Reviews 02 JUL 2026

JBL Boombox 4: o trator de graves ficou mais leve, mais esperto — e continua caro

Com IA segurando a distorção, bateria substituível de até 34 horas e 1 kg a menos que a antecessora, a Boombox 4 é a melhor caixa de festa da JBL. Só o preço brasileiro ainda toca fora do tom.

REVIEWS

A Boombox sempre foi a JBL no modo sem sutileza: grande, escandalosa e com grave de fazer o vizinho aparecer na janela. A Boombox 4, lançada em agosto de 2025 e à venda no Brasil desde o fim daquele mês, mantém a vocação — mas, pela primeira vez, a evolução mais interessante não está no volume. Ela ficou cerca de 1 kg mais leve que a Boombox 3, ganhou bateria substituível e um processamento com IA que segura a distorção quando você gira o botão além da conta. Depois de cruzar a ficha técnica oficial com os testes de Canaltech, TechTudo, SoundGuys e TechRadar, o quadro é claro: é a melhor Boombox já feita. E também a mais difícil de justificar pelo preço que a JBL pede por aqui.

Som: um trator de graves com teto conhecido

A arquitetura mudou de verdade nesta geração: são dois woofers de 5 polegadas, dois tweeters de 20 mm e três radiadores passivos, com resposta de frequência que desce até 37 Hz e potência de 210 W RMS na tomada (180 W na bateria) — um salto considerável sobre os 136 W que a Boombox 3 entregava longe do carregador. O resultado é o que se espera de uma Boombox, só que melhor executado: grave profundo e físico, sem aquele inchaço borrado que costuma vir de brinde em caixa de festa. Os médios têm corpo e textura, e os agudos são claros sem espetar o ouvido.

O teto existe, e os testes internacionais foram honestos em apontá-lo: acima de uns 70% do volume, a compressão entra em cena, os médios começam a afundar na mixagem e os agudos endurecem. Para o quintal, a laje ou a beira da piscina, isso raramente será problema — 70% desta caixa já é muito mais pressão sonora do que a maioria das rivais entrega no talo.

AI Sound Boost: marketing ou recurso real?

O grande argumento de venda da geração é o AI Sound Boost, que analisa em tempo real o comportamento dos drivers para extrair mais volume com menos distorção. Na prática, segundo o Canaltech, o sistema funciona: o som se mantém limpo e encorpado mesmo em volumes altos, com a equalização se ajustando sozinha. Só não espere milagre — a física continua valendo no último quarto do botão de volume.

Bateria: 34 horas no papel, vinte e poucas na vida real

A JBL promete 28 horas de reprodução, mais 6 de Playtime Boost — as 34 horas do marketing. Na prática, depende do uso: o SoundGuys mediu impressionantes 34h56 tocando a 80 dB com Deep Bass ativado; outros testes ficaram na casa das 22 horas, e no volume alto com reforço de grave a conta cai para 5 a 10 horas. Ainda assim, é fôlego de sobra para qualquer churrasco que se preze.

A melhor notícia é estrutural: a bateria de 99 Wh agora é removível — a mesma da PartyBox 520 —, o que permite ter uma reserva carregada para eventos longos e alonga a vida útil do produto. A caixa também segue funcionando como powerbank via USB-C, e a certificação subiu para IP68, com proteção total contra poeira e submersão.

Bluetooth 5.4, Auracast e uma despedida que dói

A conectividade é o retrato do momento da JBL: Bluetooth 5.4, áudio lossless via USB-C para quem assina serviço de streaming em alta resolução, e Auracast para espalhar o som por várias caixas compatíveis. O porém é real: o Auracast substituiu o PartyBoost, então a Boombox 4 não conversa com a Boombox 3 nem com as JBL antigas que você já tem em casa. Também não há entrada auxiliar de 3,5 mm — a JBL decidiu que cabo, só o USB-C. No app JBL Portable, o equalizador de 7 bandas dá liberdade de sobra, e um botão físico alterna os dois modos de grave, Deep e Punchy.

Contra a Boombox 3 e as rivais

Quem tem a Boombox 3 não precisa trocar: o desenho é praticamente o mesmo e as novidades, embora boas, são incrementais. Quem está chegando agora, porém, leva uma caixa mais leve (5,9 kg), mais potente e mais fácil de conviver. Contra a concorrência, o cenário é o clássico da categoria: a Sony ULT Field 7 soa mais equilibrada e aberta, mas não chega perto do volume máximo da JBL; a Soundcore Boom 2 Plus é a alternativa racional para quem quer 80% da festa por bem menos dinheiro. Se o critério é pressão sonora utilizável numa caixa que ainda dá para carregar com uma mão, a Boombox 4 segue sendo a referência.

A Boombox 4 é aquele raro upgrade que melhora exatamente o que incomodava — peso, bateria, distorção — sem mexer no que já funcionava.

Vale a pena?

Aqui mora o único defeito realmente sério. A Boombox 4 estreou no Brasil por R$ 3.199, e em meados de 2026 o preço de rua gira entre R$ 2.700 e R$ 2.800, com mínimas históricas na casa dos R$ 2.500. É muito dinheiro por uma caixa Bluetooth. Nossa recomendação é direta: se a sua rotina envolve festa, área externa e volume de verdade, ela vale cada centavo numa promoção perto dos R$ 2.500. No preço cheio, a Boombox 3 em liquidação ou a Soundcore fazem a festa quase igual — só que sem o troco doendo tanto.

  • Compre se: você quer a caixa portátil mais potente da categoria, com grave de verdade, IP68 e bateria que atravessa o fim de semana.
  • Pense duas vezes se: já tem uma Boombox 3, depende de entrada auxiliar ou não pretende esperar o preço ceder.
VEREDITO TÉCNICO · GA REVIEW
8,0
/ 10.0
RECOMENDADO
RESPOSTA TONAL
Graves
92
Médios
75
Agudos
72
Soundstage
70
Detalhe
70
Conforto
80
FICHA TÉCNICA
POTêNCIA210 W RMS (tomada) / 180 W RMS (bateria)
DRIVERS2 woofers de 5" + 2 tweeters de 20 mm + 3 radiadores passivos
RESPOSTA DE FREQUêNCIA37 Hz – 20 kHz
BATERIAAté 34 h (28 h + 6 h Playtime Boost), 99 Wh, substituível
BLUETOOTH5.4 com Auracast
ÁUDIO COM FIOUSB-C lossless (sem entrada aux 3,5 mm)
CERTIFICAçãOIP68
PESO5,9 kg
PREçO DE LANçAMENTOR$ 3.199 (agosto/2025)
✓ A FAVOR
  • Graves profundos e volume enorme sem inchaço, com AI Sound Boost segurando a distorção
  • Bateria real acima de 30 h em volume moderado — e agora substituível
  • 1 kg mais leve que a Boombox 3, IP68 e função powerbank
  • Lossless via USB-C e equalizador de 7 bandas no app
× CONTRA
  • Preço salgado no Brasil, mesmo após as quedas de 2026
  • Compressão e médios abafados acima de ~70% do volume
  • Auracast não conversa com JBL antigas de PartyBoost; sem entrada aux 3,5 mm
  • Poucas novidades para quem já tem a Boombox 3
⌬ FIM · 5 min de leitura

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