Existe um abismo entre o que a maioria das soundbars promete e o que realmente entrega. A Devialet Dione foi projetada para eliminar esse abismo. Com 17 drivers, 8 subwoofers integrados, 950 watts de potência e certificação Dolby Atmos 5.1.2 num corpo único, ela é a resposta francesa para uma pergunta que muitos audiófilos fazem: é possível ter som de cinema sem espalhar caixas pela sala? Depois de algumas semanas convivendo com a Dione, minha resposta é um sim qualificado — e bastante impressionado.
Design e construção
A Dione é um objeto de desejo. Com 119,4 cm de comprimento, 8,8 cm de altura e 16,5 cm de profundidade, ela é surpreendentemente fina para a quantidade de tecnologia que carrega. O acabamento em tecido acústico e alumínio anodizado é impecável, com uma elegância minimalista que é marca registrada da Devialet.
O elemento mais distintivo é o Orb — um cilindro central que abriga o canal central e pode girar 180° para se adaptar à posição da barra (sobre o rack ou fixada na parede sob a TV). É engenhoso e funcional: o canal central sempre aponta para o ouvinte, independentemente da instalação. Com 12 kg, a Dione é substancial, mas a montagem em parede é bem resolvida com o suporte incluso.
Qualidade sonora
Aqui a Dione justifica cada centavo do seu preço estratosférico. Os 17 drivers incluem 9 drivers full-range de alumínio de 41 mm e 8 subwoofers racetrack de 135 mm, alimentados por amplificação híbrida Class D/Class A totalizando 950W. A resposta de frequência de 24 Hz a 21 kHz não é mero número no papel: os graves descem com autoridade até regiões que normalmente exigem um subwoofer externo dedicado.
O palco sonoro é extraordinário. O Dolby Atmos 5.1.2 com drivers de altura dedicados cria uma bolha sonora envolvente que, em filmes, posiciona efeitos com precisão impressionante acima e ao redor do ouvinte. A tecnologia de beamforming ADE (Advanced Dimensional Experience) da Devialet contribui para criar reflexões que simulam canais surround traseiros. Não substitui um sistema 7.1.4 dedicado, mas chega mais perto do que qualquer outra soundbar que já testei.
Para música, a Dione é igualmente competente. O modo Space upmix converte estéreo em multicanal com naturalidade surpreendente, sem os artefatos artificiais comuns em processamentos desse tipo. Vocais são cristalinos, instrumentos têm corpo e textura, e a dinâmica é ampla o suficiente para fazer justiça a gravações bem produzidas.
Recursos e conectividade
A Dione oferece HDMI eARC (sem passthrough — uma limitação real), entrada óptica, Ethernet, Wi-Fi, Bluetooth, AirPlay 2 e Spotify Connect. O app Devialet controla volume, EQ e modos de som. O recurso Space para upmix estéreo e o modo Night para reduzir dinâmica em horários tardios são bem implementados.
A ausência de um controle remoto físico dedicado é uma escolha controversa: a Devialet espera que você use o controle da TV via HDMI-CEC ou o app. Funciona, mas nem sempre com a conveniência de um controle dedicado.
Limitações importantes
Não há entrada HDMI passthrough — apenas eARC. Isso significa que todas as fontes precisam ser conectadas à TV primeiro, e a TV precisa ter eARC para passar Atmos completo. É uma limitação significativa para quem tem múltiplas fontes. Também não há suporte a DTS:X, o que pode incomodar quem tem coleção de Blu-rays com essa codificação.
Veredicto
A Devialet Dione é, sem dúvida, uma das melhores soundbars do mundo. O som é extraordinário, o design é deslumbrante e a experiência Atmos é legítima. Mas o preço de R$ 12.990 (importada) a coloca num território onde ela compete não apenas com outras soundbars premium, mas com sistemas de home theater completos. A falta de HDMI passthrough e controle remoto dedicado são tropeços que uma barra nessa faixa não deveria dar. Para quem prioriza simplicidade com qualidade extrema e tem orçamento compatível, a Dione é incomparável.
A Dione entrega o que nenhuma outra soundbar consegue: som de cinema real num corpo único e elegante. O preço é de outro planeta, mas o som também é.
Redação Guia do Áudio