Reviews 25 SET 2026

Review AirPods Pro 3: o cancelamento de ruído que faltava, com um som que divide opiniões

Um ano após o lançamento, os AirPods Pro 3 chegam perto dos R$ 2.000 no varejo. O ANC e a bateria impressionam; a nova assinatura sonora em V nem tanto.

REVIEWS

Um ano depois do lançamento, os AirPods Pro 3 deixaram de ser novidade e viraram outra coisa: o fone que a maioria dos donos de iPhone vai comprar sem pensar duas vezes. A pergunta que importa agora, com o preço nas lojas brasileiras caindo para perto de R$ 2.000, é outra — eles merecem esse lugar pelo som, ou só pelo ecossistema? A resposta curta: o cancelamento de ruído e o pacote de recursos são de primeira linha; a assinatura sonora é a parte mais discutível do conjunto.

O que mudou em relação aos AirPods Pro 2

Por fora, a Apple mexeu menos do que parece. O chip continua sendo o H2, o mesmo da geração anterior, e o formato com haste segue reconhecível. As mudanças estão em outros lugares: um novo desenho de corpo, mais anatômico, pontas de silicone com espuma injetada no interior (agora em cinco tamanhos, do XXS ao L), sensor de frequência cardíaca por PPG infravermelho em cada fone, certificação IP57 para fones e estojo e uma arquitetura acústica revista, com driver próprio de alta excursão e amplificador de alta faixa dinâmica.

A Apple fala em cancelamento de ruído até duas vezes mais eficaz que o dos AirPods Pro 2. Número de marketing, claro, mas as medições independentes confirmam o salto: o Pro 3 atenua muito melhor a faixa de vozes e ruídos de escritório, justamente onde os fones in-ear costumam sofrer.

Cancelamento de ruído: aqui ele briga no topo

Esse é o grande argumento de venda. As novas pontas com espuma melhoram a vedação passiva, e o ANC trabalha em cima de uma base mais silenciosa. O resultado é um fone que encara ônibus, metrô e cabine de avião no mesmo nível dos melhores da categoria, como o Bose QuietComfort Ultra Earbuds e o Sony WF-1000XM5. Em teclado de colega e conversa na mesa ao lado, a diferença para o Pro 2 é perceptível logo nos primeiros minutos.

O modo Transparência continua sendo referência — natural, sem aquele chiado de microfone aberto que denuncia muitos concorrentes —, e o Áudio Adaptativo mistura os dois modos de forma competente. Quem passa o dia alternando entre rua e escritório vai usar mais o adaptativo do que imagina.

Encaixe: melhor para muitos, não para todos

A Apple claramente trabalhou o encaixe, e o tamanho XXS inédito ajuda quem tem canal auditivo pequeno. Para boa parte dos usuários, a combinação de corpo redesenhado e ponta com espuma resolveu o velho problema do fone que vai escorregando da orelha durante a caminhada.

Mas não dá para vender isso como solução universal. Houve relatos consistentes, em reviews internacionais e no fórum da própria Apple, de gente para quem o novo formato ficou pior: o acabamento brilhante e o silicone liso da ponta tendem a deslizar quando a pele esquenta e sua. Recomendação prática: se puder, experimente antes de comprar, e teste todos os tamanhos de ponta — inclusive tamanhos diferentes em cada ouvido.

Som: mais grave, mais brilho, menos neutralidade

Aqui está o ponto em que discordamos de parte do entusiasmo geral. Os AirPods Pro 2 tinham uma assinatura relativamente contida e natural. O Pro 3 foi para um caminho mais em V: grave mais encorpado e presente, agudos com mais brilho e uma região média menos uniforme. Em pop, eletrônica e hip-hop, o resultado é empolgante, com batida cheia e sensação de clareza imediata. Em gravações acústicas, vozes femininas e rock com pratos abertos, os picos na região aguda podem cansar em volumes mais altos.

Não é um som ruim — está longe disso —, mas é menos “correto” do que o antecessor. O EQ Adaptativo, que ajusta a resposta conforme a vedação, ajuda a manter a consistência, só que o usuário continua sem um equalizador paramétrico de verdade no iPhone para domar esse brilho. Os ajustes de acessibilidade e os perfis de audição personalizados quebram um galho, e só.

Outro limite conhecido: a conexão é Bluetooth 5.3 com AAC. Nada de LDAC, aptX ou áudio lossless sem fio. Para o público-alvo, que escuta Apple Music ou Spotify no iPhone, isso pesa pouco. Para quem quer extrair o máximo de arquivos em alta resolução, os concorrentes Android com LDAC levam vantagem técnica.

O Áudio Espacial Personalizado com rastreamento de cabeça continua sendo o melhor da categoria para filmes e séries — e é aí que o grave mais generoso faz muito sentido.

