A série ZEN da iFi Audio se tornou sinônimo de entrada inteligente no mundo do hi-fi desktop. Desde a primeira geração, a proposta é clara: oferecer componentes compactos, bem construídos e com recursos que normalmente só aparecem em equipamentos muito mais caros. Com o ZEN DAC 3, a marca britânica refina a fórmula pela terceira vez, trazendo um novo chip DAC, processador XMOS atualizado e melhorias sutis que fazem diferença na prática — mesmo que o formato e a filosofia permaneçam fiéis ao original.
O que mudou em relação ao V2
A principal evolução está no coração digital. O ZEN DAC 3 adota um DAC Burr-Brown de 4 canais — dois por canal, em configuração diferencial — substituindo a implementação anterior. O processador XMOS agora é de 16 núcleos, garantindo processamento USB mais robusto e suporte nativo a PCM até 768kHz e DSD512. Na prática, isso significa compatibilidade total com praticamente qualquer formato de alta resolução disponível hoje, incluindo os catálogos mais exigentes do Qobuz e arquivos DSD nativos.
O design externo também recebeu ajustes. O acabamento agora traz detalhes em material que simula couro nos laterais, uma escolha estética que divide opiniões. Pessoalmente, acho desnecessário — o alumínio limpo das versões anteriores era mais elegante. Mas é uma questão cosmética que não afeta a funcionalidade.
Conectividade e versatilidade
A entrada é exclusivamente USB-C, o que simplifica a conexão mas limita quem quer usar fontes digitais diferentes. As saídas são generosas para o segmento: headphone balanceado 4.4mm Pentaconn com 390mW em 64Ω, headphone single-ended 6.3mm com 210mW em 32Ω, e saídas de linha RCA e 4.4mm balanceada para conexão com amplificadores externos ou caixas ativas.
O botão XBass+ continua presente, adicionando um reforço de graves que opera na região mais baixa do espectro sem afetar os médios. É um recurso útil com headphones mais magros, mas que deve ser usado com parcimônia — em excesso, pode mascarar deficiências de resposta do headphone em vez de corrigi-las genuinamente. Para audição crítica, recomendo mantê-lo desligado.
Sonoridade
O ZEN DAC 3 mantém a assinatura sonora que consagrou a série: levemente quente, musical, com uma suavidade nos agudos que evita fadiga em sessões longas. É uma apresentação que privilegia o prazer de ouvir sobre a análise forense do sinal. Os médios são bem apresentados, com boa presença vocal e textura adequada para o segmento de preço. Os graves têm corpo satisfatório, embora sem a última palavra em controle e definição que DACs dedicados de faixa superior oferecem.
Comparado ao Topping DX5, que compete na mesma faixa de preço, o ZEN DAC 3 soa mais orgânico e tolerante com gravações medianas, enquanto o Topping é mais analítico e revelador. É uma questão de preferência: o iFi convida a ouvir por horas; o Topping convida a analisar cada detalhe. Para a maioria dos ouvintes que estão montando seu primeiro setup sério, a abordagem do iFi é mais acolhedora.
Limitações como amplificador
Aqui está o ponto que precisa ser dito com honestidade: o ZEN DAC 3 é um combo DAC/amp, e a seção de amplificação, embora competente para headphones de impedância baixa a moderada, encontra seus limites com planares magnéticos exigentes como o HiFiMAN Ananda ou o Audeze LCD-X. Em volume alto, a dinâmica comprime sutilmente e o controle de graves perde firmeza. Para headphones como o Sennheiser HD600 ou o Beyerdynamic DT 900 Pro X, a potência é mais que suficiente. Mas se você planeja usar planares como referência, considere adicionar um amplificador dedicado — usando o ZEN DAC 3 puramente como DAC via suas saídas de linha.
Alimentação
O ZEN DAC 3 pode operar alimentado exclusivamente pela porta USB ou com uma fonte de alimentação externa opcional da iFi (iPower, vendida separadamente). Com a fonte dedicada, há uma melhora perceptível no black background e na firmeza dos graves — recomendo o investimento adicional para quem quer extrair o máximo do aparelho.
Veredicto
O iFi ZEN DAC 3 é uma evolução madura de uma fórmula já consagrada. Como solução desktop completa por R$ 1.799, ele entrega DAC de alta resolução, saída balanceada 4.4mm, conectividade simplificada via USB-C e uma sonoridade musical que agrada na primeira audição. Não é perfeito — a potência do amplificador tem seus limites e o design atualizado nem sempre acerta — mas como ponto de partida para um sistema de mesa sério, ou como DAC dedicado em uma cadeia mais elaborada, ele continua sendo uma das recomendações mais seguras do mercado.