A Sony SRS-XE300 é uma caixa Bluetooth que tenta fazer tudo diferente. O formato pentagonal vertical, os drivers não circulares X-Balanced e o difusor Line-Shape prometem preencher ambientes de um jeito que caixas cilíndricas convencionais não conseguem. Na teoria, é engenharia sofisticada a serviço do som. Na prática, é uma caixa que impressiona de frente — e decepciona quando você se move.
Construção e design
A XE300 parece um bloco emborrachado com cantos arredondados. O acabamento é robusto e passa confiança: a classificação IP67 garante proteção total contra poeira e submersão em até 1 metro de água por 30 minutos. Os controles físicos no topo são táteis e satisfatórios, com indicadores LED que ajudam na navegação. O formato pentagonal, porém, torna a caixa estranha de segurar com uma mão, e a ausência de alça ou clipe limita a portabilidade real.
Com 1,3 kg e dimensões de 105 × 238 × 119 mm, ela não é pequena nem leve. É uma caixa de mesa ou de mochila — não de bolso.
Som: força na frente, fraqueza nas laterais
O sistema de áudio usa um driver full-range X-Balanced de 49 × 71 mm (formato retangular para maximizar a área de membrana no gabinete) com radiadores passivos duplos. O resultado, quando você está posicionado de frente, é convincente: graves firmes e limpos para o tamanho, médios claros com vocais bem definidos e agudos presentes sem estridência.
O difusor Line-Shape deveria espalhar o som pelo ambiente, mas na prática o palco sonoro é estreitamente direcional. Basta mover-se para o lado e a qualidade cai visivelmente — os agudos somem e o som fica achatado. Em ambientes abertos, a poucos metros de distância, o som já perde corpo.
No volume alto (acima de 75-80%), a compressão e a distorção aparecem. A XE300 não é feita para festas: é uma caixa de escuta próxima que funciona melhor em ambientes internos e volumes moderados.
Bateria: promessa vs. realidade
A Sony promete 24 horas de bateria. Em testes independentes (SoundGuys), a autonomia real foi de cerca de 11 horas e 40 minutos a 75 dB sustentados — menos da metade. A diferença é grande demais para ignorar. O carregamento rápido (10 minutos de carga = 70 minutos de reprodução) ajuda, mas a caixa não vem com carregador de parede, apenas cabo USB-C.
Conectividade
O Bluetooth 5.2 com suporte a SBC, AAC e LDAC é um ponto alto. O LDAC permite streaming de alta resolução de smartphones Android compatíveis. O Google Fast Pair facilita o emparelhamento, e o multipoint conecta dois dispositivos simultaneamente. A ausência de entrada auxiliar (3,5 mm) é uma limitação real para quem ainda precisa de conexão com fio.
Veredito
A Sony SRS-XE300 é uma caixa competente que cobra caro pela marca. O som de frente é bom, a construção é sólida e o suporte a LDAC é bem-vindo. Mas o palco sonoro estreito, a bateria inflada no marketing e a falta de entrada auxiliar a colocam em desvantagem contra concorrentes como a JBL Charge 6 — que soa mais cheia, dura mais e custa menos.
A SRS-XE300 é para quem valoriza a engenharia Sony e vai usá-la principalmente de frente, em ambientes internos. Para todo o resto, há opções melhores.
Redação Guia do Áudio