Música & Cultura 07 NOV 2026

Stetsom: a história da fabricante de Presidente Prudente que virou sinônimo de som automotivo

Do booster AMX-5 de 50 watts em 1989 aos módulos Vulcan e processadores STX: como a Stetsom cresceu no interior paulista e chegou a dezenas de países.

Processador de áudio automotivo Stetsom STX2496BT
MÚSICA & CULTURA

Poucas marcas brasileiras de eletrônica têm a cara do som automotivo nacional como a Stetsom. Fundada em 1989 em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, a fabricante começou com dois funcionários e um booster de 50 watts e virou uma das maiores produtoras de amplificadores automotivos do país, com produtos exportados para dezenas de países e um papel central na cultura dos módulos potentes, das competições de pressão sonora e do paredão.

1989: dois funcionários e o AMX-5

A história contada pela própria empresa começa pequena. Em 1989, com apenas dois funcionários e um escritório de poucos metros quadrados, a Stetsom lançou seu primeiro amplificador, o AMX-5, um booster de dois canais de 50 watts. A razão social, Stetsom Indústria Eletrônica Ltda., foi aberta em novembro daquele ano em Presidente Prudente, cidade onde a fábrica continua até hoje.

O Brasil do fim dos anos 1980 tinha um mercado de som automotivo dominado por toca-fitas e pela vontade de fazer o carro tocar mais alto do que o rádio original permitia. Os boosters, amplificadores compactos ligados entre o toca-fitas e os alto-falantes, eram a porta de entrada desse mundo, e foi nesse nicho que a Stetsom cresceu.

A Linha CL e a escala nacional

O salto veio em 1999 com a Linha CL. A Stetsom descreve esses boosters como a linha mais vendida da história do som automotivo, com a marca de 2 milhões de unidades atingida em 2012, segundo a empresa. A família CL ajudou a colocar o nome da fabricante em lojas de acessórios de todo o país.

Em 2007, a empresa apresentou a linha CL Hi End, com modelos como CL 500 HE e CL 950 HE, divulgada na época como livre de transformadores de entrada e com montagem em SMD. Nos anos 2000, a Stetsom também diversificou: em 2002 abriu fábrica própria de antenas automotivas e passou a fazer crossovers, mixers e filtros supressores de ruído.

O recorde de SPL e o mundo lá fora

O ano de 2007 também marcou a entrada da Stetsom no circuito internacional de competição. A fabricante afirma ter batido o recorde mundial de SPL nos Estados Unidos, sendo a primeira marca brasileira de amplificadores a conseguir o feito. Relatos de competidores da época registram um recorde de 180,5 dB no dB Drag obtido pelo americano Alan Dante com quatro amplificadores Stetsom 7KD. Segundo a empresa, o feito abriu caminho para as exportações. Em material publicado em 2018, a Stetsom falava em mais de 50 países atendidos; a página institucional atual fala em 60.

Prêmios e certificação

A marca recebeu o Prêmio Marca Brasil de Melhor Amplificador e Melhor Antena em 2014, repetindo a premiação em 2015. Em fevereiro de 2018, depois de implantar um sistema de gestão da qualidade, obteve a certificação ISO 9001:2015, que a empresa apresenta como pioneira no segmento de amplificadores, antenas e acessórios automotivos no Brasil. Na mesma época, a fábrica já ocupava mais de 8.000 m², e a Stetsom contabilizava mais de 5 milhões de amplificadores e acessórios vendidos até o fim de 2017.

Em 2023, a Ciesp, a Fiesp e a associação comercial de Presidente Prudente escolheram a empresa e seus diretores, Marcelo Sanches Rodella e Wilson Calza Junior, como Industriais Símbolos do Ano.

As linhas que definem a Stetsom hoje

O catálogo atual mostra como a marca cobre do carro de rua ao paredão:

  • Vulcan Line: os módulos de alta potência da casa, voltados para subwoofers e sistemas de pressão sonora.
  • Export Line Black Edition: modelos como o EX3000 Black Edition.
  • High Line: amplificadores como HL400, HL800, HL1200 e HL2000, incluindo versões DSPlayer com Bluetooth, aplicativo, equalizador e delay.
  • Combat Line: a nova família CL, com o CL800 e o CL1500, que não deve ser confundida com os boosters CL de 1999.
  • Iron Line: módulos compactos, como o IR400.4, que tem análise aqui no Guia.
  • Linha PA: amplificadores como o PA2500.2, que a própria Stetsom associa ao “sonho dos 4 vias” do Nordeste.
  • Processadores STX: DSPs como STX2448, STX2848 e o mais recente STX2496BT, com controle por Bluetooth.
  • Infinite: fontes e carregadores de bateria de 40 A a 200 A, essenciais para quem alimenta sistemas grandes fora do carro.

Os processadores digitais mostram a virada técnica do setor: hoje não basta potência, é preciso crossover, equalização e alinhamento temporal. Se você está montando um sistema, nosso guia de processadores DSP automotivos explica como escolher.

Paredão, competição e identidade

A Stetsom é parte do imaginário do som automotivo brasileiro. Seus módulos aparecem em eventos de som como o Insane Sound, em Barretos, ao lado de outras marcas nacionais. A rivalidade saudável com a Taramps, de Presidente Prudente também, transformou a cidade num polo da amplificação automotiva no Brasil. Contamos a história dessa vizinha no perfil da Taramps, e a dos alto-falantes nacionais no perfil da Bravox.

A Stetsom resume sua trajetória com o slogan “Potência sem limites” e o lema “Desde 1989 fazemos o melhor para fazer sempre”. Na página institucional, a empresa fala em 4 milhões de amplificadores vendidos. Para uma marca que começou com um booster de 50 watts num escritório pequeno do interior paulista, é uma escalada e tanto.

Informações de Stetsom, O Imparcial, Mecânica Online e Inova Prudente.

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