A Bose SoundLink Revolve+ II é a caixa Bluetooth 360° que a Bose lançou em 2021 como atualização sutil da primeira geração. De lá para cá, o mundo do áudio portátil mudou radicalmente — Bluetooth 5.3, codecs LDAC, USB-C universal, IPX7/IP68 — e a Revolve+ II permaneceu exatamente igual. A pergunta em 2026 não é se ela soa bem (soa), mas se vale o preço pedido diante de concorrentes que oferecem muito mais por menos.
Design e construção
Aqui a Bose ainda brilha. O corpo em alumínio anodizado com base emborrachada é impecável — sólido, resistente a riscos e com um acabamento que envergonha qualquer caixa de plástico. A alça de tecido integrada na parte superior é prática e resistente, sem o visual esportivo exagerado das concorrentes. O formato cilíndrico alto e estreito cabe em mesas lotadas e não domina o ambiente visualmente.
O IP55 protege contra respingos e poeira, mas não contra submersão — algo que a JBL Charge 6 (IP68) e a UE Boom 4 (IP67) entregam sem cobrar mais. Para piscina ou chuveiro, a Revolve+ II não é a escolha certa.
Som
O som 360° é o grande trunfo. A combinação de transdutor único com dois radiadores passivos projetados para irradiar som em todas as direções funciona de verdade: colocada no centro de uma mesa, todos ao redor ouvem o mesmo som equilibrado, sem o efeito “frente e costas” comum em caixas convencionais.
O perfil sonoro é tipicamente Bose — levemente quente nos graves, médios claros e articulados, agudos suaves sem estridência. Não é a caixa mais grave nem a mais brilhante, mas é consistentemente agradável. Vozes soam naturais, violões acústicos têm corpo, e bateria eletrônica tem peso suficiente sem dominar a mixagem.
O volume máximo é satisfatório para ambientes internos e reuniões ao ar livre de até 15 pessoas, mas não tem potência para competir em festas maiores. Caixas como a Soundcore Motion X600 ou JBL Charge 6 entregam mais volume e graves mais profundos.
Os problemas que a Bose ignora
O Bluetooth 4.2 é o elefante na sala. Em 2026, com Bluetooth 5.3 e 6.0 no mercado, manter 4.2 significa alcance menor, conexão menos estável e zero suporte a codecs de alta resolução. Sem aptX, sem LDAC — o áudio vai comprimido em SBC ou AAC básico.
A porta de carga Micro-USB é outro anacronismo. A Europa já obriga USB-C por lei, e praticamente toda caixa lançada desde 2022 usa USB-C. Carregar a Revolve+ II exige manter um cabo Micro-USB extra — ou comprar a base de carregamento proprietária da Bose (vendida separadamente).
O app Bose Connect não oferece equalizador ajustável. O que a Bose decidiu que soa bem é o que você recebe. Concorrentes como JBL, Soundcore e Sony oferecem EQ de múltiplas bandas em seus apps sem custo adicional.
Bateria
As 17 horas prometidas se confirmam em volume moderado — número competitivo que aguenta um dia inteiro de uso. A carga completa leva cerca de 4 horas via Micro-USB, sem suporte a carga rápida.
Veredito
A Bose SoundLink Revolve+ II é uma caixa que soa muito bem, tem construção premium e entrega som 360° verdadeiro. Mas por R$ 2.300, você está pagando pela marca e pela qualidade sonora enquanto aceita tecnologia de 2018. A Soundcore Motion X600 entrega som espacial, LDAC e USB-C por metade do preço. A JBL Charge 6 oferece IP68, 24 horas de bateria, AI Sound Boost e powerbank.
Se você prioriza elegância, som equilibrado em 360° e não se importa com especificações de conectividade, a Revolve+ II continua sendo uma das caixas mais refinadas do mercado. Mas se precisa do melhor custo-benefício em 2026, a concorrência ultrapassou a Bose nesta faixa de preço — e está esperando a marca reagir.