Mexer num clássico é sempre arriscado, e a Neumann sabe disso. O KH 310 A passou mais de uma década como referência em salas de mixagem e masterização mundo afora, justamente por um médio que muita gente considera dos mais honestos do mercado. Em 10 de setembro de 2026, a fabricante alemã anunciou o sucessor, KH 310 II, e um modelo inédito, o KH 350, ambos monitores ativos de três vias com uma nova plataforma de DSP de 32 bits. A proposta é clara: preservar o que funcionava e resolver o que já pedia atualização, sobretudo potência e integração com sistemas de correção de sala.
O que muda no KH 310 II
Segundo a Neumann, o KH 310 II mantém o gabinete selado e as mesmas dimensões externas do antecessor, o que permite trocar um pelo outro sem refazer suportes, nichos ou instalações embutidas. Também continua ali o domo macio de médios de 3 polegadas (75 mm), peça central da fama do modelo original. O resto foi reengenheirado: woofer novo de 210 mm (8,25″), quase o dobro de potência de amplificação, DSP novo, menor distorção e 5 dB a mais de SPL máximo em relação ao KH 310 A.
Na ficha técnica divulgada pela imprensa especializada, a amplificação soma 585 W (300 W no woofer, 160 W no médio e 125 W no tweeter, medidos a 10% de THD+N com limitador desligado). A resposta em campo livre vai de 33 Hz a 21 kHz (±3 dB), com cortes em 700 Hz e 1.700 Hz e inclinação de 24 dB/oitava. O SPL máximo informado é de 115,4 dB a 1 metro.
Com o KH 310 II, trabalhamos muito para manter tudo o que os usuários adoram no original e, ao mesmo tempo, elevar o desempenho em praticamente todas as áreas.
Roman Kramer, gerente de produto da Neumann
KH 350: o novo degrau entre o 310 e o 420
O KH 350 é o lançamento mais interessante do par. Ele usa os mesmos alto-falantes (tweeter de 1″, médio de 3″ e woofer de 8,25″), mas num gabinete bass-reflex quase duas vezes maior, com volume interno de 35 litros contra 16,2 litros do KH 310 II, e arranjo vertical dos falantes. O resultado prometido é grave mais profundo, com extensão até 27 Hz (-6 dB), e mais pressão sonora: 116,6 dB a 1 metro. Um guia de onda MMD de grande porte controla a dispersão, o que, segundo a Neumann, torna o modelo adequado também para os canais LCR e surround de sistemas imersivos.
Na prática, o KH 350 ocupa o espaço entre o KH 310 II e o topo de linha KH 420. É o monitor para quem trabalha em salas maiores, a distâncias de audição de campo médio, ou produz gêneros com muito grave e ainda não quer depender de um subwoofer. São 20 kg por caixa, contra 13 kg do irmão menor.
DSP, AES3 e correção de sala MA 1
Os dois modelos têm entrada analógica XLR balanceada e entrada e saída digitais AES3id por BNC, além do suporte ao MA 1, o sistema de alinhamento automático de monitores da Neumann. É aqui que a atualização faz mais diferença no dia a dia. Poucas salas de home studio são tratadas de verdade, e um monitor de referência que vem pronto para medir e compensar a acústica do ambiente tende a entregar mais do que outro, tecnicamente superior, instalado num quarto cheio de problemas.
Preço e disponibilidade
Nos Estados Unidos, a eCoustics lista o KH 310 II a US$ 2.999 e o KH 350 a US$ 3.599, por unidade, e o kit de correção MA 1 a US$ 299. Na Europa, revendedores autorizados trabalham com valores na casa de €2.999 e €3.599 por caixa. Até o fechamento deste texto, não encontramos anúncio de preço ou data de chegada ao Brasil. Com impostos de importação sobre um par, a conta por aqui tende a ficar bem acima do câmbio direto.
Vale a atenção?
Para o dono de um KH 310 A, a pergunta não é se o novo modelo é melhor, porque no papel ele claramente é. A pergunta é se 5 dB a mais, graves mais firmes e o ecossistema MA 1 justificam trocar um monitor que continua excelente. Para quem está montando uma sala de mixagem séria agora, o KH 310 II vira candidato natural. O KH 350, por sua vez, entra em briga direta com Genelec 8341A e Focal Trio6 ST6, dois rivais fortes na mesma faixa de preço.
Há ainda um público que costuma ser esquecido nesse segmento: o ouvinte doméstico que quer precisão e prefere eliminar amplificadores, crossovers passivos e a loteria da combinação de componentes. Um par de monitores ativos com DSP e correção de sala resolve muito disso de uma vez. Não é barato, mas é uma abordagem coerente, e a Neumann tem histórico para sustentar a promessa.
Fontes: comunicado oficial da Neumann (10/09/2026) e eCoustics.