Piscina aquecida parecia coisa de hotel, mas a bomba de calor mudou essa conta. Marcas como Rheem, GRE (Fluidra), Ecologic e Industek já vendem no Brasil modelos inverter com Wi-Fi e app no celular. Só que o preço assusta: um modelo de 45.000 BTU/h, que atende uma piscina média de casa, sai a partir de uns R$ 10,5 mil. Então vale entender direitinho como ela funciona antes de gastar.
A ideia em uma frase: é um ar-condicionado ao contrário
O ar-condicionado tira o calor de dentro do quarto e joga lá fora. A bomba de calor faz o caminho inverso: tira o calor que já existe no ar da rua e coloca na água da piscina. Ela não gera calor queimando nada e não esquenta uma resistência. Ela transporta calor de um lugar para o outro, e é por isso que gasta tão pouca energia.
Mesmo num dia de 15 °C, o ar tem bastante energia térmica guardada. A máquina só precisa de eletricidade para rodar o compressor e o ventilador que fazem esse transporte.
O ciclo, passo a passo
- Ventilador e evaporador: o ventilador puxa o ar externo e o passa por uma serpentina com gás refrigerante (hoje quase todos usam o R32) muito frio. O gás absorve o calor do ar e evapora.
- Compressor: o compressor comprime esse gás. Comprimir aquece, igual a bomba de encher pneu que esquenta na mão. O gás sai bem quente.
- Trocador de calor: o gás quente passa por um trocador, normalmente de titânio, por onde a água da piscina circula impulsionada pela bomba do filtro. O calor passa do gás para a água, que volta mais quente para a piscina.
- Válvula de expansão: o gás, já resfriado, perde pressão, fica gelado de novo e volta para o evaporador. O ciclo recomeça.
O titânio no trocador não é luxo: ele aguenta o cloro e o sal da água por anos sem corroer. É um item para conferir na ficha técnica de qualquer modelo.
COP: o número que explica a economia
COP (coeficiente de performance) é quanto calor a máquina entrega para cada 1 kW de eletricidade que consome. Um chuveiro ou aquecedor de resistência tem COP 1: entra 1 kW de luz, sai 1 kW de calor. Uma bomba de calor entrega várias vezes isso, porque a maior parte do calor vem do ar, de graça.
Os números que os fabricantes divulgam para os modelos de 45.000 BTU/h:
- Ecologic Ecopool-13 Ultra Inverter: COP de até 16, entrada máxima de 2,2 kW, segundo a Ecologic.
- Industek RV45 Full Inverter: COP de 7,01 a 13,32 e potência de 2,9 a 13,2 kW térmicos, segundo o catálogo da Industek.
- GRE 14 Inverter (Fluidra): COP de 11 a 6, para piscinas de 35 a 70 mil litros, segundo a ficha do fabricante.
- Rheem CrossWind RB48: COP de 6,15 a 15,5 e consumo máximo de 2,33 kW, segundo o catálogo da Rheem.
O detalhe que quase ninguém conta: esse COP “de até” é medido em condição favorável, com ar e água por volta de 26 a 27 °C e a máquina trabalhando em baixa potência. Com o ar mais frio, ou com a máquina no máximo para esquentar a piscina rápido, o COP cai, e cai bastante. Ele continua muito acima de 1, mas compare os modelos pela mesma condição de teste, e não pelo maior número do folheto.
Inverter x on/off: por que o inverter vale a diferença
A bomba de calor convencional (on/off) funciona como um interruptor: liga o compressor no máximo, esquenta até a temperatura escolhida, desliga e depois liga de novo. Isso gasta mais luz, faz mais barulho e desgasta o compressor.
A inverter (ou full inverter, quando o ventilador também varia) ajusta a velocidade do compressor conforme a necessidade. Quando a piscina está perto da temperatura certa, ela roda devagarinho, consumindo poucas centenas de watts só para manter a água. A Rheem fala em economia de até 50% em relação ao modelo convencional. A Industek indica um consumo nominal que vai de 220 W a 1.880 W no RV45. Na prática, a inverter fica mais silenciosa e mais econômica no dia a dia. Hoje as quatro linhas que acompanhamos no Guia são inverter.
