Reviews 05 AGO 2026

Bose SoundLink Revolve+ II: som 360° premium que ainda peca no carregamento

A caixa Bluetooth cilíndrica da Bose entrega som omnidirecional de respeito e bateria para o dia inteiro, mas o preço salgado e a insistência no Micro-USB deixam gosto amargo.

REVIEWS

A Bose SoundLink Revolve+ II é daqueles produtos que provocam reações opostas na mesma hora. Você liga, ouve os primeiros acordes preenchendo o ambiente em 360 graus e pensa: “isso é outra liga”. Aí vira o aparelho de cabeça para baixo, encontra uma entrada Micro-USB em pleno 2026, e a ficha cai — literalmente e figurativamente. Mesmo assim, existe um motivo pelo qual essa caixa continua vendendo bem anos depois do lançamento: poucos concorrentes entregam essa combinação de qualidade sonora, construção sólida e autonomia de bateria.

Design e construção: elegância cilíndrica

O formato cilíndrico da Revolve+ II não é capricho estético — é engenharia. O corpo em alumínio sem costuras esconde um transdutor full-range que dispara o som para baixo, contra um defletor acústico que redistribui as ondas em todas as direções. Dois radiadores passivos complementam o conjunto, reforçando a região grave sem precisar de um gabinete enorme. O resultado é uma dispersão sonora genuinamente uniforme: coloque a caixa no centro de uma mesa e todos ao redor ouvem a mesma coisa, com a mesma qualidade. Isso não é marketing — é física bem aplicada.

Com 910 gramas e dimensões de 18,4 x 10,5 x 10,5 cm, a Revolve+ II é compacta o suficiente para caber numa mochila, mas não dá para chamar de ultraleve. A alça flexível integrada no topo facilita o transporte e permite pendurar a caixa em ganchos ou galhos. A certificação IP55 garante proteção contra jatos d’água e poeira — ótimo para piscina e praia, embora submergir esteja fora de questão.

Qualidade sonora: graves encorpados, médios claros, agudos educados

Aqui está o ponto forte da Revolve+ II, e onde ela justifica parte do preço cobrado. O grave é encorpado e bem controlado para o tamanho do gabinete — bateria de kick drum tem peso, baixo elétrico tem corpo, e nada embola nos volumes moderados. Os médios são a estrela do show: vocais surgem limpos, com presença natural, e instrumentos acústicos têm textura convincente. Os agudos são mais contidos — pratos e hi-hats aparecem sem brilho excessivo, o que evita fadiga auditiva mas também subtrai um pouco de ar e detalhe nas frequências mais altas.

O som omnidirecional funciona melhor em ambientes médios e com a caixa posicionada perto de uma parede, onde as reflexões ampliam a sensação de palco sonoro. Em espaços abertos e muito amplos, a projeção perde fôlego nos volumes máximos — acima de 80% do volume, a distorção começa a dar as caras, especialmente nos graves. Para festas grandes, vale mais parear duas unidades em modo estéreo via app Bose Connect.

Um ponto negativo que incomoda bastante: o aplicativo Bose Connect não oferece equalizador. Zero ajuste de tonalidade. Você fica refém da curva que a Bose definiu de fábrica. Para uma caixa nessa faixa de preço, é uma omissão difícil de engolir.

Bateria e conectividade: a maratona e o tropeço

A Bose promete 17 horas de reprodução contínua, e nos nossos testes com volume entre 50% e 70%, a caixa chegou perto disso — marcamos consistentemente entre 15 e 16 horas. É, sem dúvida, uma das melhores autonomias da categoria. Dá para sair de manhã, passar o dia na praia e voltar à noite sem procurar tomada.

O Bluetooth 4.2 não é o mais recente, mas o alcance de até 9 metros funciona sem falhas na maioria dos cenários domésticos. O multipoint permite conexão simultânea com dois dispositivos — recurso útil quando duas pessoas querem revezar músicas. A entrada auxiliar de 3,5 mm é um bônus para quem quiser conexão com fio, e o microfone embutido permite atender chamadas e acionar assistentes de voz.

E aqui vem o tropeço imperdoável: o carregamento é via Micro-USB. Em 2026, quando até fones de R$ 100 já adotaram USB-C, manter a porta Micro-B é um desserviço ao consumidor. O tempo de carga completa é de 4 horas — aceitável, mas não impressionante.

Vale o investimento?

Com preços que giram em torno de R$ 2.859 no Brasil — podendo ultrapassar R$ 3.000 em algumas lojas — a Revolve+ II é um investimento considerável. Concorrentes como a JBL Charge 5 e a Sony SRS-XB33 custam significativamente menos e oferecem USB-C, equalização via app e proteção contra água mais agressiva. O que a Bose oferece em troca é uma assinatura sonora superior e uma dispersão 360° que realmente funciona.

A Bose SoundLink Revolve+ II é uma caixa Bluetooth de excelente sonoridade que cobra caro pela grife e insiste em decisões de hardware ultrapassadas. Se o som omnidirecional é prioridade e o orçamento permite, ela entrega. Se não, há alternativas mais completas por menos.

VEREDITO TÉCNICO · GA REVIEW
7,5
/ 10.0
BOM
RESPOSTA TONAL
Graves
73
Médios
76
Agudos
67
Soundstage
82
Detalhe
68
Conforto
80
FICHA TÉCNICA
TIPOCaixa Bluetooth 360° portátil
TRANSDUTOR1 full-range downward-firing + defletor acústico
RADIADORES2 passivos
RESPOSTA EM FREQUêNCIA~60 Hz – 17,7 kHz
BLUETOOTH4.2 (A2DP, AVRCP, HFP)
ALCANCEAté 9 m
BATERIAAté 17h (Li-Ion) | Carga 4h via Micro-USB
PROTEçãOIP55
PESO910 g
DIMENSõES184 x 105 x 105 mm
ENTRADASMicro-USB, P2 3.5mm aux
RECURSOSMultipoint, Bose SimpleSync, modo estéreo
✓ A FAVOR
  • Som 360° genuíno com dispersão uniforme e graves encorpados
  • Bateria de longa duração (15-17h reais) para uso o dia inteiro
  • Construção sólida em alumínio com IP55 e alça integrada
× CONTRA
  • Carregamento Micro-USB em pleno 2026 — inaceitável nessa faixa
  • Preço elevado frente a concorrentes com mais recursos
  • Sem equalizador no aplicativo Bose Connect
⌬ FIM · 4 min de leitura

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