A Hisense, conhecida por aqui principalmente pelas TVs e soundbars, decidiu disputar um dos territórios mais concorridos do áudio de consumo: a caixa Bluetooth portátil. Em 17 de setembro, a marca oficializou nos Estados Unidos a linha Boom, com três modelos resistentes a água e poeira, FlexBoom, WeBoom e VoyageBoom, além de uma torre de festa com rodinhas, a Party Thunder Pro. O alvo é declarado: o espaço hoje dominado por JBL e Ultimate Ears.
As caixas foram mostradas pela primeira vez na CES, em janeiro, e algumas já tinham aparecido discretamente na Amazon americana em agosto. O anúncio desta semana marca a chegada oficial ao varejo dos EUA, com Best Buy e Amazon como principais canais.
FlexBoom: a de mochila
A menor da família custa US$ 119,99 e é a concorrente direta de JBL Flip e UE Boom. A Hisense informa 40 W de potência, com um tweeter, um woofer e dois radiadores passivos (a página oficial do produto fala em “até 80 W”, provavelmente um valor de pico). A bateria promete até 20 horas, e dez minutos na tomada rendem duas horas de música. Tem certificação IP67, viva-voz para chamadas, alça removível e suporte a pareamento estéreo (TWS) e Auracast.
WeBoom: mais grave e luz
Por US$ 199,99, a WeBoom sobe para 70 W, com dois tweeters, dois woofers e radiadores passivos. A bateria chega a 24 horas, com a mesma recarga rápida, e ela também funciona como power bank. Há botão de reforço de graves, iluminação ambiente configurável pelo aplicativo ConnectLife e alça que muda de posição. É a rival natural da JBL Charge 6.
VoyageBoom: o boombox
O modelo mais caro da linha portátil, de US$ 299,99, tem formato de boombox, com alça integrada, e configuração 2.1: dois tweeters, dois woofers e um subwoofer dedicado. A potência declarada é de 136 W na bateria e 180 W ligado na tomada. Mantém IP67, 24 horas de autonomia, power bank embutido, iluminação sincronizada com a música e Auracast. Mira claramente a JBL Boombox e a UE Epicboom.
Party Thunder Pro: a torre de 620 W
Fechando o pacote, a Party Thunder Pro custa US$ 399,99 e é a caixa para quintal e salão de festas. São seis alto-falantes e 620 W, com rodinhas, alça retrátil, microfone sem fio incluído, entradas para microfone e guitarra com fio e efeitos de DJ. Quem já viu as torres Sony ULT ou JBL PartyBox sabe exatamente para quem ela foi feita.
O que nos chama a atenção
- Auracast em toda a linha: o padrão de transmissão do Bluetooth LE Audio permite conectar várias caixas à mesma fonte, sem depender de um protocolo exclusivo como o PartyBoost da JBL. É a aposta certa para quem chega agora ao mercado;
- Preço agressivo: as três portáteis ficam no mesmo patamar das rivais diretas, e a Amazon americana já vendia a FlexBoom por US$ 99,99 e a WeBoom por US$ 179,99 nesta semana;
- Extras pouco comuns: segundo a cobertura do lançamento, a linha inclui rádio FM, algo raro nas caixas das líderes.
E no Brasil?
Por enquanto, nada. A Hisense vende TVs, soundbars e eletrodomésticos no Brasil, mas não anunciou a linha Boom por aqui e não há preço em reais. Se a caixa vier, faz sentido pelo tamanho do mercado nacional de Bluetooth. Vamos acompanhar.
Nossa leitura
Entrar no mercado de caixas Bluetooth em 2026 é difícil: a JBL tem a marca, a distribuição e anos de ajuste fino de graves em caixas pequenas, e a Ultimate Ears tem uma base fiel. A Hisense acerta ao cobrir todas as faixas logo de cara, ao adotar o Auracast em vez de um sistema proprietário e ao cobrar preços que convidam a experimentar. O ponto fraco, por ora, é o que nenhuma ficha técnica mostra: afinação sonora e qualidade do aplicativo. Números como “80 W” numa caixa do tamanho de uma garrafa dizem pouco. A prova real vai ser colocar a FlexBoom lado a lado com uma JBL Flip 7, e a VoyageBoom com uma JBL Boombox. Se a Hisense repetir no áudio portátil o custo-benefício que mostrou nas TVs, os líderes vão ter trabalho.