Lançamentos 28 OUT 2026

sE Electronics V8: sucessor do V7 traz cápsula nova, suspensão patenteada e versões para sem fio Shure e Sennheiser

O novo dinâmico de palco da sE amplia a faixa declarada, ganha suspensão interna patenteada e cabeças MC1/MC2 para transmissores sem fio. Nos EUA sai por US$ 199 a US$ 229; no Brasil, ainda não há venda anunciada.

Microfone dinâmico sE Electronics V8 em acabamento preto fosco com grade de aço chanfrada
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O sE Electronics V7 se firmou como uma alternativa popular ao Shure SM58 para quem canta ao vivo: dinâmico, supercardioide, robusto e com aquele visual de grade chanfrada que não deixa o microfone rolar do retorno. Em 2 de outubro de 2026, a marca apresentou o sucessor espiritual: o V8, que estreia uma cápsula nova, uma suspensão interna patenteada e versões em cabeça para sistemas sem fio da Shure e da Sennheiser. A própria sE faz questão de dizer que ele “não é um substituto” do V7, e sim um passo acima.

O que muda em relação ao V7

O coração do V8 é a cápsula dinâmica DMCV8, desenvolvida para o modelo. Na comparação direta entre as fichas técnicas publicadas pela sE, o V8 declara faixa de frequência de 25 Hz a 21 kHz, contra 40 Hz a 19 kHz do V7, e sensibilidade de 2,2 mV/Pa (−53 dBV), contra 2,0 mV/Pa (−54 dB) do irmão mais velho. A impedância elétrica segue em 300 ohms nos dois.

Dois cuidados na leitura desses números. Primeiro, “faixa de frequência” sem tolerância em dB não é uma curva de resposta: diz até onde o microfone capta algo, não como ele soa. Segundo, 1 dB de diferença de sensibilidade é pouco; na prática, significa que o V8 entrega um sinal levemente mais forte ao pré-amplificador, o que ajuda um pouco com mesas de ganho mais limitado, mas não muda a categoria do microfone. Dinâmicos para voz costumam pedir bastante ganho, e o V8 continua nesse grupo.

O corpo também cresceu: são 189 mm de comprimento e 340 g, contra 184 mm e 305 g do V7, ambos com 54 mm de diâmetro. A carcaça é toda metálica, a grade é de aço-mola com borda chanfrada (para não rolar quando apoiada) e o conector XLR é banhado a ouro. A novidade interna é uma suspensão integrada patenteada, que segundo a sE reduz ruído de manuseio e protege a cápsula de impactos. Há ainda um para-vento interno trocável, com uma peça vermelha e outra preta na caixa.

Supercardioide: ótimo contra microfonia, mas tem lóbulo traseiro

A sE descreve o padrão polar do V8 como um supercardioide “altamente focado”, com forte rejeição fora do eixo e melhor ganho antes da microfonia. Isso faz sentido em palco barulhento, mas exige um cuidado que muita gente esquece: diferentemente do cardioide, cuja rejeição máxima fica exatamente atrás (180°), o supercardioide tem um pequeno lóbulo de captação traseiro e seus pontos de menor sensibilidade ficam em ângulos laterais traseiros, tipicamente por volta de 120° a 130°. Na prática, o retorno de chão não deve ficar apontado bem na traseira do microfone, e sim deslocado para os lados, alinhado com esses nulos. Quem vem de um SM58 e mantém o monitor no mesmo lugar pode ter mais microfonia, não menos. Falamos de padrões polares e posicionamento neste guia.

Também vale lembrar que padrões mais estreitos punem o cantor que “passeia” com o microfone: sair do eixo derruba nível e agudos mais rápido do que num cardioide.

Versões sem fio e acabamentos

O V8 com fio sai em dois acabamentos: preto fosco e Graphite Gray, este com superfície que, segundo a sE, resiste a marcas de dedo. A mesma cápsula aparece nas cabeças V8 MC1, compatíveis com transmissores de mão sem fio da Shure, e V8 MC2, para transmissores da Sennheiser, também nas duas cores. É uma estratégia esperta: permite que casas de show e bandas usem a mesma cápsula com e sem fio, mantendo o timbre consistente entre os canais.

Preço e disponibilidade

A sE não publica preço sugerido no anúncio. Nos EUA, em out/2026, a Guitar Center listava o V8 preto por US$ 199 e o Graphite Gray por US$ 229, como novidade. Não encontramos venda no Brasil nem preço em reais até a publicação; por aqui, a alternativa imediata é a importação, sem garantia local. Os preços das cabeças MC1 e MC2 não foram divulgados nas fontes consultadas.

Nossa leitura

O V8 entra numa faixa de preço em que já brigam modelos consagrados, como o Shure SM58 e o Sennheiser e835, que aparecem em nossa lista de melhores microfones dinâmicos para voz. A proposta da sE é clara: construção de palco, padrão estreito e uma cápsula que a marca promete exigir pouca equalização. Sem audição própria, não dá para afirmar que ele soa melhor que o V7 ou que os concorrentes. O que a ficha mostra é uma evolução incremental bem executada, com o ecossistema sem fio como diferencial mais concreto.

Fontes

⌬ FIM · 4 min de leitura

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