Quando a Meze Audio — marca romena conhecida pelos planares magnéticos Empyrean e Elite, que custam mais do que muita motocicleta — resolveu descer à faixa dos US$ 799 com um driver dinâmico convencional, houve quem torcesse o nariz. Driver dinâmico? Para quê? O 109 Pro é a resposta: para quem quer ouvir música com emoção, não com bisturi. E ele faz isso com uma elegância que poucas marcas da faixa conseguem.
Construção e conforto: madeira viva
As conchas em nogueira preta (black walnut) de origem sustentável são a primeira coisa que chama atenção. Não é apenas estética: a madeira tem propriedades acústicas naturais que contribuem para a ressonância controlada do gabinete. A armação combina zinco e aço manganês, com acabamento em couro vegano e almofadas de veludo (velour) respiráveis. O peso de 375 g é distribuído por uma headband autoajustável que, na prática, faz você esquecer que está usando um fone — pelo menos na primeira hora.
Sim, há um porém. Dependendo do formato da cabeça, a pressão lateral pode incomodar em sessões longas de duas horas ou mais. Não é universal — há quem use o dia inteiro sem reclamar —, mas é algo a considerar se você tem sensibilidade na região temporal. De resto, o conforto é de alto nível, acima do que a maioria dos rivais oferece nessa faixa.
A Meze fez questão de tornar todas as peças substituíveis. Almofadas, cabos, headband: tudo pode ser trocado. É uma filosofia de sustentabilidade rara no segmento e que agrega valor real ao investimento.
Som: calor com clareza
O driver dinâmico de 50 mm usa um diafragma que a Meze chama de Dual-Composite: polímero revestido de berílio combinado com fibra de carbono-celulose. O objetivo é equilibrar baixa massa (para velocidade transiente) com alta rigidez (para controle). Na prática, funciona.
Os graves são substanciais sem serem invasivos. O mid-bass tem velocidade e textura, com boa recuperação e impacto moderado — perfeito para jazz, rock acústico e qualquer gênero que peça corpo sem exagero. O sub-bass não chega à extensão abissal de um planar como o Sundara, mas entrega o suficiente para que a base rítmica de uma faixa de hip-hop não soe anêmica.
Os médios são o ponto forte do 109 Pro. Vozes — tanto masculinas quanto femininas — ganham uma textura quase tátil, com mínima coloração. Há um leve reforço na faixa de 2-4 kHz que coloca vocais à frente da mixagem, o que funciona maravilhosamente bem em gravações acústicas e pode soar ligeiramente agressivo em produções digitais modernas que já carregam nessa região.
Os agudos são brilhantes sem causar fadiga — um equilíbrio difícil de acertar. Há boa dose de ar e espaço, com extensão até 30 kHz que se traduz em sensação de abertura natural. O palco sonoro divide opiniões: é espaçoso o bastante para simular a experiência de alto-falantes estéreo numa sala, mas não chega à vastidão panorâmica de alguns concorrentes open-back na mesma faixa. A apresentação é mais íntima e envolvente do que analítica.
Contra quem ele briga
O Sennheiser HD 660S2 é mais quente e com mais sub-bass, mas tem palco sonoro mais estreito e menor resolução nos médios e agudos. O HiFiMAN Sundara, a um terço do preço, oferece palco sonoro mais largo e agudos mais estendidos — é a escolha racional do custo-benefício, mas perde em acabamento, conforto e na entrega emocional dos médios. O Beyerdynamic DT 900 Pro X custa menos de US$ 270 e não precisa de amplificador, mas não chega perto do refinamento sonoro e da sofisticação material do Meze.
O 109 Pro se posiciona como a opção para quem quer mais do que specs: quer um objeto bonito, sustentável e com personalidade sonora própria. Não é o mais neutro, não é o mais barato, mas é um dos mais completos abaixo de US$ 1.000.
Veredicto
O Meze 109 Pro é um fone que aposta no prazer. Ele não vai revelar defeitos de gravação com crueldade cirúrgica — para isso, existem monitores de estúdio. Mas vai transformar sessões de escuta em algo que se espera com ansiedade, com um som rico, envolvente e emocionalmente honesto. A construção em madeira e metal é de outro patamar para a faixa de preço, e a filosofia de peças substituíveis demonstra respeito tanto pelo consumidor quanto pelo planeta.
Se a pressão lateral incomodar, experimente antes de comprar. Mas se o encaixe for bom na sua cabeça, o 109 Pro é um dos melhores investimentos abaixo de R$ 5 mil no universo dos fones audiófilo.
Onde comprar
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