Tutoriais 01 NOV 2026

Elgato Wave:3 MK.2 vale a pena? Análise da ficha técnica do microfone USB com processador Wave FX

O sucessor do Wave:3 traz cápsula afinada com a LEWITT, efeitos DSP dentro do microfone e Clipguard 2.0. Veja o que muda no papel e para quem a troca faz sentido.

Microfone USB Elgato Wave:3 MK.2 preto na base de mesa, com seletor multifuncional e anel de LED
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O Wave:3 original foi, desde 2020, um dos microfones USB mais comuns em setups de stream, muito por causa do Clipguard e do mixer de software Wave Link. Em março de 2026 a Elgato lançou o sucessor, o Wave:3 MK.2. A cápsula foi afinada em parceria com a austríaca LEWITT e há um processador próprio, o Wave FX, que roda efeitos dentro do microfone. A pergunta é se essa mudança justifica a troca ou a compra, já que o modelo antigo continua à venda e pode sair mais barato.

O que mudou do Wave:3 para o MK.2

O MK.2 chegou com a família Wave Next, anunciada pela Elgato (marca da Corsair) no início de março de 2026, junto com o Wave Link 3.0, que passou a ser gratuito. O preço sugerido nos EUA foi de US$ 169,99. Pela tabela comparativa publicada pela própria Elgato, estas são as diferenças:

  • Cápsula: condensadora de 16 mm no MK.2, contra 17 mm no original.
  • Faixa dinâmica: 110 dB, contra 95 dB.
  • SPL máximo: 130 dB SPL (típico, 1 kHz), contra 120 dB.
  • Taxa de amostragem: 24 bits a 48 kHz. O original oferecia 48 ou 96 kHz.
  • Clipguard 2.0, efeitos DSP embarcados, inserções VST, assistente de ganho automático e anel de LED no seletor são novidades. O original tem Clipguard 1.0 e nenhum desses recursos.
  • Filtro antipop interno nos dois. No MK.2, o shock mount é vendido à parte.

Ficha técnica do Wave:3 MK.2

  • Cápsula condensadora de 16 mm, afinada com a LEWITT.
  • Padrão polar cardioide, segundo as páginas da Elgato. Uma página de suporte da marca citada em buscas lista “supercardioide”, e a divergência ainda não foi esclarecida.
  • Resposta de frequência de 70 Hz a 20 kHz.
  • Sensibilidade de –20 dBFS (típica, 1 kHz). Por ser um valor digital, em dBFS, não dá para comparar com sensibilidades em mV/Pa de microfones XLR.
  • SPL máximo de 130 dB SPL e faixa dinâmica de 110 dB.
  • Conexão USB-C, saída de fone P2 com monitoração sem latência, mute por toque (capacitivo) e seletor multifunção (ganho, Voice Tune, volume do fone e mix de monitoração).
  • Compatível com Windows e macOS. Integra-se ao Stream Deck.

Wave FX: o que roda dentro do microfone

O ponto central do MK.2 é o processador Wave FX. Segundo a Elgato, ele executa cinco efeitos no próprio hardware, todos ao mesmo tempo: filtro passa-alta (low-cut), expansor, Voice Tune, compressor e equalizador de 4 bandas. A marca descreve o Voice Tune como uma compressão com harmônicos “de estilo analógico” que se adapta à voz. Como tudo acontece no microfone, o som processado chega pronto a qualquer programa (OBS, Discord, Zoom) e à monitoração no fone.

As inserções VST seguem outro caminho. O áudio vai até o Wave Link no computador, passa pelos plugins e volta para a cadeia do microfone. A própria Elgato avisa que isso pode acrescentar latência, dependendo do sistema. O Clipguard 2.0 protege contra distorção quando você grita ou ri alto, e a marca diz que ele não adiciona latência. Já o assistente de ganho automático é ativado segurando o seletor por 5 segundos enquanto você fala em volume normal.

Condensador USB capta o quarto todo?

Nem sempre, e a ficha não decide isso sozinha. O quanto o microfone capta de ruído e reverberação depende principalmente da distância até a boca, do padrão polar, da orientação e da relação entre o nível da voz e o do ambiente. Um cardioide rejeita mais o que vem de trás (180°). Se ele estiver de frente para a boca a 10 ou 15 cm, com teclado e ventoinha atrás, a voz domina. Se estiver a 50 cm, o quarto entra na gravação, seja ele condensador ou dinâmico.

O expansor e o low-cut do MK.2 ajudam a reduzir ruídos baixos e graves, mas não fazem milagre num cômodo com muito eco. O nosso guia de posicionamento de microfone explica distância, efeito de proximidade e ganho em detalhe.

Pontos de atenção

  • Só USB, sem saída XLR. Se a ideia é migrar para interface ou mesa no futuro, um microfone híbrido USB/XLR faz mais sentido.
  • Para gravar em 96 kHz, o MK.2 não serve (fica em 48 kHz). Para voz e stream, 48 kHz é o padrão usado em vídeo.
  • Os recursos mais interessantes dependem do Wave Link 3.0. Vale conferir a compatibilidade com o seu sistema.
  • No Brasil, encontrei o anúncio na Amazon, mas não confirmei o preço do dia. Compare com o valor do Wave:3 original antes de decidir, porque a diferença entre os dois muda bastante o custo-benefício.

Vale a pena?

Minha opinião, com base na ficha técnica: o Wave:3 MK.2 vale a pena para streamers e criadores que querem a voz pronta sem montar uma cadeia de plugins. Ter compressor, EQ e Clipguard dentro do microfone resolve isso, inclusive em apps que não aceitam VST. Para quem já tem o Wave:3 original e trata a voz no OBS ou numa DAW, a troca pesa menos. Os ganhos declarados em faixa dinâmica e SPL máximo existem no papel, mas o processamento é o que mais muda o uso. Se o orçamento é o limite, o original continua uma opção coerente. Também vale comparar com o Elgato Wave Neo e com a nossa lista de microfones USB.

Onde comprar

Fontes

⌬ FIM · 5 min de leitura
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