sons externos sem tirar o fone. Na prática, o Speak-to-Chat é útil mas ocasionalmente dispara falso — pigarros e tosses podem ativá-lo. Nada que não se resolva desligando o recurso nas configurações.
Qualidade sonora
O driver de 30 mm com domo de fibra de carbono entrega uma assinatura que a Sony refinou ao longo de cinco gerações: graves controlados com impacto, médios presentes e naturais, agudos detalhados sem sibilância. Não é uma assinatura neutra de monitor — há um leve reforço na região de 50-100 Hz que dá corpo à música sem mascarar vozes. A resposta estendida até 4 Hz (com fio) significa que você sente o sub-bass antes de ouvi-lo.
Com LDAC ativado via Bluetooth 5.2, a diferença em relação ao AAC é audível em material bem masterizado. Cordas ganham textura, pratos de bateria ganham brilho natural, e a separação estéreo se amplia perceptivelmente. O soundstage é impressionante para um fone fechado — não compete com um HD 800 aberto, mas cria uma sensação de espaço que torna sessões longas menos fatigantes.
Bateria e conectividade
As 30 horas com ANC ligado são reais e conservadoras — em volume moderado, consegui chegar a 33 horas antes do aviso de bateria baixa. A carga rápida de 3 minutos para 3 horas é salvador para esquecimentos de última hora. O multipoint com dois dispositivos simultâneos funciona sem as desconexões que plagueiam concorrentes: alterna entre notebook e celular de forma transparente.
Veredito
O Sony WH-1000XM5 não é perfeito — o estojo é grande demais, os controles touch falham sob umidade, e a ausência de proteção IP é decepcionante num fone dessa faixa. Mas em ANC, qualidade sonora, conforto e bateria, ele permanece imbatível. Se você precisa de um único fone para trabalho, viagem, e prazer musical, este é o padrão contra o qual tudo mais é medido.
Onde comprar
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