Música & Cultura 28 JUL 2026

Devialet: como três franceses, 250 patentes e um investimento de Jay-Z criaram a marca de áudio mais premiada do mundo

Um engenheiro que inventou a amplificação híbrida, um empreendedor com visão e um designer com obsessão. A Devialet saiu de Paris para revolucionar o áudio com o Phantom — e convenceu Jay-Z, Bernard Arnault e a Foxconn a apostar junto.

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Em 2004, o engenheiro francês Pierre-Emmanuel Calmel teve uma ideia que a indústria de áudio considerava impossível: combinar a calidez da amplificação analógica Class A com a eficiência e potência da amplificação digital Class D num único circuito. Ele chamou de ADH — Analog Digital Hybrid. A tecnologia funcionava, mas Calmel precisava de mais do que engenharia para transformá-la num produto. Precisava de uma empresa.

O triângulo perfeito

Em 2007, Calmel se uniu a Quentin Sannie — empreendedor formado pela Dauphine com mestrado em telecomunicações e estratégia industrial — e a Emmanuel Nardin, designer com uma visão estética radical. Os três fundaram a Devialet em Paris com uma missão ambiciosa: “permitir que o maior número de pessoas ouça o som perfeito, através de objetos sonoros do cotidiano”.

O trio representava o que a imprensa francesa chamaria de “triângulo perfeito”: engenheiro, empreendedor, designer. Cada vértice compensava os outros. Calmel criava a tecnologia, Nardin dava forma à tecnologia, e Sannie transformava forma e tecnologia em negócio.

D-Premier e os primeiros sinais

O primeiro produto, lançado em 2010, foi o amplificador D-Premier — mais tarde rebatizado como Expert. Com mais de 100 patentes só nesse modelo, o Expert não era apenas um amplificador: era uma declaração de intenções. A imprensa especializada ficou atônita com a qualidade sonora num formato tão compacto. Prêmios começaram a se acumular — e não pararam mais. A Devialet hoje soma mais de 90 prêmios da indústria.

Phantom: o produto que mudou tudo

Em 2015, a Devialet lançou o Phantom — e o mundo do áudio nunca mais foi o mesmo. O formato esférico branco não se parecia com nenhum speaker existente. Nas laterais, dois woofers empurram um contra o outro em arquitetura hermética — a tecnologia HBI (Heart Bass Implosion) — alcançando frequências infra-graves de 14 Hz num aparelho do tamanho de uma bola de rúgbi.

O Phantom combinava ADH, HBI e SAM (Speaker Active Matching) — software de processamento em tempo real que adapta o sinal ao comportamento do driver quadro a quadro. O resultado era um som que desafiava a física do tamanho. Críticos e consumidores concordaram: nada soava assim naquele formato.

Investidores de peso — e de nome

O sucesso do Phantom atraiu investidores de calibre improvável para uma empresa de áudio. Em 2016, a Devialet levantou mais de 100 milhões de euros num round que incluiu Foxconn, Renault, e — destaque — Jay-Z através da Roc Nation. O rapper bilionário viu na Devialet o casamento entre tecnologia de ponta e cultura sonora.

Antes dele, os primeiros investidores já eram de elite: Bernard Arnault, o homem mais rico do mundo e dono da LVMH; Xavier Niel, fundador da Free/Iliad; e Marc Simoncini, criador do Meetic. Ao todo, a Devialet já levantou mais de US$ 150 milhões em financiamento.

Parcerias e expansão

Com capital, a Devialet diversificou. A parceria com a Sky gerou a Sky Soundbox. A colaboração com a Renault levou a tecnologia ADH para o conceito Symbioz, marcando a entrada da Devialet no áudio automotivo. A Huawei licenciou a tecnologia para os speakers Sound X e Sound Joy. E a Ópera Nacional de Paris recebeu uma edição limitada do Phantom com folha de ouro de 22 quilates aplicada pelos mesmos artesãos que restauraram o teto do Palais Garnier.

Em 2022, a marca lançou dois produtos que expandiram o portfólio: a Dione, uma soundbar all-in-one com Dolby Atmos 5.1.2 e 17 drivers; e a Mania, a primeira caixa portátil da Devialet, com som 360°, IPX4 e 10 horas de bateria.

A Devialet hoje

Em 2025, a Devialet lançou a coleção Phantom Ultimate — a evolução do speaker que definiu a marca, agora em versões de 98 dB e 108 dB. A empresa mantém mais de 250 patentes em acústica, eletrônica e manufatura, e continua operando a partir de Paris com a mesma missão de 2007.

A Devialet não é uma marca de volume — é uma marca de convicção. Cada produto carrega a assinatura de um engenheiro que acreditou na fusão do analógico com o digital, um designer que se recusou a fazer caixas retangulares, e um empreendedor que convenceu Jay-Z e Bernard Arnault a apostarem juntos no som perfeito. Poucas marcas de áudio podem dizer o mesmo.

⌬ FIM · 4 min de leitura

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