A dinamarquesa Soundboks apresentou em 19 de março de 2026 a Soundboks Mix, à venda desde 26 de março por US$ 799 (€ 699 / £ 599). Ela ocupa o espaço entre a Soundboks 4, de 15 kg, e a compacta Soundboks Go — e faz isso ignorando quase tudo que virou obrigatório em caixa de festa nos últimos três anos.
Sem show de luzes. Sem Auracast. Sem inteligência artificial no nome de nenhum recurso. O que ela tem é 121 dB de pressão sonora máxima saindo de um gabinete de 9,7 kg.
O que existe dentro
A configuração é direta: um woofer de 10 polegadas e um tweeter dome de 1,2 polegada, acionados por dois amplificadores classe D da Texas Instruments de 72 W RMS cada, operando em modo PBTL. A faixa de resposta vai de 40 Hz a 20 kHz, com um DSP chamado Adaptive Bass Enhancer.
Repare no contraste com o marketing da concorrência. A Soundboks declara 144 W de amplificação e 121 dB de SPL máximo. Rivais anunciam 140, 160, 240 watts. A diferença é que a Soundboks está publicando watts RMS reais por canal e uma medida de pressão sonora, que é o número que de fato descreve o quão alto a caixa toca. Watt de pico é ficção contábil; dB é física.
A bateria é o argumento principal
Aqui está a decisão de projeto mais interessante. A Mix usa um pack LiFePO4 removível de 12,8 V e 7,8 Ah (99,84 Wh). Fosfato de ferro-lítio é uma química diferente da que quase toda caixa Bluetooth usa: aguenta muito mais ciclos de carga, é mais estável termicamente e degrada bem mais devagar. Em compensação, é mais pesada e menos densa em energia — o que explica parte dos 9,7 kg.
A autonomia declarada é de 40 horas em volume médio e 8 horas no volume máximo. E o pack é trocável: acabou, você põe outro e a festa continua. A recarga é por USB-C a até 65 W, com cerca de duas horas para completar usando o carregador da marca.
Combine isso com a construção — gabinete em ABS e policarbonato, cantos com esferas de silicone, eletrônica com revestimento IP65 e design modular reparável — e o que se desenha é uma proposta de longevidade, não de espetáculo. É a antítese da caixa descartável.
TeamUp em vez de Auracast
A Soundboks não adotou o padrão do momento. O sistema multi-caixa é o TeamUp, que roda sobre SKAA — um protocolo de rádio sem fio diferente do Bluetooth — e conecta até cinco unidades Soundboks (Mix, Soundboks 4 e Soundboks Go) em estéreo real e sem latência perceptível.
É uma escolha defensável: SKAA foi projetado para áudio sincronizado de baixa latência, algo em que o Auracast ainda tropeça. Mas ela tem um custo óbvio — você fica preso ao ecossistema Soundboks, sem interoperabilidade com nada.
Um ponto que merece checagem: a ficha técnica oficial da Soundboks lista Bluetooth 4.2. Para um produto de 2026, isso é conservador ao ponto de parecer erro de digitação. Os codecs não são publicados. Há uma entrada estéreo de 3,5 mm com plugue TRS.
O aplicativo cuida do resto: volume, EQ personalizado, perfis de som por ambiente, atribuição de canal (esquerdo, direito ou mono), controles de TeamUp com opção de baixa latência, atualização de firmware e — detalhe pensado para uso profissional — proteção por PIN tanto no app quanto na conexão de áudio, para ninguém sequestrar o som do seu evento.
A frase do CEO
O mercado de caixas de festa é unidimensional, forçando uma escolha entre potência e portabilidade. Com a Soundboks Mix, eliminamos a necessidade de escolher entre as duas.
Jesper Theil Thomsen, CEO da Soundboks, em março de 2026
É marketing, claro. Mas é marketing com base: 121 dB em 9,7 kg é uma relação genuinamente difícil de bater. A JBL PartyBox Club 120, que entrega 160 W RMS, pesa 11 kg e é apenas IPX4. A Soundboks Mix pesa menos, protege melhor a eletrônica e tem bateria trocável.
E no Brasil?
Aqui vem a má notícia. Não encontramos distribuidor oficial da Soundboks no Brasil nem preço em reais. A marca vende direto do site europeu, o que significa importação por conta do comprador, com imposto, ICMS e frete internacional de um objeto de quase 10 kg. Na prática, os US$ 799 viram algo bem acima de R$ 6.000 até chegar na sua casa.
Nessa faixa, no mercado nacional, você compra uma JBL PartyBox Club 120 com nota fiscal e garantia por R$ 1.809 e ainda sobra dinheiro. A Soundboks Mix não é uma recomendação de compra para o Brasil — é um caso a observar.
Porque o que ela representa importa: uma fabricante decidindo que bateria trocável, reparabilidade e pressão sonora honesta são argumentos de venda melhores do que LED sincronizado e selo de Auracast. Se essa aposta der certo na Europa, a pressão para o resto da indústria seguir é real. E aí quem ganha somos todos nós.