Abra a caixa do Marantz Cinema 50 e você entende imediatamente por que a empresa sobreviveu mais de 70 anos no mercado de áudio: os controles escondidos sob um painel de metal, o porthole circular iluminado no centro e os quase 14 kg na balança dizem algo antes de qualquer nota soar. Este é o segundo da série Cinema — posicionado entre o Cinema 40 e o topo de linha Cinema 60 — e representa o ponto em que a Marantz equilibra feature list real com qualidade sonora sem concessões óbvias.
9 canais que soam como 9 canais
A maioria dos receivers “de 9 canais” lida mal com todos os canais acionados ao mesmo tempo. O Cinema 50 declara 110W por canal com dois canais driven (8Ω, 0,08% THD) e mantém compostura razoável em cenas de ação intensa com configuração 7.2.4. A tecnologia HDAM (Hyper-Dynamic Amplifier Module), herdada do DNA de amplificadores estéreo da Marantz, é o diferencial real: o estágio analógico soa mais coerente e menos mecânico do que concorrentes que priorizam especificação de papel.
As sete entradas HDMI 2.1 (todas 8K/60Hz) e o suporte a quatro saídas independentes de subwoofer posicionam o Cinema 50 acima da concorrência na mesma faixa de preço. Os formatos cobertos são todos os relevantes: Dolby Atmos, DTS:X Pro, Auro 3D e IMAX Enhanced.
Audyssey XT32 e a opção Dirac
O Audyssey MultEQ XT32 incluso é a versão de maior precisão da linha — com filtros de alta resolução que resultam numa curva de resposta de sala nitidamente mais refinada do que o MultEQ padrão. Para quem quer ir além, o Cinema 50 aceita upgrade para Dirac Live mediante licença adicional. É uma combinação rara: você não precisa trocar de equipamento para subir de nível na correção de sala.
“Diálogos chegam com naturalidade cirúrgica e os efeitos espaciais do Atmos não soam artificialmente inflados — o Cinema 50 tem o equilíbrio que a maioria dos receivers nessa faixa não consegue.”
Marcelo · sistema 7.2.4, Blu-ray UHD e streaming 4K Atmos
O que frustra
O app HEOS carrega a instabilidade crônica da plataforma: conexão que cai, busca lenta, interface datada. A Marantz sabe disso e, francamente, ainda não resolveu. A navegação pelos menus de calibração também é trabalhosa para quem não está habituado — o receiver recompensa o estudo antes de render o melhor.
Vale o preço?
Na faixa de R$ 13.750, o Cinema 50 compete com o Denon AVC-X3800H. O Denon tem interface mais moderna; o Marantz tem sonoridade mais refinada e construção superior. Para sistemas home theater que levam o componente de som a sério — e não apenas o espetáculo visual —, o Cinema 50 entrega o que promete. Se você é o tipo de ouvinte que passa mais tempo ouvindo do que configurando, esta é a escolha certa.