Música & Cultura 31 JUL 2026

Sony: do gravador de fita nas ruínas de Tóquio ao Walkman que mudou o mundo — a história completa do áudio Sony

Masaru Ibuka e Akio Morita fundaram a empresa nos escombros de uma loja bombardeada, inventaram o Walkman, co-criaram o CD com a Philips e continuam definindo como o mundo ouve música 80 anos depois.

MÚSICA & CULTURA

Em 7 de maio de 1946, num departamento de loja bombardeado no bairro de Nihonbashi, em Tóquio, dois engenheiros que haviam projetado mísseis guiados pelo calor durante a guerra fundaram a Tokyo Tsushin Kogyo — Corporação de Engenharia de Telecomunicações de Tóquio. Masaru Ibuka tinha 38 anos; Akio Morita, 25. Com vinte funcionários, quase nenhum dinheiro e equipamentos sucateados, eles começaram vendendo almofadas térmicas de tecido para financiar a pesquisa em áudio. A empresa que viria a se chamar Sony nasceu assim: improvisando.

As primeiras revoluções

O primeiro produto de áudio significativo foi o GT-3, gravador de fita magnética lançado em 1950 — o primeiro do Japão. A equipe teve que desenvolver a fita magnética do zero, porque não existia fornecedor no país. Em 1955, veio o TR-55, primeiro rádio transistorizado comercial do Japão — e o primeiro produto a usar a marca Sony, combinação do latim sonus (som) com sonny boy. Morita queria um nome que transmitisse energia jovem e irreverência.

O Walkman: a revolução que cabia no bolso

Em 1978, Masaru Ibuka estava cansado de carregar o pesado TC-D5 em voos transpacíficos. Pediu ao presidente da divisão de áudio, Norio Ohga, que adaptasse o Pressman num player portátil estéreo. Os engenheiros construíram um protótipo funcional em três dias.

O Walkman TPS-L2 foi lançado em 1º de julho de 1979 por 39.500 ienes. A produção inicial de 30.000 unidades deveria durar seis meses. As primeiras 3.000 esgotaram imediatamente. Em dois meses, 50.000 já haviam sido vendidas. Até 2010, mais de 400 milhões de Walkmans foram vendidos no mundo.

O impacto cultural foi sísmico: antes do Walkman, ouvir música era atividade coletiva ou estacionária. O Walkman tornou a escuta pessoal e portátil — e, de quebra, criou a cultura do mixtape. Em 1983, a fita cassete ultrapassou o vinil como formato de música gravada mais vendido, impulsionada diretamente pelo Walkman. Em 1986, a palavra entrou no Oxford English Dictionary.

O CD, o MiniDisc e o som digital

Em 1982, a Sony lançou o CDP-101 — o primeiro CD player comercial do mundo, fruto de uma parceria com a Philips. A Sony introduziu a bandeja motorizada horizontal que se tornou padrão na indústria. A Philips, aliás, não conseguiu cumprir a data de lançamento acordada — os primeiros players Philips continham componentes Sony por dentro.

O MiniDisc chegou em 1992 como a evolução lógica: um formato digital regravável e portátil. Tecnicamente superior ao CD em portabilidade, foi vítima de três forças: as restrições de DRM da própria Sony (que era simultaneamente fabricante de hardware e dona de gravadoras), o custo cada vez menor de CD-Rs graváveis e, a partir de 2001, o iPod. O último player MiniDisc foi fabricado em março de 2013.

Hi-Res, LDAC e o presente

A Sony nunca abandonou a busca por qualidade de áudio. O LDAC, codec Bluetooth proprietário lançado em 2015, transmite áudio em até 990 kbps — três vezes mais que o SBC padrão. O Google o tornou obrigatório em todos os dispositivos Android a partir da versão 8.0, transformando-o no padrão de fato para áudio wireless de alta resolução.

Os fones WH-1000XM se tornaram referência em cancelamento de ruído ativo, com o modelo mais recente (XM6, 2025) usando 12 microfones e processador QN3 com velocidade 7 vezes maior que o antecessor. A linha ULT de caixas Bluetooth substituiu a Extra Bass em 2024, indo do compacto ULT Field 1 à torre ULT Tower 9 de R$ 4.500. No home theater, a linha Bravia Theater (incluindo a Bar 9 e o Theater Quad) mantém a Sony relevante no mercado de soundbars premium.

Fatos que você provavelmente não sabia

A NASA equipou cada astronauta do programa Apollo com um gravador Sony TC-50 a partir da Apollo 7 (1968) — eles usavam para gravar logs de missão e tocar mixtapes na espaçonave. O 360 Reality Audio, tecnologia de áudio espacial da Sony, personaliza o som analisando fotos das orelhas do ouvinte para criar funções de transferência individuais. E o nome Sony vem, literalmente, de som.

⌬ FIM · 3 min de leitura

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