A KEF LS50 é uma daquelas caixas que virou referência de categoria. Quando a versão original saiu em 2012, redefiniu o que uma bookshelf compacta podia fazer. A LS50 Meta, lançada em 2020, adicionou a tecnologia de metamaterial que absorve ondas sonoras traseiras — e o resultado é uma clareza que faz você esquecer que está ouvindo alto-falantes.
Design e construção
A LS50 Meta é uma caixa compacta — 30 cm de altura — com gabinete selado em formato curvo que minimiza ressonâncias internas. A construção é impecável, com acabamento disponível em várias cores incluindo o icônico Mineral White com cone de cobre. O driver Uni-Q, posicionado no centro da face frontal, é visualmente marcante e funcionalmente brilhante.
O peso de 7,7 kg por caixa surpreende para o tamanho — é densa e sólida, o que contribui para a ausência de vibrações parasitas no gabinete. Não há amplificação interna: a LS50 Meta é uma caixa passiva que precisa de um amplificador externo de no mínimo 25 watts em 8 ohms, mas que responde melhor com 50 a 100 watts.
A tecnologia por trás
Dois elementos definem o som da LS50 Meta. O primeiro é o driver coaxial Uni-Q de 12ª geração, que posiciona o tweeter de 25 mm no centro acústico do woofer de 5,25 polegadas. Isso faz com que médios e agudos irradiem do mesmo ponto — o resultado é uma coerência tonal e uma imagem estéreo que caixas com drivers separados não conseguem igualar.
O segundo é a tecnologia MAT — Metamaterial Absorption Technology — um labirinto de tubos de diferentes comprimentos fixado atrás do tweeter que absorve 99% da energia sonora traseira. Na prática, isso elimina colorações e distorções que acontecem quando o som rebate dentro do gabinete e volta pelo cone. O tweeter fica mais limpo, os agudos mais puros, e a sensação é de um véu sendo removido da música.
Qualidade de som
A imagem estéreo da LS50 Meta é o que torna essa caixa especial. Em uma posição de escuta adequada — triângulo equilátero com as caixas anguladas para o ouvinte — os instrumentos se posicionam no espaço com precisão milimétrica. Vocais flutuam no centro entre as caixas como se o cantor estivesse ali. Guitarras, pianos e cordas têm textura e corpo que revelam camadas na gravação que caixas medianas simplesmente ignoram.
Os médios são o ponto forte absoluto: naturais, transparentes, sem coloração perceptível. Os agudos são estendidos e detalhados sem agressividade — o MAT faz diferença real aqui. Os graves são tight e rápidos, com boa definição, mas rolam a partir de 79 Hz. Em salas médias ou grandes, um subwoofer é praticamente obrigatório para preencher a faixa abaixo de 60 Hz.
A LS50 Meta também é reveladora de forma implacável: gravações ruins soam ruins. Não há perdão aqui — ela mostra exatamente o que está na gravação, para o bem e para o mal.
Para quem é
A LS50 Meta é para audiófilos que querem uma caixa compacta de referência para salas pequenas a médias. Com preço a partir de R$ 12.500 o par no Brasil, ela exige também investimento em amplificação e possivelmente um subwoofer — o custo total do sistema facilmente ultrapassa R$ 20.000. Mas para quem prioriza precisão, imagem estéreo e transparência sobre volume e graves, poucas caixas nessa faixa de preço entregam tanto.
A LS50 Meta não toca alto, não tem graves que fazem o sofá vibrar e custa mais do que muita gente gasta num sistema inteiro. Mas quando você senta na posição certa e aperta play, entende por que existe gente que paga R$ 12 mil num par de caixas.
Redação Guia do Áudio