Toda grande marca de áudio tem uma origem. Poucas têm uma tão improvável quanto a da AKG. Ela não nasceu de um laboratório de pesquisa nem de uma fábrica de eletrônicos — nasceu da necessidade de uma Viena em ruínas, logo após a Segunda Guerra Mundial, da mão de dois homens que se reencontraram por acaso numa rua da cidade.
Um reencontro nas ruas de Viena
Em 1947, Dr. Rudolf Görike reencontrou um velho conhecido do período pré-guerra, Ernst Pless, nas ruas de Viena. Os dois perceberam algo simples: os vienenses, exaustos das privações do pós-guerra, ansiavam por distração — e o cinema era a diversão popular por excelência. O problema é que a maioria das salas de cinema da cidade havia sido destruída ou saqueada durante a guerra, e era quase impossível encontrar peças de reposição para os equipamentos danificados.
A dupla viu uma oportunidade. Compraram equipamento usado de uma fábrica fechada na Hungria e passaram a revendê-lo às salas de cinema vienenses. A empresa que fundaram recebeu o nome de Akustische und Kino-Geräte Gesellschaft — Sociedade de Equipamentos Acústicos e de Cinema. As iniciais ficariam para a história: AKG.
Da sala de projeção para o microfone
O negócio do cinema foi apenas o começo. A AKG migrou rapidamente para o que se tornaria sua verdadeira vocação: microfones e fones de ouvido. E foi aí que a marca começou a escrever capítulos da história do áudio. A empresa desenvolveu o D12, o primeiro microfone dinâmico cardioide de diafragma único do mundo — um modelo que se tornaria referência absoluta para captação de bumbo e ainda hoje ecoa em incontáveis gravações.
Da escassez do pós-guerra a um catálogo de mais de 300 produtos de áudio profissional: a trajetória da AKG é a de quem transformou improviso em engenharia de referência.
Roberta, Guia do Áudio
Inovações que viraram lenda
A AKG não parou no D12. A empresa lançou o K340, o primeiro fone híbrido dinâmico/eletrostático do mundo, e construiu um catálogo que ultrapassaria 300 produtos de reforço sonoro para os mercados profissional e de consumo — microfones dinâmicos e condensadores, sistemas sem fio e fones com e sem fio. Em estúdios do mundo inteiro, nomes como o lendário condensador C414 e o fone de referência K240 se tornaram ferramentas de trabalho de gerações de engenheiros.
O fim de uma era em Viena
Nem toda história tem um final feliz no lugar onde começou. Em 2016, foi anunciado que as instalações históricas da AKG em Viena — sede, manufatura e engenharia — seriam fechadas em 2017, com a transferência da sede da marca para a Califórnia. Hoje a AKG faz parte da Harman International, por sua vez subsidiária da Samsung Electronics.
O legado
O fechamento das portas vienenses encerrou um ciclo, mas não apagou o legado. Os microfones e fones que a AKG criou ao longo de sete décadas continuam em uso em estúdios, palcos e emissoras pelo mundo. De uma ideia improvisada para abastecer cinemas de uma cidade destruída, nasceu uma das marcas mais respeitadas da história do áudio profissional. Poucas trajetórias são tão vienenses — e tão universais — quanto a da AKG.