Música & Cultura 11 AGO 2026

NAD: o amplificador de US$ 135 que vendeu 1,1 milhão de unidades e provou que hi-fi não precisa ser caro para ser bom

Fundada por importadores europeus frustrados com o hype japonês, a NAD criou o amplificador mais vendido da história do hi-fi — e hoje lidera a revolução do streaming audiófilo com a BluOS.

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Em 1972, um grupo de sete importadores europeus de hi-fi se reuniu com um problema em comum: estavam cansados de vender equipamentos japoneses com especificações infladas e som medíocre. A solução foi contratar um engenheiro americano, dar a ele carta branca e criar uma marca do zero. O resultado foi a NAD — New Acoustic Dimension — e o amplificador que mudaria para sempre o que significa “custo-benefício” em áudio.

Martin Borish e a filosofia do essencial

Dr. Martin L. Borish (1927–2017), engenheiro elétrico americano com PhD em física, foi contratado para mediar as discussões entre os importadores e liderar o desenvolvimento dos primeiros produtos. Borish estabeleceu quatro princípios que a NAD segue até hoje: inovação, performance, valor e simplicidade.

A filosofia era radical para a época: enquanto marcas japonesas empilhavam botões, knobs e VU meters para justificar preços altos, a NAD eliminava tudo que não contribuísse diretamente para a qualidade sonora. Sem VU meters decorativos, sem controles de tone supérfluos, sem chassis brilhantes. Apenas o essencial — o que soasse melhor.

O NAD 3020: o amplificador que mudou tudo

Em 1978, a NAD lançou o 3020, um amplificador integrado projetado pelo engenheiro norueguês Bjørn Erik Edvardsen — contratado em 1976 como primeiro engenheiro e segundo funcionário em tempo integral da empresa. O 3020 custava menos de 80 libras (cerca de US$ 135 na época) e foi apresentado em Londres com zero fanfarra.

Os números no papel eram modestos: 20 watts por canal em 8 ohms. Mas o segredo estava na potência dinâmica — 40W em 8 ohms, 58W em 4 ohms e impressionantes 72W em 2 ohms. O circuito Soft Clipping limitava a distorção suavemente em volume alto, e o PowerDrive detectava impulsos de graves e comutava silenciosamente para corrente mais alta.

O resultado era um amplificador de 20 watts que soava como se tivesse 50 — e que fazia caixas difíceis de alimentar cantarem. A Stereophile chamou de “ridiculamente barato”. A The Absolute Sound o classificou entre os 10 amplificadores mais significativos de todos os tempos.

O 3020 vendeu 500 mil unidades em três anos e 1,1 milhão ao longo da vida — tornando-se o amplificador hi-fi mais vendido da história. Nenhum outro chegou perto.

Bjørn Erik Edvardsen: o gênio silencioso

Edvardsen era norueguês, metódico e obsessivo com medição. Como Diretor de Pesquisa Avançada da NAD, ele não apenas projetou o 3020 — ele definiu a linguagem técnica da marca por décadas. Nos anos 90, liderou a criação de uma base de design e manufatura na China, muito antes de isso ser comum no hi-fi.

Edvardsen faleceu em 16 de dezembro de 2018, após uma batalha contra mieloma, com mais de cinco décadas dedicadas à NAD. Seu legado — a filosofia de “potência honesta” e especificações reais — continua definindo a marca.

Da crise à Lenbrook

Em 1991, a NAD foi adquirida pela dinamarquesa AudioNord. Em 1999, a empresa encontrou seu lar definitivo: o Lenbrook Group, uma empresa familiar canadense de Pickering, Ontário. A Lenbrook trouxe estabilidade financeira e visão estratégica — e detém a NAD até hoje, ao lado da PSB Speakers e da Bluesound.

BluOS e Bluesound: o streaming audiófilo

Em 2012, a Lenbrook lançou a BluOS, plataforma proprietária de streaming de alta resolução e multiroom. Em 2013, criou a Bluesound como marca de hardware para o ecossistema BluOS — streamers standalone, caixas ativas e amplificadores wireless.

A BluOS foi integrada aos produtos NAD, criando um ecossistema coeso: um receiver NAD com BluOS conversa nativamente com caixas Bluesound pela casa toda, tudo controlado por um único app. É a resposta audiófila ao Sonos — com suporte a áudio em alta resolução lossless até 24 bits/192 kHz, algo que a Sonos só passou a oferecer muito depois.

A linha Masters: o topo

A linha Masters é onde a NAD mostra o que sabe fazer quando o preço não é a prioridade. O M33 V2 (US$ 5.999) é um streaming DAC amplificador com DAC ESS SABRE ES9039PRO, módulos Purifi Eigentakt classe D de segunda geração e 200W por canal. O M23 V2 (US$ 3.999) é um power amplifier de 200W que chega a 700W em ponte.

A tecnologia HybridDigital da NAD combina a eficiência da amplificação classe D com a musicalidade de circuitos analógicos — potência alta, distorção baixa e dinâmica excepcional.

O legado

A NAD provou, há quase 50 anos, que especificações honestas e design focado no som valem mais que chassis bonitos e números inflados. O 3020 democratizou o hi-fi para uma geração inteira. A BluOS está fazendo o mesmo com o streaming audiófilo.

Num mercado onde marcas vendem hype e lifestyle, a NAD continua vendendo som. E o som, quando é honesto, fala por si.

⌬ FIM · 4 min de leitura

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