Fone sem fio costuma ter prazo de validade: quando a bateria cansa, o descarte é quase inevitável, porque as células ficam coladas dentro de cápsulas que não abrem. A Fairphone, fabricante holandesa conhecida por celulares modulares, lançou em 14 de outubro de 2026 os Fairbuds 2, fones TWS com sete partes substituíveis pelo próprio usuário, baterias trocáveis sem ferramenta e, novidade em relação à primeira geração, suporte ao codec LDAC.
O que muda em relação aos Fairbuds originais
Os primeiros Fairbuds, de 2024, ficavam presos aos codecs SBC e AAC. A segunda geração adiciona o LDAC, da Sony, e o LC3, codec do Bluetooth LE Audio, segundo a página oficial do produto. A Fairphone observa que o desempenho aprimorado com LDAC vale, por enquanto, apenas para aparelhos Android, o que é a regra do mercado: iPhones não transmitem LDAC.
O conjunto também encolheu: segundo a What Hi-Fi?, os fones são 37% menores e o estojo 32% menor que os da geração anterior, com encaixe redesenhado para mais tipos de orelha.
Ficha técnica declarada
- Driver: dinâmico de 11 mm com diafragma de biocelulose, afinação do estúdio Form Follows Frequency, de Roterdã.
- Dados do driver: resposta de 20 Hz a 20 kHz, impedância de 32 ohms e sensibilidade de 99 ± 2 dB a 1 kHz (a página não detalha a referência elétrica, por isso o número não serve para comparação com outros fones).
- Codecs: SBC, AAC, LC3 e LDAC.
- Cancelamento de ruído: ANC híbrido com três microfones por lado (seis no total), redução de até 45 dB segundo o fabricante, além de modo ambiente.
- Bateria: até 8 horas nos fones com ANC desligado, até 6 horas com ANC ligado e até 40 horas no total com o estojo (a página informa que a autonomia indicada é com ANC desligado). Dez minutos de carga rendem 2 horas.
- Capacidade: 45 mAh em cada fone e 500 mAh no estojo, com baterias substituíveis nos dois.
- Conectividade: Bluetooth 6.0 com multipoint em dois aparelhos, Google Fast Pair e memória de até seis dispositivos.
- Resistência: IP54 contra poeira e respingos.
- Garantia: até três anos, conforme termos do fabricante.
Reparo como argumento principal
É aqui que o produto se diferencia de verdade. A Fairphone diz que a troca de bateria nos fones e no estojo é feita sem ferramentas e sem cola, e publica os preços das peças: o kit de bateria dos fones custa € 9,95 e a bateria do estojo, € 12,95. A empresa também cita certificação LONGTIME e nota 10 de 10 na escala de reparabilidade do iFixit. Trocar uma peça desgastada por conta própria, segundo o FAQ, não afeta a garantia.
Do lado ambiental, a fabricante declara exterior livre de PFAS, ímãs com terras raras 100% recicladas, 73% de plásticos reciclados e compensação de lixo eletrônico equivalente ao peso de cada unidade vendida.
Preço e disponibilidade
Na Europa, os Fairbuds 2 custam € 119, abaixo dos € 149 de lançamento da geração anterior. No Reino Unido saem por £ 99; nos Estados Unidos, por US$ 119, com chegada prevista para 2 de novembro. As cores são Forest Green e Horizon Black. A Fairphone não vende oficialmente no Brasil, então por aqui o caminho é importação, com a ressalva de que garantia e peças de reposição ficam mais complicadas fora da Europa e dos EUA.
Para quem faz sentido
Os números de som declarados são parecidos com os de outros TWS da faixa, e não há teste próprio da redação para dizer como os Fairbuds 2 soam em relação aos concorrentes. O argumento forte é durabilidade: para quem já perdeu um fone por bateria viciada, a promessa de trocar a célula por menos de € 10 pesa. Se você quer opções vendidas oficialmente no Brasil, veja nossa lista de melhores fones TWS até R$ 500.
Um lembrete: ANC ajuda a ouvir em volume menor em ambiente barulhento, mas não garante escuta segura. O que define o risco é a combinação de nível sonoro e tempo de exposição.