Música & Cultura 24 AGO 2026

Cambridge Audio: a marca que inventou o amplificador com transformador toroidal numa garagem de Cambridge — e 58 anos depois ainda busca o som perfeito

Fundada por engenheiros da Universidade de Cambridge em 1968, a marca britânica que criou o primeiro amplificador com transformador toroidal e o primeiro CD player two-box sobreviveu a quatro donos e uma mudança de continente na produção — sem nunca abandonar a filosofia de que bom som não precisa custar uma fortuna.

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Em 1968, num galpão emprestado em Cambridge, Inglaterra, um grupo de engenheiros recém-formados pela universidade local decidiu construir o melhor amplificador integrado que o dinheiro poderia comprar. O resultado foi o P40 — um aparelho de 2 × 20 watts que entrou para a história do áudio por um motivo que parece trivial hoje, mas era revolucionário na época: foi o primeiro amplificador do mundo a usar um transformador toroidal.

O transformador que mudou tudo

Transformadores toroidais são mais eficientes, geram menos interferência eletromagnética e produzem menos ruído mecânico que os transformadores EI convencionais que dominavam a eletrônica dos anos 60. O P40 da Cambridge Audio provou que a escolha do transformador afetava diretamente a qualidade do som — e hoje, praticamente todo amplificador hi-fi de qualidade usa transformadores toroidais. A Cambridge Audio fez isso antes de qualquer outra marca.

O primeiro CD player two-box do mundo

Em 1985, quando o CD ainda era novidade, a Cambridge Audio lançou o CD1: o primeiro CD player two-box do mercado, separando o transporte do processamento digital com três DACs por canal. Era um produto de nicho, absurdamente caro para a época, mas estabeleceu a Cambridge Audio como uma marca que não tinha medo de empurrar os limites da engenharia.

Quatro donos e uma identidade preservada

A história corporativa da Cambridge Audio é acidentada. Fundada como extensão da Cambridge Consultants, foi vendida para Colin Hammond em 1971, depois para Vince Adams em 1980, para Stan e Angie Curtis em 1984, e brevemente incorporada pela Wharfedale em 1988, quando a produção se mudou para Leeds. Mas o capítulo decisivo veio em 1994, quando Julian Richer — fundador da rede varejista britânica Richer Sounds — e James Johnson-Flint compraram a marca e criaram a Audio Partnership.

Foi a Audio Partnership que transformou a Cambridge Audio no que ela é hoje: uma marca de hi-fi acessível com engenharia britânica e produção na China, capaz de competir em preço com marcas asiáticas sem abrir mão da qualidade sonora que o nome Cambridge exige. O escritório de controle de qualidade em Hong Kong e, posteriormente, na China continental, garantiu que a mudança de manufatura não significasse perda de padrão.

Os clássicos modernos

A linha Azur estabeleceu a Cambridge Audio como referência em amplificadores e CD players de custo-benefício nos anos 2000. A série CX, lançada em 2015, continuou a tradição — o CXA81 ganhou o prêmio de Amplificador do Ano da What Hi-Fi? em 2019 e 2020. A série Edge de 2018, comemorativa dos 50 anos, mostrou que a marca também sabia fazer hi-fi de referência quando queria.

Mais recentemente, o Evo trouxe streaming e amplificação num único aparelho elegante, e os fones Melomania provaram que a Cambridge Audio podia aplicar sua filosofia de som em formatos ultraportáteis. O DacMagic, por sua vez, tornou-se sinônimo de conversão digital-analógica acessível para uma geração inteira de audiófilos iniciantes.

O legado

A Cambridge Audio nunca foi a marca mais glamorosa do hi-fi britânico — esse papel cabe a marcas como Naim ou Chord. Mas foi, consistentemente, a marca que mais gente pôde comprar sem se sentir fazendo concessão. O lema não oficial da empresa, “made for music”, resume a filosofia: engenharia a serviço da música, não do ego. E 58 anos depois, com Julian Richer fora e Johnson-Flint como único proprietário, a promessa permanece a mesma que motivou aqueles engenheiros numa garagem de Cambridge: o melhor som possível pelo menor preço justo.

⌬ FIM · 3 min de leitura

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