A Marshall demorou sete anos para renovar a Stockwell, e o resultado mostra que o tempo foi bem investido. A Stockwell III chega ao mercado em agosto de 2026 como uma proposta ambiciosa: entregar o DNA sonoro da Marshall — aquele médio encorpado, o grave controlado, os agudos brilhantes — num formato compacto o suficiente para caber na bolsa. Depois de algumas semanas com ela, posso dizer que a espera valeu a pena, embora o preço de entrada exija reflexão.
Design e construção
Se existe uma marca que entende de identidade visual no áudio, é a Marshall. A Stockwell III mantém o visual clássico com acabamento em vinil texturizado, detalhes em latão escovado e a icônica tipografia branca. Disponível em preto ou creme, ela transmite sofisticação sem ser ostensiva.
A alça em couro PU é mais do que decorativa: é funcional e confortável para transporte. Com 1,3 kg e dimensões de 181 × 150 × 72 mm, a Stockwell III é substancial sem ser pesada. A construção é impecável, com cada detalhe transmitindo qualidade premium.
A certificação IP55 protege contra jatos d’água e poeira, mas não permite submersão — uma limitação frente a concorrentes com IP67/68. Para uso em piscina, existem opções mais seguras; para o dia a dia e churrascos ao ar livre, a proteção é mais do que suficiente.
Qualidade sonora
Aqui a Stockwell III realmente brilha. O sistema de som 360° utiliza um amplificador Class D de 65W para o woofer e dois amplificadores de 31W cada para os drivers full-range, totalizando uma potência impressionante para o tamanho. A resposta de frequência de 54 Hz a 20 kHz confirma o que os ouvidos percebem: graves profundos e controlados, surpreendentes para uma caixa deste porte.
Os médios são o ponto forte — e isso é muito Marshall. Vocais soam presentes, guitarras têm corpo e textura, e instrumentos acústicos ganham uma naturalidade que poucos concorrentes nessa faixa entregam. Os agudos são vibrantes sem serem fatigantes, com brilho suficiente para dar vida a pratos e harmônicos sem sibilância.
O som 360° funciona de verdade: posicione a caixa no centro de um grupo e todos terão uma experiência sonora consistente. Em volumes altos, a Stockwell III mantém compostura impressionante, sem distorção perceptível mesmo perto do máximo.
Recursos e conectividade
Bluetooth 5.3 com multipoint permite alternar entre dois dispositivos sem desconectar — útil para quem transita entre celular e notebook. O app Marshall permite ajustar o equalizador com os clássicos controles de Bass, Mid e Treble que remetem aos amplificadores da marca.
As conexões incluem USB-C para carregamento e entrada auxiliar de 3,5 mm para fontes cabeadas. A bateria substituível é um diferencial importante: quando a bateria perder capacidade após anos de uso, basta trocar — sem precisar descartar a caixa inteira. É uma postura de sustentabilidade que deveria ser padrão na indústria.
Bateria
Quarenta horas. É o que a Marshall promete, e é um número que muda a forma como você usa uma caixa portátil. Nos meus testes em volume moderado, cheguei a 35 horas antes de precisar recarregar. Mesmo em volumes mais altos, a autonomia ultrapassa facilmente as 25 horas. É o tipo de bateria que você carrega na sexta e esquece até a semana seguinte.
Veredicto
A Marshall Stockwell III é uma das melhores caixas Bluetooth portáteis que já testei. O som é envolvente e honesto, a bateria é absurda, e a construção exala qualidade. A proteção IP55 fica aquém de concorrentes mais aventureiros, e o preço estimado de R$ 1.499 no Brasil é salgado. Mas se o orçamento permite e a prioridade é qualidade sonora aliada a design impecável, a Stockwell III entrega uma experiência que justifica cada centavo.
A Stockwell III é Marshall em sua melhor forma: som autêntico, construção premium e uma bateria que redefine o padrão da categoria.
Redação Guia do Áudio