Existe um abismo entre as caixas Bluetooth que custam menos de R$ 300 e as que custam mais de R$ 500. A Sony SRS-XB100 vive nesse abismo — e de alguma forma consegue soar como se estivesse do lado mais caro. Não é perfeita, longe disso. Mas pelo preço que cobra, é difícil reclamar com honestidade.
Design e construção
A XB100 parece uma latinha de refrigerante encapada com tecido. Mede pouco mais de 8 cm de diâmetro e pesa 274 gramas — é genuinamente compacta a ponto de caber no bolso de uma jaqueta. A alça de tecido na lateral combina com a cor da caixa e serve para pendurar no pulso, numa mochila ou no guidão da bicicleta.
O acabamento é simples mas funcional, com botões emborrachados no topo para volume, play/pausa e Bluetooth. A proteção IP67 é generosa para a faixa de preço: poeira e submersão até 1 metro. Na prática, você pode usar no chuveiro, na beira da piscina e em trilhas empoeiradas sem medo.
Qualidade de som
O driver full-range direciona o som para frente de forma não convencional — a Sony chama de Sound Diffusion Processor, e o resultado é um som que se espalha melhor pelo ambiente do que a maioria das caixas ultracompactas. Vocais são limpos, com corpo suficiente para fazer podcasts e músicas acústicas soarem agradáveis.
Os médios são o ponto forte: há uma clareza na faixa vocal que rivais como a JBL Go 4 não conseguem igualar. Os agudos são presentes mas não brilhantes — há uma leve atenuação nos pratos e sibilantes que pode incomodar audiófilos mas que torna a escuta prolongada mais confortável.
Os graves existem, mas no papel. Há uma sugestão de corpo no baixo em volumes baixos que desaparece quando você sobe o volume. É o limite físico de um driver pequeno numa caixa minúscula. Para músicas com muita linha de baixo ou kick drum, a XB100 simplesmente não tem fôlego.
Bateria e funcionalidades
As 16 horas de bateria são reais em volume moderado — consegui entre 14 e 15 horas consistentemente. O carregamento é via USB-C e leva cerca de 4,5 horas para uma carga completa. Há função viva-voz para chamadas, que funciona de forma aceitável em ambientes silenciosos mas sofre com barulho externo.
O app Sony Music Center existe, mas oferece poucos ajustes para a XB100: basicamente controle de reprodução e firmware. Não há EQ customizável, o que é uma economia decepcionante da Sony.
Para quem é
A XB100 é para quem quer uma caixa de bolso para uso pessoal: banho, mesa de trabalho, piquenique a dois. Não é para festas, não é para grupos grandes, não é para quem quer graves. Mas para som limpo e portabilidade extrema por menos de R$ 300, é imbatível. A JBL Go 4 é a rival mais direta, e a Sony leva vantagem nos médios e na bateria.
A XB100 não tenta ser o que não é. E é exatamente por isso que funciona tão bem no que se propõe a fazer.
Redação Guia do Áudio