Sessenta watts por canal, DAC AK4490EQ com suporte a DSD 5,6MHz e phono stage embutido — tudo isso por menos de R$ 5.500. O Marantz PM7000N foi o primeiro componente estéreo da empresa a integrar o ecossistema HEOS, e ainda hoje representa uma das melhores entradas no universo hi-fi com streaming sem precisar de um orçamento de importado premium.
A base analógica é sólida
A topologia de realimentação de corrente em Classe A/B, com os módulos HDAM SA3 da Marantz, entrega 60W a 8Ω e 80W a 4Ω. Não é potência para mover alto-falantes de grande sensibilidade em salas enormes — mas para sistemas 2.0 com caixas de tamanho médio em ambientes residenciais típicos, é mais do que suficiente. A distorção é baixa, o ruído de fundo é inaudível e o som tem a identidade Marantz: musical sem ser romantizado, detalhado sem ser analítico.
O phono stage integrado para cartuchos MM é um bônus genuíno. Ele não vai competir com fono-estágios dedicados de R$ 2.000, mas soa limpo o suficiente para valorizar uma boa toca-discos de entrada e manter o sistema enxuto.
DAC e streaming: o coração digital
O DAC Asahi Kasei AK4490EQ processa PCM até 24-bit/192kHz e DSD até 5,6MHz pelas entradas USB-A e de rede. Para streaming, o HEOS suporta Apple Music, TIDAL, Spotify e rádio online. O AirPlay 2 complementa sem falhas para usuários do ecossistema Apple. O Bluetooth 4.2 com SBC é a parte mais fraca — a maioria dos usuários vai preferir as conexões com fio ou streaming via rede de qualquer forma.
“O PM7000N tem um dos DACs mais musicais que já ouvi nessa faixa de preço — o AK4490 bem implementado faz diferença, e a Marantz claramente sabe como usar o chip.”
Marcelo · comparativo com Cambridge CXA81 e Yamaha A-S801
O que falta — e o que não falta
A interface do HEOS, como em todos os produtos da família, deixa a desejar: lenta, com bugs ocasionais e pouco intuitiva. Sem entrada USB-B não há conexão direta com computador — limitação real para quem usa o amplificador num setup de escritório. Os 60W por canal começam a sofrer quando as caixas exigem corrente alta em baixa impedância.
O PM7000N também não tem saída dedicada para fones de ouvido — detalhe que vai frustrar quem quer um sistema misto amp e headphone. Para esse perfil, o Model 40n (com saída de fones integrada) seria o upgrade natural dentro da mesma família Marantz.
Veredicto
Lançado em 2019, o PM7000N segue relevante porque a Marantz acertou o básico: o amplificador soa bem, o DAC é generoso para a faixa de preço e a plataforma HEOS, apesar das limitações, funciona. Se você está entrando no hi-fi moderno com streaming e não quer gastar mais de R$ 6.000, é um dos melhores pontos de partida disponíveis no mercado brasileiro.