Sete anos separam a Stockwell II da Stockwell III. É muito tempo no mundo das caixas Bluetooth — o suficiente para que concorrentes como JBL, Sony e Soundcore lançassem duas ou três gerações de cada modelo. A Marshall usou esse tempo para repensar quase tudo: o sistema de som ganhou configuração 360°, a bateria dobrou de autonomia, a proteção saltou de IPX4 para IP55, e — detalhe que deveria ser padrão da indústria — a bateria é substituível pelo próprio usuário. A terceira geração não apenas alcançou as rivais; em vários aspectos, as ultrapassou.
Design: DNA Marshall intacto
A estética de amplificador continua sendo o maior diferencial visual da linha. O revestimento em vinil texturizado, os knobs de metal dourado e a grade frontal com o logotipo cursivo fazem da Stockwell III um objeto que você quer deixar à mostra na mesa de centro — não esconder numa mochila. As opções de cor são preto, latão (brass) e creme.
A grande mudança estrutural está na modularidade. Grades frontais, traseiras, a capa de silicone, a alça de transporte e a bateria podem ser trocadas pelo usuário. A Marshall vende peças de reposição avulsas, numa aposta de sustentabilidade que a JBL ainda não alcançou de forma tão explícita (apesar da bateria removível da Xtreme 4).
A proteção IP55 garante resistência a jatos de água e poeira — suficiente para uso ao ar livre, embora não sobreviva a submersão como rivais IP67/IP68.
Som: True Stereophonic 360°
O sistema de áudio reúne um woofer de 3 polegadas e dois full-range de 1,75 polegada, cada um alimentado por seu próprio amplificador Classe D, totalizando 96 watts. A Marshall chama a tecnologia de True Stereophonic 360°: o som se dispersa em todas as direções, eliminando o ponto doce e permitindo que todos ao redor da caixa ouçam com qualidade semelhante.
Na prática, o som 360° funciona melhor em mesas e superfícies planas, onde a reflexão complementa a dispersão dos drivers. Posicionada no chão ou em superfícies irregulares, a imagem sonora se fragmenta ligeiramente. O grave é presente e bem definido — não a pancada bruta de uma JBL, mas um grave musical, com textura e controle. Guitarras e vozes masculinas soam particularmente bem, fiel à assinatura Marshall.
O recurso Dynamic Loudness ajusta automaticamente graves e agudos em volumes baixos para manter o equilíbrio tonal — similar ao que a Apple faz com o EQ de compensação de volume, mas aplicado diretamente nos drivers.
Conectividade e app
Bluetooth 5.3 com suporte a SBC, AAC e LC3 (Bluetooth LE Audio). Multipoint e Auracast também estão presentes, permitindo conexão com várias caixas simultâneas. O app Marshall está entre os mais intuitivos do segmento, com equalização por preset e personalizada, controle dos LEDs e atualização de firmware.
Bateria
As 40 horas prometidas são realistas em volume moderado. É, de longe, a maior autonomia entre as caixas Marshall portáteis e uma das maiores do mercado nessa faixa. O carregamento é via USB-C, e a porta também funciona como power bank para dispositivos externos.
Veredito
A Marshall Stockwell III é a caixa Bluetooth que mais evoluiu entre gerações em 2025-2026. O som 360° funciona de verdade, a bateria de 40 horas é líder da categoria, e a repairability com peças substituíveis é um avanço que a indústria precisa copiar. O IP55 é o único ponto que impede a caixa de ser perfeita para qualquer cenário — se você precisa de submersão total, olhe para a JBL ou a Sony. Para todo o resto, a Stockwell III é difícil de bater.