Sem categoria 16 JUL 2026

REL Acoustics: A Arte Galesa de Reproduzir as Frequências Mais Profundas da Música

Poucos nomes no universo do áudio de alta fidelidade carregam tanta autoridade em reprodução de graves quanto REL Acoustics. Fundada em 1990 no País de Gales,…

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Poucos nomes no universo do áudio de alta fidelidade carregam tanta autoridade em reprodução de graves quanto REL Acoustics. Fundada em 1990 no País de Gales, a empresa construiu ao longo de mais de três décadas uma reputação singular: a de fabricar os melhores sistemas de sub-graves do mundo para quem leva música a sério. Enquanto a maioria dos fabricantes de subwoofers mirava o mercado de home theater, Richard Edmund Lord — o homem cujas iniciais batizaram a marca — trilhou um caminho radicalmente diferente.

Richard Edmund Lord: O Homem por Trás das Iniciais

Richard Edmund Lord (1939–2017) iniciou sua carreira profissional como operador de rádio na marinha mercante britânica, mas sua verdadeira paixão sempre foi a música. Audiófilo exigente, Lord passou anos insatisfeito com os subwoofers comercialmente disponíveis no final dos anos 1980. Para ele, os produtos existentes eram grosseiros demais, lentos demais e musicalmente desinteressantes — projetados para efeitos explosivos de cinema, não para a sutileza e a textura das notas mais graves de um contrabaixo, de um órgão de tubos ou de um tímpano orquestral.

Em vez de aceitar o status quo, Lord decidiu construir seu próprio sistema. O primeiro protótipo foi uma criação monumental, integrada ao vão da janela de sua própria casa em Bridgend, no sul do País de Gales. O resultado sonoro foi tão impressionante que rapidamente chamou a atenção de outros entusiastas. Nascia ali a REL Acoustics, Ltd., e com ela uma filosofia que redefiniria uma categoria inteira de produtos.

Sistemas de Sub-Graves, Não Subwoofers

Uma das contribuições mais importantes de Richard Lord ao vocabulário do áudio foi cunhar o termo “sub-bass system” — sistema de sub-graves — para descrever seus produtos. A distinção não era mero capricho semântico. Lord rejeitava a palavra “subwoofer” porque ela carregava conotações de impacto bruto e efeitos cinematográficos. O que ele buscava era algo fundamentalmente diferente: um dispositivo capaz de se integrar de forma transparente a qualquer sistema estéreo de alta qualidade, estendendo a resposta de frequência sem chamar atenção para si mesmo.

O princípio orientador era elegante em sua simplicidade: um sub-bass system deveria ser sentido antes de ser ouvido. Quando ligado, a música ganhava corpo, profundidade e realismo tridimensional. Quando desligado, algo essencial parecia faltar — mas o ouvinte jamais deveria ser capaz de apontar de onde vinham os graves.

A Conexão High-Level: Uma Inovação Revolucionária

A inovação técnica mais significativa de Richard Lord — e possivelmente a mais importante já introduzida no segmento de subwoofers — foi a entrada high-level (alto nível). Enquanto subwoofers convencionais recebem sinal de pré-amplificadores ou saídas dedicadas de processadores, os produtos REL podem ser conectados diretamente aos terminais de saída do amplificador de potência, recebendo exatamente o mesmo sinal que alimenta as caixas acústicas principais.

A conexão é feita por meio de um cabo proprietário com conector Neutrik Speakon, ligado aos terminais positivos dos canais esquerdo e direito do amplificador, mais o terra. A impedância de entrada do REL é extremamente alta — superior a 100.000 ohms —, o que significa que o amplificador não percebe nenhuma carga adicional.

O benefício dessa abordagem é profundo: o sistema de sub-graves captura a assinatura sonora completa da cadeia de amplificação, incluindo o caráter tonal do amplificador, suas características de timing e a interação com as caixas acústicas. O resultado é uma integração que subwoofers conectados por linha (low-level) simplesmente não conseguem replicar com a mesma naturalidade.

