Se você entrou em qualquer live brasileira nos últimos dois anos, há uma boa chance de ter ouvido um Fifine AmpliGame AM8. O microfone dinâmico com faixa RGB virou o queridinho de quem começa um podcast, abre canal no YouTube ou simplesmente cansou de ser ouvido pelo headset no Discord. O motivo é fácil de entender: ele custa uma fração de um Shure MV7, oferece USB e XLR no mesmo corpo e, por ser dinâmico, perdoa o quarto sem tratamento acústico que quase todo mundo tem. Mas popularidade não é o mesmo que acerto automático, e o AM8 tem limites que valem ser conhecidos antes da compra.
Dinâmico, e isso é o principal
A escolha mais importante do AM8 está na cápsula. Diferente dos microfones condensadores USB baratos, que captam o ventilador, o teclado mecânico e o vizinho com a mesma empolgação que captam sua voz, o AM8 usa uma cápsula dinâmica com padrão cardioide. Segundo a Fifine, a resposta vai de 50 Hz a 16 kHz, com sensibilidade de -50 dB (±3 dB), relação sinal-ruído acima de 80 dB e SPL máximo de 120 dB.
Na prática, isso significa um microfone que precisa ser usado perto da boca. A própria fabricante recomenda falar a uma distância de 5 a 15 cm do topo da cápsula, e a análise publicada pelo site Gough’s Tech Zone registrou que foi preciso levar o ganho ao máximo para obter bons níveis. É o preço da boa rejeição de ruído: quem fala de longe, recostado na cadeira, vai soar baixo. Quem posiciona o microfone num braço articulado, perto do rosto, ganha uma voz limpa e isolada do ambiente.
O teto de 16 kHz nos agudos parece limitado no papel, mas para voz falada ele raramente faz falta. O canal Podcastage descreveu a assinatura como levemente em V, com graves e agudos um pouco à frente dos médios, e ainda assim considerou o resultado muito bom para o preço. Em voz grave, perto da cápsula, o efeito de proximidade dá aquele corpo de rádio que o público de podcast adora.
USB para começar, XLR para crescer
A conexão USB-C é o caminho de quem está começando: pluga no PC, no Mac ou no PS5 e funciona sem driver. Pelo USB, o AM8 grava em 16 bits e até 48 kHz, conforme verificaram as análises da APH Networks e da Gough’s Tech Zone. É suficiente para live, reunião, Discord e podcast, embora quem sonha com 24 bits no papel tenha que olhar para outro modelo.
O trunfo está na saída XLR. Quando o criador comprar uma interface de áudio ou uma mesa, o AM8 não vai para a gaveta: basta um cabo XLR (que não vem na caixa) e o microfone passa a funcionar como um dinâmico tradicional. O detalhe importante é que, no modo XLR, os controles do corpo deixam de valer, e ganho, mudo e monitoração passam a ser feitos na interface. Como a sensibilidade é baixa, uma interface com pré de ganho generoso faz diferença. Segundo os testes publicados, dá até para usar USB e XLR ao mesmo tempo, o que permite gravar uma cópia de segurança.
No console, a Fifine é direta: funciona no PS5 pelo USB, mas não funciona no Xbox, que bloqueia dispositivos de áudio USB de terceiros. Para gamer de Xbox, esse ponto já elimina o AM8.
Controles, RGB e construção
No corpo ficam o mudo por toque, um botão dedicado ao RGB, o knob de ganho e o knob de volume da saída de fone P2, que oferece monitoração sem latência. É um conjunto completo e prático para quem faz live, porque tudo está ao alcance da mão. A faixa RGB na base é opcional e pode ser desligada. Um detalhe: o AM8 comum não é compatível com o software Fifine Genie, reservado a modelos como o AM8PROT.
O kit básico vem com microfone, base de mesa com peso, espuma e cabo USB-A para USB-C de 2 metros. O conjunto pesa cerca de 590 g. O maior senão é justamente a base: vários usuários e análises apontam que ela transmite batidas na mesa e que o suporte fica meio frouxo. Por isso, a recomendação prática é orçar desde já um braço articulado. A rosca aceita padrões 3/8″ e 5/8″, então qualquer braço comum serve, e existem kits como o AM8T que já vêm com braço.
Cuidado com o preço e com a imitação
No Brasil, o AM8 é vendido em todo lugar, e isso tem dois lados. Em setembro de 2026, a KaBuM! listava a versão preta por R$ 349 no Pix, e um levantamento do site CriaSet com 45 anúncios, feito em agosto de 2026, encontrou preços entre R$ 300 e R$ 699, com a faixa mais comum perto de R$ 309. Ou seja: pagar muito acima de R$ 350 pelo modelo básico é desperdício. O mesmo levantamento alerta para anúncios de produtos “estilo Fifine”, que imitam o visual. Compre de vendedores oficiais ou lojas conhecidas e confira se o anúncio é da Fifine.
Entre as reclamações recorrentes de compradores está o microfone não ser reconhecido pelo computador em algumas unidades, o que reforça a importância de comprar onde a troca seja simples.
O AM8 é o microfone certo para quem grava num quarto comum: ele ignora o ambiente e foca na sua voz, desde que você fale perto.
Guia do Áudio
Veredito
O Fifine AmpliGame AM8 merece a fama. Pelo preço, entrega uma voz limpa, boa rejeição de ruído, controles práticos e uma saída XLR que protege o investimento quando o setup crescer. Não é perfeito: exige falar perto, tem pouco ganho, a base é fraca, a gravação USB fica em 16 bits e o Xbox está fora. Mas para podcast iniciante, live e jogo no PC ou PS5, é difícil encontrar melhor custo-benefício no mercado brasileiro. Compre na faixa dos R$ 300 a R$ 350 e reserve um dinheiro para o braço articulado.
Onde comprar
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