A Ultimate Ears construiu sua reputação fazendo caixas Bluetooth coloridas, resistentes e fáceis de usar. A Epicboom é o topo dessa pirâmide: a maior, a mais grave e a mais cara da linha. Mas será que ela justifica os quase R$ 2.500 num mercado lotado de opções da JBL, Sony e Marshall?
Design e construção
A Epicboom mantém o formato cilíndrico clássico da UE, mas numa escala visivelmente maior. Com cerca de 2,1 kg e dimensões generosas (22,2 × 13,5 × 13,5 cm), ela não cabe no bolso — mas cabe tranquilamente numa mochila ou na mão, graças à alça integrada na parte superior. O revestimento é de tecido reciclado e plástico reaproveitado, um aceno ambiental que a UE tem levado a sério.
A certificação IP67 garante proteção total contra poeira e submersão em até 1 metro de água por 30 minutos. Ela flutua. Pode ir para a piscina, a praia ou o churrasco sem drama. A construção sobrevive a quedas de até 1 metro sem danos estruturais.
Som e desempenho
Aqui mora o grande diferencial. A Epicboom usa dois transducers de 45 mm para médios e agudos e um woofer dedicado de 120 mm para graves. O resultado é um som 360° que finalmente entrega corpo de verdade na região grave, algo que as Boom e Megaboom sempre deixaram a desejar.
O volume máximo atinge 94 dB (95 dB com Outdoor Boost), o suficiente para preencher um quintal ou uma sala de estar com folga. A dispersão é impressionantemente uniforme: sentado atrás ou ao lado, você não perde detalhes como acontece em caixas com drivers apenas frontais.
O EQ adaptativo ajusta automaticamente a resposta de frequência ao ambiente. Em espaços fechados, os graves são contidos para evitar embolamento; ao ar livre, ganham reforço. Funciona bem na maioria dos cenários, embora ouvidos exigentes prefiram ajustar manualmente pelo app.
A Epicboom finalmente deu à Ultimate Ears o que faltava: um woofer que entrega graves com peso, sem sacrificar a portabilidade que é marca da casa.
Impressão durante os testes
Conectividade e bateria
Bluetooth 5.2 com alcance de até 55 metros em campo aberto. Sem Wi-Fi, sem AirPlay, sem entrada auxiliar — a UE mantém a filosofia minimalista. Não há suporte a LDAC ou aptX, apenas SBC e AAC. Para ouvidos audiófilos, isso é uma limitação real; para o público-alvo (festas, outdoor, uso casual), faz pouca diferença prática.
A bateria promete 17 horas e, em testes a 60% de volume, entrega algo entre 15 e 16 horas — resultado honesto. O carregamento é via USB-C, finalmente abandonando o micro-USB que ainda assombra outros modelos da linha.
O modo PartyUp permite conectar até 150 caixas UE simultaneamente. Na prática, 2 a 4 unidades já cobrem qualquer festa com sobra.
App e personalização
O app da UE (disponível para iOS e Android) permite ajustar o EQ com cinco bandas, ativar ou desativar o Outdoor Boost, verificar nível de bateria e configurar o PartyUp. É funcional, sem firulas. Falta integração com assistentes de voz e não há modo de pareamento estéreo com outra Epicboom — uma ausência notável nessa faixa de preço.
Veredicto
A UE Epicboom é a melhor caixa Bluetooth que a Ultimate Ears já fez. O woofer de 120 mm resolve o calcanhar de Aquiles histórico da marca na região grave e o som 360° é dos mais uniformes do mercado. A construção é à prova de aventura e a bateria dura um dia inteiro. Mas a falta de LDAC, pareamento estéreo e Wi-Fi pesa quando você olha o preço e compara com opções como a JBL Xtreme 4 ou a Sony SRS-XG300. Se o ecossistema UE e a dispersão 360° são prioridade, é compra certa. Se codec e versatilidade contam mais, olhe ao redor.