Alguns modelos, como o CrossWind da Rheem, também têm EVI (injeção de vapor), uma espécie de turbo no compressor que ajuda a manter o rendimento no frio. A Rheem declara operação de -25 °C a 43 °C de temperatura ambiente.
Bomba de calor x resistência x gás x solar, em resumo
- Aquecedor elétrico de resistência: é barato para comprar e caro para usar (COP 1). Faz sentido em spa e ofurô, pouco em piscina.
- Aquecedor a gás: esquenta muito rápido, mas o custo do gás pesa se a piscina fica aquecida o tempo todo. Bom para uso de fim de semana.
- Aquecedor solar: a energia do sol é de graça, mas ele depende de sol e de área de telhado, e rende pouco nos dias nublados e no inverno.
- Bomba de calor: é cara para comprar e barata para usar. Funciona de dia e de noite, faça sol ou chuva, e é a que mais combina com piscina aquecida o ano todo.
Esse comparativo vai ganhar uma matéria só para ele aqui no Guia, com conta de custo para cada caso.
O lado “casa conectada”: Wi-Fi e app
É aqui que o assunto fica a cara do Guia. Os modelos novos vêm com Wi-Fi e app: o Rheem Smart, no caso da Rheem, e o Smart Life, no caso da Ecopool. Pelo celular dá para ligar, desligar, ver a temperatura da água e programar horários. Por exemplo, você deixa a máquina rodar nas horas mais quentes do dia, quando o COP é melhor, e chega em casa sexta à noite com a piscina pronta. Por usar o ecossistema Smart Life/Tuya, o Ecopool tende a conversar com rotinas da Alexa e do Google Home, mas confira a integração com o vendedor antes de comprar, porque ela muda de modelo para modelo.
Antes de comprar: 5 coisas para olhar
- Tamanho certo: a potência (kW ou BTU/h) depende do volume da piscina, do clima da sua cidade e da temperatura que você quer. Um modelo pequeno demais roda no máximo o tempo todo, e aí some a economia.
- Capa térmica: a maior parte do calor da piscina vai embora pela evaporação, à noite. Com a capa, a bomba trabalha muito menos. Ela é o acessório mais barato que mais economiza.
- Elétrica: os modelos de 45.000 BTU/h que citamos são monofásicos, 220 V, mas pedem circuito e disjuntor próprios. Conte com um eletricista.
- Vazão da bomba do filtro: cada modelo pede uma vazão mínima de água (a Ecopool-13 indica 4,5 m³/h, por exemplo). Confira se o seu filtro entrega isso.
- Lugar ventilado: ela precisa de ar circulando. Não dá para enfiar num quartinho fechado.
Quanto custa hoje
Na faixa de 45.000 BTU/h (13 a 14 kW), que é a mais procurada para piscina residencial, encontramos em 27/10/2026 a GRE 14 Inverter a partir de R$ 10.511,99 e a Ecopool-13 Ultra Inverter a partir de R$ 11.024,24, as duas com frete grátis no Mercado Livre. A Industek RV45 sai a partir de R$ 12.313,89 no Pix. O preço muda bastante de loja para loja, então vale comparar.
- GRE 14 Inverter no Mercado Livre
- Ecopool-13 Ultra Inverter no Mercado Livre
- Todas as bombas de calor inverter no Mercado Livre
O que vem por aí no Guia
Esta é a primeira de uma série sobre aquecimento de piscina. Nos próximos dias saem o guia de qual tamanho comprar, a conta de quanto ela gasta de luz por mês, o comparativo entre Rheem CrossWind, GRE Inverter, Ecopool e Industek RV e o duelo bomba de calor x solar x gás. Também pedimos unidades de teste às quatro marcas, e os reviews entram aqui quando elas chegarem.
Fontes: páginas e catálogos oficiais da Ecologic (Ecopool Ultra Inverter), da Rheem (CrossWind RB24/RB48), da Industek (série RV Full Inverter) e ficha técnica da GRE 14 Inverter (Fluidra). Os valores de COP e consumo são os declarados pelos fabricantes. O Guia ainda não testou esses modelos.