Num mercado que lança soundbars novas a cada trimestre, a Sonos Beam Gen 2 faz algo raro: continua relevante quatro anos depois do lançamento. Não por falta de concorrência — Samsung, Sony, JBL e Bose já lançaram dezenas de modelos nesse intervalo —, mas porque a combinação de som competente, Dolby Atmos em chassi compacto e integração com o ecossistema Sonos ainda não foi igualada nessa faixa de tamanho e preço.
Design e construção
A Beam Gen 2 mede apenas 65 cm de largura — pequena o suficiente para caber sob TVs de 43 polegadas sem parecer desproporcional. O corpo em policarbonato com acabamento mate está disponível em preto e branco, e o design minimalista é tão discreto que praticamente desaparece sob a TV. Na parte traseira, há uma entrada HDMI eARC e uma porta Ethernet — sem entrada óptica, o que pode ser limitante para TVs mais antigas.
A configuração de cinco drivers inclui um tweeter central dedicado e quatro woofers elípticos posicionados em ângulo para criar dispersão lateral. Não há drivers upfiring — o Dolby Atmos aqui é virtualizado por processamento digital.
Qualidade sonora
Para uma soundbar de 65 cm, a Beam Gen 2 entrega um palco sonoro surpreendentemente amplo. Os diálogos são o ponto mais forte: vozes são claras, articuladas e centralizadas, sem aquela sensação de que a fala vem de um buraco no meio da sala. É a soundbar que vai resolver o problema de quem reclama que não entende o que os atores dizem nos filmes.
Os médios são ricos e presentes, e a resposta em frequência é notavelmente linear para o tamanho. Os graves existem, mas não espere impacto físico — cenas de explosão e trilhas com sub-bass pedem um subwoofer externo (o Sonos Sub Mini, por exemplo). A Beam Gen 2 sabe que é compacta e não tenta fingir que tem um woofer de 10 polegadas escondido.
O Dolby Atmos virtualizado funciona melhor do que eu esperava. Não substitui drivers upfiring reais, mas em salas pequenas a médias (até 20 m²), a sensação de altura e envolvimento é convincente — especialmente com conteúdo mixado nativamente em Atmos.
Trueplay
O Trueplay é o trunfo da Sonos. Usando o microfone do iPhone, o sistema calibra a soundbar para as características acústicas da sua sala — paredes, móveis, distância da TV. A diferença antes e depois é significativa: o som fica mais equilibrado, os graves mais controlados e o palco sonoro mais definido. Pena que continua restrito ao iPhone.
Conectividade e ecossistema
A Beam Gen 2 é, antes de tudo, um dispositivo Sonos. Isso significa Wi-Fi de banda dupla, AirPlay 2, suporte a mais de 100 serviços de streaming no app Sonos, e a capacidade de expandir para 5.1 real adicionando um Sub e um par de satélites Sonos. O Bluetooth não é nativo na Beam — é tudo via Wi-Fi, o que em termos de qualidade de áudio é uma vantagem.
Veredito
A Sonos Beam Gen 2 não é a soundbar mais potente, não tem os graves mais profundos e não faz Atmos com drivers upfiring reais. Mas é a soundbar compacta mais completa que você pode comprar: som equilibrado com diálogos impecáveis, calibração Trueplay que funciona de verdade, e um ecossistema que cresce com você. No Brasil, o preço em torno de R$ 4.500 é salgado, mas a longevidade do produto — quatro anos e contando — ajuda a justificar o investimento.