Existe um tipo de produto que conquista não pelo excesso, mas pela inteligência com que resolve problemas reais. A Sonos Beam Gen 2 é exatamente isso: uma soundbar de 65 centímetros que, contra toda expectativa, entrega uma experiência Dolby Atmos convincente, transforma a sala de estar em um ambiente sonoro envolvente e ainda se integra ao ecossistema Sonos com a naturalidade de quem nasceu para isso. Em um mercado saturado de barras de som genéricas, a Beam Gen 2 se destaca por fazer muito com pouco — e fazer bem.
Design e Construção
A Beam Gen 2 mantém o formato cilíndrico alongado que já era marca registrada da primeira geração, mas troca o acabamento em tecido por uma grade de policarbonato perfurado, similar à da Sonos Arc. O resultado é mais durável, mais fácil de limpar e visualmente mais refinado. Com apenas 651 mm de largura por 69 mm de altura, ela desaparece sob TVs de 50 a 65 polegadas sem roubar atenção. Pesa modestos 2,8 kg e pode ser fixada na parede com suporte opcional.
Drivers e Amplificação
Por dentro, a Sonos empacotou quatro mid-woofers elípticos, um tweeter central e três radiadores passivos, todos alimentados por cinco amplificadores digitais Classe D independentes. Essa configuração de 5.0 canais é o coração do truque de mágica da Beam: usando processamento psicoacústico avançado e um processador 40% mais rápido que o da geração anterior, a barra cria canais de altura virtuais que simulam o efeito tridimensional do Dolby Atmos sem drivers apontando para o teto.
Funciona? Surpreendentemente, sim. Em filmes com trilha Atmos bem mixada, como Duna ou Top Gun: Maverick, a sensação de verticalidade é perceptível. Não é a mesma coisa que ter caixas de teto dedicadas, claro, mas para uma barra solo é impressionante.
Qualidade Sonora
A Beam Gen 2 tem uma assinatura sonora equilibrada com tendência levemente calorosa. Os médios são o ponto forte: diálogos soam claros, articulados e projetados para frente, o que é essencial para quem assiste séries e filmes com muita conversa. O Speech Enhancement, recurso nativo do app Sonos, funciona bem para potencializar vozes sem distorcer o resto da mixagem.
Os agudos são detalhados sem agressividade, com boa definição em efeitos sonoros e instrumentos. O soundstage para uma barra desse tamanho é admirável — há uma separação lateral genuína que dá a impressão de um palco sonoro mais largo que a própria barra.
O grave é o calcanhar de Aquiles inevitável de qualquer soundbar compacta. A Beam Gen 2 se vira com dignidade, entregando peso suficiente para explosões e trilhas cinematográficas, mas não espere punch de subwoofer. Para quem quer graves de verdade, o caminho natural é adicionar um Sonos Sub Mini ou Sub.
Grave: limitação honesta
Conectividade e Recursos
A conectividade é enxuta, mas bem pensada. A Beam oferece uma entrada HDMI eARC (que aceita Dolby Atmos via Dolby Digital Plus e Dolby TrueHD) e uma porta Ethernet. O Wi-Fi é dual-band 802.11ac, e há suporte a Apple AirPlay 2. Uma ausência notável é o Bluetooth nativo — a Sonos historicamente evita o protocolo em favor do Wi-Fi, o que é compreensível do ponto de vista de qualidade de áudio, mas pode incomodar quem quer pareamento rápido com o celular.
O suporte a DTS foi adicionado via atualização de software, resolvendo uma das maiores reclamações iniciais. Alexa e Google Assistant estão integrados, e o Trueplay — sistema de calibração acústica da Sonos via microfone do iPhone — adapta o som às características do ambiente com resultados audíveis.
Para Qual Sala?
A Beam Gen 2 é ideal para salas de até 25 metros quadrados. Em ambientes maiores, ela começa a perder presença e o efeito Atmos virtual se dilui. É a soundbar perfeita para apartamentos, quartos grandes e salas de TV compactas. Pode ser expandida com satélites Sonos Era 100 para surround real e um Sub para graves completos, transformando-se em um sistema 5.1 ou até 5.1.2 com desempenho de outro patamar.
Veredicto
A Sonos Beam Gen 2 é a melhor soundbar compacta com Dolby Atmos do mercado, ponto. Não é barata — especialmente no Brasil, onde o preço beira os R$ 5.500 — mas entrega uma combinação de qualidade sonora, integração de ecossistema e facilidade de uso que nenhuma concorrente do mesmo tamanho consegue igualar. Se você tem uma sala pequena a média e quer dar um salto imenso em relação aos alto-falantes da TV, a Beam Gen 2 é investimento certeiro. Só não espere que ela substitua um home theater de verdade — para isso, ela é apenas o primeiro capítulo.