Música & Cultura 05 AGO 2026

KEF: de uma fundição em Kent ao topo do hi-fi mundial — a saga de Raymond Cooke e do driver Uni-Q

Fundada em 1961 por um ex-engenheiro da BBC num galpão industrial de Maidstone, a KEF revolucionou a reprodução sonora com o driver coaxial Uni-Q e se tornou referência planetária em alta fidelidade.

MÚSICA & CULTURA

Poucos nomes no universo do áudio carregam tanta história quanto KEF. Três letras que nasceram das cinzas de uma fundição na pacata Maidstone, no condado de Kent, e que ao longo de mais de seis décadas se transformaram em sinônimo de inovação acústica, rigor científico e design arrojado. Para entender a KEF é preciso conhecer o homem que a criou — e a obsessão que o moveu.

Raymond Cooke: do rádio naval à engenharia sonora

Raymond Cooke nasceu em 1925 numa família operária de Yorkshire, na Inglaterra. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu como operador de rádio da Marinha Real a bordo de um porta-aviões — experiência que lhe deu os primeiros fundamentos de acústica e eletrônica. Após o conflito, ingressou na BBC como engenheiro de áudio e, mais tarde, assumiu o cargo de diretor técnico da Wharfedale. Mas Cooke queria mais: queria construir caixas acústicas que reproduzissem música com a fidelidade de uma performance ao vivo.

Em 2 de outubro de 1961, ele adquiriu o terreno de uma antiga fundição — a Kent Engineering & Foundry — e, trabalhando em galpões Nissen, fundou a empresa que batizou com as iniciais: KEF.

Os primeiros anos: ciência a serviço do som

O primeiro produto, a K1, era um monitor de três vias compacto. Em 1967, a KEF lançou os drivers B110 e T27, que a BBC escolheu para o lendário monitor LS3/5A — talvez a caixa compacta mais influente já fabricada. Em 1973, a KEF se tornou a primeira fabricante de caixas acústicas do mundo a utilizar computadores no projeto e medição de seus produtos. O prestígio cresceu: ao longo dos anos 1970, a KEF recebeu dois Queen’s Awards for Export Achievement, e Cooke foi condecorado com a Ordem do Império Britânico (OBE) em 1979.

“Qualidade, Honestidade, Dedicação e Inovação.”

Os valores fundamentais estabelecidos por Raymond Cooke para a KEF

Uni-Q: a revolução coaxial

O ano de 1988 marcou o capítulo mais importante da história técnica da KEF. A empresa projetou e patenteou o Uni-Q, um driver de fonte coincidente que posiciona um tweeter de 25 mm no centro exato da garganta de um cone de 200 mm, utilizando o revolucionário ímã de neodímio-ferro-boro. A vantagem do Uni-Q é elegante: ao fazer com que as frequências médias e altas irradiem do mesmo ponto, o driver dispersa o som de maneira uniforme por todo o ambiente. Hoje, o Uni-Q está em sua 12ª geração, acumulando mais de 150 patentes e incorporando avanços como o Tangerine Waveguide e a Metamaterial Absorption Technology (MAT).

Transição e legado

Em 1992, o grupo Gold Peak, de Hong Kong, adquiriu 50% da KEF, completando a aquisição por meio da GP Acoustics. Raymond Cooke faleceu em 1995, mas o legado estava inabalável. Em 1984, havia sido eleito presidente da Audio Engineering Society.

Século XXI: Muon, Blade e a democratização do hi-fi

Em 2007, a parceria com o designer Ross Lovegrove criou o Muon: uma escultura sonora de dois metros, fabricada em alumínio superformado, vendida por US$ 198 mil o par. Em 2011, a KEF lançou o Blade — a primeira caixa com tecnologia Single Apparent Source. Um ano depois, veio a LS50, monitor compacto que homenageia o LS3/5A usando tecnologia derivada do Blade.

Hoje, a KEF oferece desde a LS50 Meta e a LS50 Wireless II até a LS60 Wireless, o subwoofer KC62 com tecnologia Uni-Core, e no topo, o Blade e a série The Reference. De um galpão numa fundição de Kent a salas de audição em todo o planeta, a KEF prova que a busca por fidelidade sonora absoluta é uma jornada sem linha de chegada.

⌬ FIM · 3 min de leitura

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Seja respeitoso
00:00 / 03:07