Frequência cardíaca, tradução e saúde auditiva

O sensor de frequência cardíaca é a novidade que mais chamou atenção no lançamento. Ele se integra ao app Fitness do iPhone e acompanha cerca de 50 tipos de treino, útil para quem corre ou pedala sem Apple Watch. Para quem já tem o relógio, é um recurso redundante. O detalhe: com o sensor ativo durante o treino, a bateria cai para até 6,5 horas.

A Tradução ao Vivo é um bom truque para viagem, mas depende do iPhone compatível, da Apple Intelligence e dos idiomas suportados — vale conferir a disponibilidade para o português antes de contar com ela. Já as funções de saúde auditiva (proteção contra ruídos altos e teste de audição) continuam entre os diferenciais mais subestimados da linha; a função de aparelho auditivo, por sua vez, tem disponibilidade que varia conforme a regulação de cada país.

Bateria e estojo

A autonomia finalmente ficou à altura do preço: até 8 horas por carga com ANC ligado, segundo a Apple, e até 10 horas no modo Transparência com aparelho auditivo. Testes independentes chegaram a pouco mais de 8h40 com cancelamento ativo, um salto enorme em relação às cerca de 5h40 medidas no Pro 2. Somando o estojo, são até 24 horas com ANC. O estojo carrega por USB-C, MagSafe, carregador do Apple Watch ou Qi, tem alto-falante para o Buscar e cinco minutos de carga rendem cerca de uma hora de uso.

Chamadas e uso fora do ecossistema

O isolamento de voz com os microfones de feixe continua competente, com voz clara mesmo na rua. Controles por pressão na haste e ajuste de volume por deslize seguem entre os mais intuitivos do mercado.

Agora, o aviso de sempre: fora do iPhone, os AirPods Pro 3 são um fone Bluetooth caro. No Android eles conectam e tocam, mas você perde troca automática entre aparelhos, áudio espacial personalizado, frequência cardíaca, ajustes finos e boa parte do que justifica o preço. Se o seu celular não tem uma maçã atrás, compre outra coisa.

Preço no Brasil e concorrência

O preço oficial da Apple no Brasil é de R$ 2.699. No varejo, porém, a história é outra: em setembro de 2026 ele apareceu por R$ 1.999,99 no Pix na Amazon, o menor valor desde julho. Nessa faixa, ele disputa diretamente com o Sony WF-1000XM5 e o Bose QuietComfort Ultra Earbuds de 2ª geração. O Sony entrega som mais equilibrado e LDAC; o Bose ainda é o rei do silêncio absoluto. O AirPods Pro 3 vence no pacote: integração com o iPhone, transparência, áudio espacial, saúde auditiva e bateria agora competitiva.

Vale a pena?

Para quem usa iPhone e está saindo de um AirPods Pro de primeira geração, ou de qualquer TWS intermediário, sim — é o upgrade mais completo que a Apple já fez na linha. Para quem tem AirPods Pro 2 em bom estado, o ganho real está no ANC e na bateria; se você gostava do som mais neutro do Pro 2, pode até estranhar o novo acerto. E, se o preço estiver acima de R$ 2.300, espere: ele entra em promoção com frequência.

O melhor AirPods Pro já feito em cancelamento de ruído, bateria e recursos — mas não o mais fiel em som. Para quem vive no iPhone, é a escolha óbvia; para audiófilos, é uma escolha com ressalvas.

Veredito do Guia do Áudio

Onde comprar

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VEREDITO TÉCNICO · GA REVIEW
8,6
/ 10.0
RECOMENDADO
RESPOSTA TONAL
Graves
82
Médios
70
Agudos
72
Soundstage
74
Detalhe
74
Conforto
80
FICHA TÉCNICA
TIPOTWS in-ear com haste
CHIPApple H2
DRIVERDriver Apple de alta excursão + amplificador de alta faixa dinâmica
CONECTIVIDADEBluetooth 5.3 (AAC)
CANCELAMENTO DE RUíDOANC adaptativo, Transparência, Áudio Adaptativo
BATERIAAté 8 h com ANC (24 h com estojo)
SENSORESFrequência cardíaca (PPG), acelerômetros, detecção de pele
RESISTêNCIAIP57 (fones e estojo)
PONTASSilicone com espuma, tamanhos XXS a L
PESO5,55 g por fone; estojo 43,99 g
CARREGAMENTOUSB-C, MagSafe, Qi, carregador do Apple Watch
✓ A FAVOR
  • Cancelamento de ruído entre os melhores da categoria
  • Bateria de até 8 horas com ANC, enfim competitiva
  • Transparência e áudio espacial de referência
  • Sensor cardíaco e IP57 ampliam o uso em treinos
× CONTRA
  • Assinatura em V com agudos que podem cansar
  • Encaixe novo não agrada a todos
  • Sem LDAC/lossless e muito limitado no Android
⌬ FIM · 7 min de leitura

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