Há marcas de áudio que são empresas. A Klipsch é, antes de tudo, um homem: Paul Wilbur Klipsch, engenheiro genial, excêntrico assumido e um dos maiores defensores que a alta eficiência sonora já teve. A história da marca se confunde com a obsessão de uma pessoa por um princípio simples e poderoso: cornetas reproduzem som com mais eficiência e menos distorção.
Hope, Arkansas, 1946
Paul Klipsch nasceu em 9 de março de 1904, em Elkhart, Indiana. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu como engenheiro-chefe em um campo de provas de munição em Hope, no Arkansas, liderando milhares de soldados em testes. Mesmo com a rotina exaustiva, ele encontrou tempo para concluir o projeto que o tornaria lenda: a Klipschorn. Visitantes de seus alojamentos de oficial ficavam pasmos com a reprodução sonora daquele alto-falante e o incentivavam a montar um negócio.
Em 1946, ele registrou o nome Klipsch and Associates. A primeira Klipschorn não saiu de uma linha de montagem sofisticada — Paul Klipsch construiu a corneta com as próprias mãos, dentro de um galpão de lata, e o gabinete original foi feito pela marcenaria local, a Reed’s Cabinet Shop. Ele só contrataria seu primeiro funcionário em 1948.
A engenharia da corneta
A ideia central da Klipschorn era usar as paredes do canto da sala como extensão da corneta de graves, multiplicando a eficiência do alto-falante. A seção de baixas frequências foi patenteada em 1945; a de altas frequências, em 1951. O resultado era uma caixa de eficiência altíssima — capaz de encher uma sala com poucos watts — e de uma dinâmica que poucos sistemas alcançavam.
Paul Klipsch acreditava que a maioria do áudio da época era “bullshit” — e mandava distribuir botões com essa palavra para provocar a indústria. A irreverência era parte da engenharia.
Roberta, Guia do Áudio
Um recorde que ninguém quebrou
A Klipschorn tem uma marca que nenhuma outra caixa do mundo possui: está em produção contínua há mais de 70 anos. Pense nisso — um produto de áudio projetado nos anos 1940 que nunca saiu de linha, resistindo a todas as modas e a toda a concorrência. É o testemunho mais eloquente de um projeto que acertou os fundamentos desde o início.
O homem por trás do mito
Paul Klipsch era um personagem. Doutor em engenharia elétrica, detentor de dezenas de patentes, ele cultivava uma persona de provocador da indústria de áudio, atacando o que considerava marketing vazio e exageros técnicos. Vendeu a empresa a um primo de segundo grau em 1989 e faleceu em Hope, no Arkansas, em 2002, aos 98 anos — tendo vivido para ver sua corneta se tornar um clássico atemporal.
O legado
Hoje a Klipsch é uma marca global, com fones, soundbars e caixas ativas modernas. Mas a alma da empresa continua sendo aquela corneta Tractrix que aparece, em alguma forma, em quase todos os seus produtos. Da assinatura sonora viva e eficiente ao espírito irreverente, tudo na Klipsch remete ao homem do galpão de lata em Hope. Poucas marcas de áudio carregam de forma tão visível o DNA de seu fundador.