A Cambridge Audio passou anos vendendo toca-discos para quem já estava disposto a gastar: o Alva TT V2 e o Alva ST eram as portas de entrada da marca no vinil. O Spira, anunciado em 14 de outubro de 2026, muda essa lógica. É o toca-discos mais barato que a empresa britânica já colocou no catálogo e chega com uma proposta clara: tirar da caixa, ligar em qualquer coisa e, mais adiante, crescer junto com o dono.
O que vem na caixa
O Spira é um toca-discos manual de tração por correia, com motor DC e troca eletrônica entre 33⅓ e 45 rpm por um seletor giratório, sem precisar mexer na correia. Na ficha técnica publicada no site oficial da Cambridge Audio, o prato é de aço de alta massa, com 1,8 kg, montado sobre subprato e rolamento de esferas, coberto por um feltro. A What Hi-Fi?, que noticiou o lançamento, cita o fabricante dizendo que o conjunto fica sobre um plinto de madeira maciça.
A cápsula vem instalada e alinhada de fábrica: é a Audio-Technica AT3600L, um modelo de ímã móvel bastante comum em toca-discos de entrada. O braço é reto, de alumínio, com comprimento efetivo de 218,5 mm, massa efetiva de 7,3 g, contrapeso e antiskating ajustáveis. A força de trilhagem recomendada é de 3 a 3,5 g. Fecham o pacote uma tampa contra poeira, pés que absorvem vibração e um cabo RCA.
Pré de phono comutável e Bluetooth
O recurso que mais interessa a quem está começando é o pré de phono embutido. Uma chave na traseira escolhe o modo: em “Line”, o sinal sai já equalizado (curva RIAA) e pode ir direto para uma caixa ativa ou para a entrada auxiliar de um amplificador; em “Phono”, o pré interno é desligado e a saída pede um pré de phono externo ou a entrada phono de um integrado. O manual informa relação sinal-ruído de 60 dB para o pré interno e wow e flutter abaixo de 0,15%.
Há também um transmissor Bluetooth, que manda o som do disco para fones ou caixas sem fio. É só transmissão: o Spira não recebe áudio por Bluetooth. A Cambridge não divulga versão do Bluetooth nem os codecs suportados, nem na página do produto nem no manual, e isso faz falta para quem pretende usar fones com aptX ou LDAC. Não há saída USB para digitalizar discos.
Pensado para ser atualizado
É aqui que o Spira tenta se diferenciar dos toca-discos “tudo incluso” mais baratos. O headshell é removível, o que facilita trocar de cápsula, e a própria Cambridge sugere o primeiro passo: a agulha elíptica 3600LE, que, segundo o fabricante, encaixa em segundos no lugar da original. Somando a possibilidade de desligar o pré interno, o caminho de upgrade é claro: primeiro a agulha, depois um pré de phono melhor e, eventualmente, outra cápsula. Quem for trocar de cápsula deve conferir nosso guia de como instalar e alinhar a cápsula do toca-discos, já que o alinhamento de fábrica se perde na troca.
Na nossa leitura, faltam informações para avaliar o quanto o braço aguenta cápsulas mais exigentes, mas a combinação de braço ajustável, headshell destacável e pré comutável é mais flexível do que o habitual nessa faixa. A comparação natural é com o Rega Replay, outro lançamento recente de entrada que também aposta em vir pronto para tocar.
Cores, preço e disponibilidade
São cinco acabamentos: preto, branco, azul, verde e laranja, os mesmos das caixas ativas L/R da marca. Os preços oficiais são de US$ 499 nos Estados Unidos, £ 329 no Reino Unido e € 349 na zona do euro, segundo as páginas regionais da Cambridge Audio consultadas em 16 de outubro de 2026. Naquela data, as lojas oficiais ainda exibiam lista de espera, sem data de entrega informada. Ainda não há preço oficial nem previsão de chegada ao Brasil.
As medidas são de 41,8 x 34,3 x 12,2 cm (L x P x A) e o peso líquido é de 5,95 kg, com consumo de 5 W.