Numa categoria dominada por barras longas e subwoofers volumosos, a Sonos Beam Gen 2 faz uma aposta ousada: entregar Dolby Atmos numa soundbar de apenas 65 centímetros, sem nenhum driver apontando para cima. O truque é psicoacústico — e funciona melhor do que qualquer cético esperaria.
Design e instalação
A Beam Gen 2 é bonita daquela forma que só a Sonos consegue: minimalista, com acabamento em policarbonato perfurado que lembra tecido e um perfil tão baixo que desaparece sob qualquer TV de 50 polegadas ou mais. Com 65,1 × 6,9 × 10 cm e 2,8 kg, ela é discretíssima. A conexão é via HDMI eARC — cabo incluso — e a configuração pelo app Sonos leva menos de cinco minutos.
O Trueplay merece parágrafo próprio. Usando os microfones embutidos, a Beam analisa a acústica da sua sala e ajusta automaticamente a equalização para compensar reflexões, paredes próximas e móveis. O resultado é perceptível: o som se abre, os diálogos ganham clareza e os graves se integram melhor ao ambiente. A ressalva é que o Trueplay avançado funciona apenas com dispositivos iOS — um limitação que, em 2026, já passou da hora de ser resolvida.
Qualidade sonora
São quatro mid-woofers elípticos, um tweeter central de seda e três radiadores passivos, cada um com seu amplificador Class-D dedicado. O resultado é impressionante para o tamanho: diálogos cristalinos, médios ricos e uma presença de graves que desafia as dimensões compactas.
O Dolby Atmos é processado virtualmente — não há drivers up-firing. A Sonos usa HRTF (Head-Related Transfer Functions) para simular altura, e o efeito é surpreendentemente convincente em salas pequenas e médias. Chuva parece cair de cima, efeitos ambientes envolvem o ouvinte. Não é o mesmo que drivers físicos apontados para o teto, mas é o melhor Atmos virtual que já ouvimos numa barra compacta.
O ponto fraco são os graves profundos. A Beam Gen 2 se sai bem com explosões de cinema e graves musicais médios, mas não tem a extensão de um subwoofer dedicado. A Sonos resolve isso vendendo o Sonos Sub Mini — por mais R$ 3.500. É eficiente, mas caro.
Para diálogos e filmes em salas até 25 m², a Beam Gen 2 é tudo o que você precisa. Para graves cinematográficos de verdade, ela é apenas o começo.
Impressão sonora
Ecossistema e streaming
A Beam Gen 2 roda Sonos S2, com suporte a Spotify Connect, Apple AirPlay 2, Amazon Music e dezenas de serviços de streaming integrados. A integração multiroom com outras caixas Sonos é impecável — e esse é o verdadeiro trunfo da marca. É possível adicionar rear speakers (como o Sonos Era 100) para surround real, transformando a Beam em um home theater completo sem fios.
No Brasil, os assistentes de voz Alexa e Google Assistant não funcionam na Beam Gen 2 — uma limitação regional. O app Sonos compensa parcialmente, mas quem esperava controle por voz ficará frustrado.
Veredito
A Sonos Beam Gen 2 é a melhor soundbar compacta para quem valoriza refinamento sonoro, integração de ecossistema e design discreto. O Dolby Atmos virtual funciona, o Trueplay é transformador e a expansibilidade para surround é imbatível. Mas R$ 5.000 por uma barra sem subwoofer, sem assistente de voz no Brasil e com Trueplay limitado a iOS são barreiras reais. Se você já está no ecossistema Sonos ou pretende entrar, é a porta de entrada mais elegante. Se não, há alternativas com mais funcionalidades por menos.