Evolução: Do Stadium ao No.32

Ao longo dos anos, a REL desenvolveu uma trajetória de produtos que reflete tanto avanços tecnológicos quanto a maturação de sua filosofia. Os marcos mais importantes incluem:

  • Stadium e Stentor (década de 1990) — Os primeiros modelos comerciais que estabeleceram a reputação da marca entre audiófilos britânicos e europeus.
  • Britannia (início dos anos 2000) — Linha que introduziu design de disparo frontal e ampliou o alcance da marca internacionalmente.
  • Serie R (2005) — Incorporou amplificação Class D moderna, marcando a transição para a nova era da empresa.
  • Serie T (2007) — Democratizou o acesso à qualidade REL com crossovers simplificados e gabinetes inovadores.
  • Gibraltar / Serie G (2010) — O lendário G-1 apresentou design empilhável em line array e resposta de impulso de apenas 4 milissegundos, estabelecendo novos padrões de velocidade.
  • No.25 (2016) — Edição comemorativa dos 25 anos, com woofer de 15 polegadas, amplificador de 1.000 watts e equalização paramétrica dupla.
  • No.31 e No.32 (2022) — O ápice atual da engenharia REL, representando o que há de mais sofisticado em sistemas de sub-graves no mundo.

Tecnologias proprietárias como o PerfectFilter e o limitador LimitLess foram desenvolvidas ao longo desse percurso, sempre com o objetivo de extrair máxima musicalidade com mínima distorção.

A Nova Era: John Hunter e Donald Brody

Em 1995, a empresa mudou-se para instalações maiores em Bridgend, acompanhando o crescimento da demanda. Uma década depois, em 2005, veio a mudança mais significativa na história corporativa da REL: John Hunter e Donald Brody — então proprietários da Sumiko, uma das distribuidoras de áudio mais respeitadas dos Estados Unidos — adquiriram a empresa.

Hunter, que já era o maior distribuidor mundial de produtos REL, não queria ver a marca cair em mãos que não compartilhassem a visão de Richard Lord. Como designer, Hunter trouxe engenharia do Vale do Silício, sourcing global eficiente de componentes e uma ênfase renovada em desempenho, confiabilidade e design industrial. Todo o projeto de novos produtos passou a ser conduzido a partir dos Estados Unidos, enquanto a fabricação foi modernizada.

Em 2019, quando a Fine Sounds (controladora da Sonus faber e Audio Research) adquiriu a Sumiko, Hunter e Brody retiveram a propriedade da REL Acoustics, garantindo a continuidade de sua visão independente.

O Catálogo Atual

Hoje, a REL oferece uma gama estruturada de produtos para diferentes necessidades e orçamentos:

  • Serie T/x — A porta de entrada para o universo REL, com modelos compactos e acessíveis que já demonstram a filosofia da marca.
  • Serie S — Linha intermediária de alto desempenho, projetada para elevar sistemas de médio e alto padrão em salas de tamanho moderado a grande.
  • Reference (No.25, No.31, No.32) — O estado da arte absoluto em reprodução de sub-graves, destinado aos sistemas mais exigentes do mundo.
  • Habitat — Subwoofers sem fio que estendem a filosofia REL a aplicações de estilo de vida contemporâneo.
  • Planar (PL-1, PL-2) — A mais recente adição ao portfólio, com abordagem de design não convencional.

Relevância para o Audiófilo Brasileiro

No Brasil, onde o mercado de áudio hi-fi cresce de forma consistente e os entusiastas são cada vez mais informados, a REL Acoustics ocupa um lugar especial. Para o audiófilo brasileiro que investe em amplificadores valvulados, caixas acústicas de referência e fontes de alta resolução, um sistema de sub-graves REL não é um acessório — é o componente que revela a última oitava de informação musical que estava escondida na gravação.

A conexão high-level, em particular, permite que proprietários de amplificadores integrados, valvulados ou transistorizados obtenham integração perfeita sem precisar de saídas dedicadas de subwoofer. É uma solução elegante que respeita a integridade do sistema principal — exatamente como Richard Edmund Lord imaginou quando construiu aquele primeiro protótipo na janela de sua casa galesa, mais de três décadas atrás.

“Sem graves profundos, falta demais na música.” — Richard Edmund Lord, fundador da REL Acoustics (1939–2017)

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