A Dynaudio anunciou em outubro de 2026 a Confidence i, sucessora direta da série Confidence lançada em 2018 e uma das linhas passivas de topo da fabricante dinamarquesa. São três modelos — as torres Confidence 50i e 30i e a monitor de pedestal Confidence 20i — e a promessa não é reinventar a fórmula, mas refinar cada peça dela: tweeter, guia de onda e divisor de frequências. Para quem acompanha a marca, é a notícia de high-end do mês.
O que muda em relação à Confidence de 2018
Segundo a nota de anúncio publicada pela Dynaudio, a nova série é fruto de oito anos de pesquisa e desenvolvimento. As mudanças se concentram em três frentes:
- Tweeter Esotar 3i: domo de 28 mm com conjunto magnético revisado e uma nova formulação de ferrofluido no motor. A Dynaudio diz que é o melhor tweeter que já fez — é uma afirmação do fabricante, não um resultado de medição independente.
- Dynaudio Directivity Control 3.0 (DDC): a tecnologia, que estreou nas Evidence de 1999 e nas Confidence C2 e C4 de 2001, controla a dispersão vertical para reduzir reflexões de piso e teto. Nas 30i e 50i, a lente DDC (um guia de onda usinado) foi redesenhada para melhorar a dispersão horizontal; a 20i ganhou uma lente nova, específica para o Esotar 3i.
- Divisor simplificado: o crossover foi enxugado, recebeu capacitores da Duelund e estreia o UltraPrecision Array, um resistor desenvolvido pela própria Dynaudio, com patente pendente, que segundo a marca tem tolerância mais de dez vezes menor que a de componentes de prateleira.
Todas as três usam duto de reflexão de graves voltado para baixo (down-firing), e os woofers e médios continuam com o cone MSP (polímero de silicato de magnésio), marca registrada da casa.
Ficha técnica declarada
Os números abaixo vêm da página oficial da Confidence i. A sensibilidade é publicada a 2,83 V/1 m, com impedância nominal de 4 ohms nas três — o que significa que 2,83 V nessa carga equivalem a cerca de 2 W, não a 1 W. A potência listada é a capacidade de suportar potência de longo prazo segundo a norma IEC, e não uma exigência mínima de amplificador.
Confidence 50i (torre, 3 vias)
- Tweeter Esotar 3i de 28 mm, dois médios MSP de 15 cm e dois woofers MSP de 18 cm
- Resposta de frequência: 37 Hz a 27 kHz
- Sensibilidade: 88 dB (2,83 V/1 m)
- Potência IEC de longo prazo: 400 W
- Cortes em 400 Hz e 3.000 Hz
- Peso: 49 kg; altura de 1.560 mm
Confidence 30i (torre, 3 vias)
- Tweeter Esotar 3i de 28 mm, um médio MSP de 15 cm e dois woofers MSP de 18 cm
- Resposta de frequência: 39 Hz a 27 kHz
- Sensibilidade: 86 dB (2,83 V/1 m)
- Potência IEC de longo prazo: 350 W
- Cortes em 320 Hz e 2.800 Hz
- Peso: 44 kg; altura de 1.385 mm
Confidence 20i (pedestal, 2 vias)
- Tweeter Esotar 3i de 28 mm e woofer MSP de 18 cm
- Resposta de frequência: 45 Hz a 27 kHz
- Sensibilidade: 87 dB (2,83 V/1 m)
- Potência IEC de longo prazo: 250 W
- Corte em 3.000 Hz
- Peso: 27 kg; altura de 1.130 mm com o pedestal incluso
Uma observação: impedância nominal de 4 ohms, sozinha, não diz se a carga é fácil ou difícil — isso depende da curva completa de impedância e fase, que a Dynaudio não publicou na página. Quem pretende pareá-las com um integrado deve conferir a capacidade do amplificador em 4 ohms e, idealmente, ouvir a combinação antes de comprar.
Preço e disponibilidade
Os preços sugeridos divulgados pela Dynaudio, por par, são de 15.000 euros para a Confidence 20i (com pedestais), 25.000 euros para a 30i e 35.000 euros para a 50i. Os acabamentos Blonde Wood e Ruby Wood High Gloss chegam às lojas europeias em 24 de novembro de 2026 e ao restante do mundo em janeiro de 2027; o Space High Gloss tem lançamento global previsto para o início de 2027. Não há anúncio de preço ou data para o Brasil até a publicação desta nota.
Nossa leitura
A Confidence i é uma evolução, não uma revolução — e isso é um elogio. A Dynaudio mantém a arquitetura que deu fama à série (DDC, Esotar, MSP) e mexe onde engenheiros costumam encontrar ganho real: controle de dispersão e qualidade de componentes do divisor. O que ainda não sabemos é quanto disso se traduz em som em salas reais; não ouvimos as caixas, e até agora não há medições independentes publicadas. Como sempre em high-end, o preço coloca a linha num patamar em que a sala e o posicionamento pesam tanto quanto a caixa — vale revisitar nosso guia de como posicionar caixas estéreo antes de qualquer investimento desse porte.
Para conhecer a trajetória da marca, leia a história da Dynaudio. E se o orçamento é outro, temos o guia para escolher caixas bookshelf passivas e a lista das melhores caixas torre passivas.