A JBL Go sempre foi aquela caixinha que você joga na mochila sem pensar duas vezes. Com a Go 5, lançada em abril de 2026 por US$ 54,95 (cerca de R$ 359 no Brasil, com promoções chegando a R$ 266), a JBL decidiu que “pequena” não precisa significar “limitada em tecnologia”. E o resultado é a maior evolução da linha desde sua criação.
Construção e design
A Go 5 mantém o formato compacto que já conhecemos — 10,2 x 7,5 x 4,8 cm e 185 gramas —, mas os acabamentos melhoraram. A certificação IP68 é o destaque construtivo: não estamos falando apenas de respingos ou imersão rápida, mas de proteção total contra poeira e submersão prolongada. Para quem leva a caixa para a praia, piscina ou chuveiro, é uma tranquilidade que poucos concorrentes nessa faixa oferecem.
O LED de borda (Edge Lighting) funciona como indicador de status e adiciona um toque visual discreto. Não é exagerado como em caixas gamer — é funcional e elegante. O peso de 185 g continua convidativo para uso em movimento, e a caixa cabe no bolso de um casaco sem drama.
Conectividade: o salto geracional
Aqui é onde a Go 5 realmente se diferencia. Bluetooth 6.0 com suporte a LC3 e LE Audio coloca essa caixinha de R$ 359 à frente de concorrentes que custam o dobro em termos de protocolo. O codec LC3 oferece qualidade superior ao SBC com menor consumo de energia — uma combinação rara nesta faixa de preço.
O Auracast permite conectar múltiplas caixas simultaneamente para reprodução em grupo, enquanto o Multi-point Bluetooth possibilita conexão com dois dispositivos ao mesmo tempo. São recursos que há dois anos eram exclusividade de produtos premium.
Mas a grande surpresa é o DAC USB-C embutido. Ao conectar a Go 5 via cabo ao celular ou notebook, ela funciona como uma placa de som externa, reproduzindo áudio lossless sem depender do Bluetooth. Para uma caixa nessa categoria, é algo que beira o absurdo — no melhor sentido possível. Não espere milagres de resolução com um driver de 45 mm, mas a diferença é perceptível em vocais e instrumentos acústicos comparado ao streaming via Bluetooth SBC.
Qualidade sonora: honestidade acima de tudo
Vamos ser diretos: a Go 5 tem um driver de 45 mm, 4,8W RMS e um gabinete do tamanho de um punho. Nenhuma engenharia do mundo vai fazer essa caixa soar como uma Charge ou uma Xtreme. A física impõe limites, e fingir o contrário seria desonesto.
Os graves são fracos — presentes o suficiente para dar corpo à música, mas sem impacto real abaixo dos 100 Hz. Se você espera sentir o bumbo de uma faixa de hip-hop, procure outra categoria. Os médios, por outro lado, são surpreendentemente competentes: vocais ficam claros e bem posicionados, e instrumentos como violão e piano têm boa presença. Os agudos são decentes, com boa definição para o tamanho, embora percam brilho em volumes mais altos.
O Consumer Reports identificou distorções em volumes elevados, e concordo: acima de 80% do volume máximo, a Go 5 começa a comprimir e perder definição. O ponto ideal fica entre 50% e 70%, onde o som é limpo e agradável para ambientes pequenos.
O AirTouch merece destaque especial: aproxime duas Go 5 e elas se pareiam automaticamente em estéreo. Sem botão, sem app, sem configuração. O resultado em estéreo é notavelmente superior ao mono — o palco sonoro se abre, e a experiência melhora de forma significativa. Se você já tem uma Go 4 e está pensando em fazer o upgrade, comprar duas Go 5 para usar em estéreo é o cenário ideal.
Bateria
Sete horas de reprodução contínua é o número oficial, e nos meus testes ficou próximo disso — entre 6 e 7 horas em volume moderado. Não é ruim para o tamanho, mas também não impressiona. Concorrentes como a Tribit StormBox Micro 2 entregam algo semelhante com preço menor. O carregamento via USB-C é rápido, e uma carga parcial de 20 minutos já devolve cerca de uma hora de uso.
Veredicto
A JBL Go 5 é, sem dúvida, o maior salto evolutivo da linha Go. O Bluetooth 6.0 com LC3, o DAC USB-C integrado e o pareamento automático via AirTouch são recursos que não deveriam existir numa caixa desse preço. A JBL colocou tecnologia de 2026 num produto de entrada e isso merece reconhecimento.
Porém, a realidade física permanece: um driver de 45 mm não faz milagres em graves, o volume máximo é limitado e a bateria de 7 horas é apenas adequada. A Go 5 não é para quem quer som potente — é para quem quer o melhor som possível no menor espaço possível, com conectividade de ponta e resistência a praticamente qualquer situação.
Se a Go 4 já era a caixa que todos recomendavam como “aquela básica que funciona”, a Go 5 é a caixa que recomendo como “aquela básica que impressiona”.
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