A Sonos Ray é a resposta da marca para uma pergunta que muita gente faz: dá para entrar no ecossistema Sonos sem vender um rim? A resposta é sim — com ressalvas. A Ray é pequena, simples e focada no essencial: fazer sua TV soar melhor do que os alto-falantes embutidos. E nisso, ela é excelente. No resto, cobra um preço premium por especificações modestas.
Design e construção
Com apenas 56 cm de largura, a Ray cabe embaixo de TVs de 43 polegadas sem sobrar — algo que soundbars maiores como a Beam Gen 2 não conseguem. O design é minimalista no estilo Sonos: plástico fosco em preto ou branco, com uma grade frontal perfurada e três botões capacitivos no topo para volume e play/pausa. Sem display, sem LED vistoso, sem ostentação.
A construção é sólida, com 1,95 kg de peso que dão estabilidade na prateleira. Mas a simplicidade tem um custo: não há suporte de parede incluso, e a Sonos vende o kit separadamente por um preço que faria qualquer pessoa questionar suas escolhas de vida.
Qualidade de som
A Ray tem quatro drivers internos — dois tweeters e dois mid-woofers — numa configuração 2.0 que aposta em clareza em vez de potência. E é nos diálogos que ela brilha: vozes são nítidas, bem separadas do resto da mixagem, com uma presença que faz novelas, noticiários e filmes dialogados soarem significativamente melhor do que qualquer alto-falante de TV.
Para músicas, a Ray surpreende pelo palco sonoro: há uma sensação de amplitude que desafia o tamanho da caixa. Médios são limpos e naturais, agudos são controlados sem ser abafados. O TruePlay, calibração por microfone do iPhone, melhora visivelmente o equilíbrio tonal — se você tem um iPhone, use.
Os graves são a limitação esperada: há corpo suficiente para filmes e músicas pop, mas cenas de ação e música eletrônica pedem um subwoofer. A Sonos vende o Sub Mini por um preço salgado, mas a melhoria é drástica.
Conectividade e recursos
Aqui mora a maior polêmica da Ray: a conexão com a TV é via óptica digital, não HDMI. Isso significa nada de Dolby Atmos, nada de eARC, nada de CEC (controle por controle remoto da TV) em muitos modelos. Para uma soundbar de 2022 nessa faixa de preço, é uma economia difícil de engolir.
Por outro lado, a conectividade Wi-Fi é excelente: AirPlay 2, Spotify Connect, Amazon Music e integração com todo o ecossistema Sonos. Você pode agrupar a Ray com outras caixas Sonos pela casa ou usá-la como parte de um sistema surround com duas Sonos Era 100 nos fundos.
Para quem é
A Ray é para quem já está no ecossistema Sonos ou quer uma soundbar compacta com Wi-Fi integrado e qualidade de diálogo impecável. O preço de aproximadamente R$ 1.800 a R$ 2.100 no Brasil é alto para o que oferece em termos de especificações brutas, mas a integração com o ecossistema Sonos e a qualidade tonal justificam para quem valoriza simplicidade.
A Ray é a prova de que a Sonos sabe fazer som excelente em qualquer tamanho. Mas também é a prova de que a Sonos cobra caro por cada centímetro de excelência.
Redação Guia do Áudio