A TCL decidiu que um soundbar pode ser design de interiores — e trouxe a Bang & Olufsen para provar isso. O A65K, apresentado no CES 2026, tem 50 mm de profundidade. Cinquenta milímetros. Para comparação, a maioria dos soundbars tem entre 80 e 120 mm. Colado na parede, o produto parece um trilho de iluminação premium de galeria de arte.
O design escandalosamente fino poderia ser apenas marketing — um truque de ilusão de ótica com som de plástico barato. Mas a TCL contratou os engenheiros da Bang & Olufsen para assinar a sonoridade, e isso muda completamente a conversa. O resultado é um soundbar 3.1.2 com 460 W que realmente soa como produto premium — não como caixa de notebook com defeito de proporções.
O que o “Audio by B&O” significa na prática
Bang & Olufsen não aplicou apenas um logo. A parceria envolveu ajuste de resposta de frequência, calibração de crossovers entre barra e subwoofer, e equalização de cada driver. Os dois upfirers de 55 mm para a camada de altura do Dolby Atmos têm uma precisão que soundbars na mesma faixa de preço raramente oferecem.
Testei o A65K com Oppenheimer no trecho da detonação Trinity. A camada de altura no Atmos — o silêncio que antecede a onda de choque, depois o estrondo descendo de cima — foi renderizada com clareza notável para um 3.1.2. O centro ficou ancorado, as vozes de Cillian Murphy tiveram textura natural, e o subwoofer sem fio de 6,5 polegadas entregou pressão suficiente para não envergonhar o sistema nesta cena.
O A65K prova que ultra-slim e qualidade real de som não precisam ser mutuamente exclusivos — desde que você traga os engenheiros certos para a equipe de desenvolvimento.
Marcelo Augusto · Guia do Áudio, análise CES 2026
Conectividade e calibração inteligente
O A65K usa HDMI eARC 2.1 — a versão que suporta os formatos de áudio não-comprimidos mais recentes — com Bluetooth 5.3 para conexão mobile direta. O subwoofer se conecta sem fio automaticamente ao parear com a barra. A calibração de sala via microfone incluso (a TCL chama de AI Calibration) funciona razoavelmente: não é tão sofisticada quanto a Sonos Trueplay ou o SpaceFit da Samsung, mas é suficiente para ajustar graves de acordo com o ambiente sem exigir conhecimento técnico do usuário.
Com 460 W totais distribuídos entre barra e subwoofer, o volume máximo surpreende para um produto tão fino. Em ambiente de aproximadamente 50 m², consegui cobrir o espaço com clareza a 65% do volume máximo — ponto onde a maioria das visitas já pede para baixar um pouco.
Limitações reais que você precisa saber
O subwoofer de 6,5 polegadas é o calcanhar de Aquiles do sistema. Não vai consistentemente abaixo de 40 Hz — quem curte eletrônica, metal pesado ou filmes de ação com LFE agressivo vai sentir falta de extensão de grave. Para quem usa o soundbar principalmente para dramas, documentários, séries e música acústica, esse ponto é irrelevante.
O A65K também não tem surround real — é 3.1.2, não 5.1 ou mais. Para ambientes menores onde a prioridade é design sobre imersão cirúrgica, é uma escolha sólida. Mas para quem já conheceu um 5.1 de verdade, os flancos podem parecer bidimensionais em cenas de surround ativo.
Na equação custo-benefício, o A65K está em território muito competitivo. Soundbars com tuning de marca premium e design ultra-slim geralmente custam o dobro do preço pedido aqui. A TCL encontrou um caminho inteligente: terceirizou a credibilidade sonora para a B&O e manteve o preço em um patamar razoável para o Brasil importado. Para quem prioriza estética sem abrir mão de qualidade real de áudio, o A65K é das melhores compras de soundbar de 2026.